"Senhor, como queres que preparemos a Páscoa?" (Cf. Mt 26, 17)
1. O que é a Quaresma:
Nós cristãos celebramos todo ano a festa da Páscoa: a morte e a ressurreição de Jesus e tamém a nossa. É a maior de todas as festas. A mais importante... Grande demais para ser preparada em apenas três dias ou uma semana. Por isso, estendemos a sua preparação para quarenta dias. Daí Quaresma, período de quarenta dias, que vai da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa pela manhã.
Os textos litúrgicos que rezamos durante o tempo da Quaresma são belíssimos e nos conduzem ao verdadeiro espírito deste "tempo favorável". Poderia citar muitos mas o espaço do artigo não me permite. Cito portanto apenas o Prefácio da Quaresma V (Missal Romano, pág. 418) como síntese de toda esta riqueza:
"Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação louvar-vos, Pai santo, rico em misericórdia, e bendizer vosso nome, enquanto caminhamos para a Páscoa, seguindo as pegadas de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, mestre e modelo da humanidade, reconciliada e pacificada no amor.
Vós reabris para a Igreja, durante a Quaresma, a estrada do Êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente toma consciência de sua vocação de povo da aliança. E, celebrando vossos louvores, escute vossa Palavra e experimente os vossos prodígios.
Por isso, olhando com alegria esses sinais de salvação, unidos aos anjos e aos santos, entoamos o vosso louvor, cantando a uma só voz:"
Podemos encontrar neste Prefácio todos os elementos que caracterizam não só a liturgia deste Tempo, mas especialmente a sua teologia, a sua espiritualidade e a sua pastoral. Voltamo-nos para Deus, "Pai Santo, rico em misericórdia"; relembramos a grande experiência do Êxodo, da Aliança, da libertação e da nova terra; assumimos nossa atitude de povo peregrino, ouvintes da Palavra, povo amado e escolhido por Deus; nosso modelo é Cristo, cuja morte e ressurreição celebramos de forma mais intensa neste tempo. Enfim, a Quaresma é um "sinal de salvação" ou, numa expressão usada num artigo de Dom Manoel João Francisco, "sacramento anual de reconciliação".
É indispensável que recuperamos também a Quaresma como o tempo ideal de fazer a preparação final dos catecúmenos que serão batizados, confirmados e receberão a Eucaristia na Vigília Pascal. O Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA) lembra que "o tempo da purificação e iluminação dos catecúmenos é normalmente a Quaresma. De fato, na liturgia e na catequese, pela comemoração ou preparação do Batismo e pela penitência, a Quaresma renova a comunidade dos fiéis juntamente com os catecúmenos e os dispõe para a celebração do mistério pascal, ao qual os sacramentos de iniciação associam cada um" (Introdução do RICA, n. 21).
2. Símbolos, ritos, gestos quaresmais
São vários os símbolos, as atitudes e iniciativas humanas e religiosas que acompanham e enriquecem o tempo da Quaresma, no qual, como em toda preparação, já saboreamos de certa maneira a festa da Páscoa que virá. Por exemplo:
A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter de penitência e conversão próprio deste tempo. Isto se manifesta também no visual do espaço celebrativo, sóbrio, despojado.
O jejum nos orienta a dar mais atenção à Palavra de Deus. A fome que sentimos (quando fazemos jejum) pode simbolizar e evocar a fome que temos da Palavra de Deus. É tempo forte, portanto, de escuta da Palavra, pois através dela vamos conhecer os desejos de Deus e praticar a sua vontade.
Ajudados pela Campanha da Fraternidade, intensificamos a prática da caridade, procurando corrigir e aperfeiçoar, à luz da Palavra de Deus, nosso jeito como tratamos as pessoas e com elas nos relacionamos, sobretudo os mais pobres e sofredores, e como procuramos ajudá-los a viver com dignidade.
Nesse tempo forte da vida da Igreja intensificamos nossa vida de oração, na forma de súplicas, pedidos de perdão, intercessão, agradecimento, compromissos de fé, melhor participação na comunidade etc. É um tempo próprio para, nas comunidades, a gente participar de alguma celebração penitencial (individual ou comunitária). Sobre estas três atitudes - jejum, esmola e oração - os Santos Padres fazem muitas referências. Recordemos algumas: "O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente" (São Pedro Crisólogo). "Não tem mérito nenhum negar alimento ao corpo se no coração não se renuncia à injustiça e se a língua não se abstém da calúnia" (São Leão Magno). "A esmola só será autêntica se à ajuda material estiver unido o perdão das ofensas" (Santo Agostinho).
Podemos expressar nossa vontade de participar da caminhada sofrida de Jesus (vítima da violência, de ontem e de hoje), participando de procissões (de ramos, do encontro, do Senhor morto etc.), Via-Sacras, círculos bíblicos etc.
Expressamos o "clima" próprio deste tempo forte da vida da Igreja também através da música e do canto. Há uma música própria e cantos que caracterizam este tempo, além do hino da CF . O Hinário 2 da CNBB apresenta também um bom repertório de músicas litúrgicas quaresmais. Na introdução do Hinário 2 lemos: "Cantar a Quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo. O canto da quaresma nos inspira e anima a assumir, com mais garra do que nunca, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Pela participação em seus sofrimentos, isto é, ‘obedientes ao Pai e comprometidos com os irmãos até o fim' (cf. Jo 13,1), ‘cheguemos à glória da sua ressurreição' (cf. Fl 3, 10-11)". Para ajudar nesta vivência, é aconselhável também que se evite na Quaresma o toque de instrumentos musicais. Também não cantamos o "glória" e o "aleluia".
3. Lembretes práticos para as equipes de liturgia e de celebração
O espaço litúrgico, despojado, sóbrio e "vazio" nos ajuda a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos e que nos converte.
Momentos de silêncio, principalmente entre as leituras e após a homilia, são importantes.
Um sinal permanente no espaço litúrgico, como um tecido roxo em forma de faixa na mesa da Palavra ou como detalhe na mesa eucarística (sem "tampar" ou esconder o altar), ajudará na experiência quaresmal. Não colocar o cartaz da CF em frente ao altar ou ambão, mas num outro local, de preferência na entrada da igreja, bem visível para a comunidade.
A cruz, pela qual fomos marcados no Batismo, deve ser destacada. Ela lembra que somos discípulos e discípulas de Jesus, que superou o fracasso humano da cruz com um amor que vence a morte.
A comunidade pode fazer maior experiência da misericórdia de Deus através do sacramento da Reconciliação, de celebrações penitenciais e também de retiros.
4.Semana Santa e Tríduo Pascal: a conclusão da quaresma
Existe um jeito, um lugar, um momento muito especial no qual aprenderemos a "viver a semana santa". É o que nos aponta o saudoso Papa Paulo VI: "Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal".
"Viver a semana santa" significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, saber que estamos "re-vivendo" todos estes fatos. "De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente."
* Padre Carlos Gustavo Haas, da Comissão para a Liturgia/CNBB.
Notas
1. Cf. Frei José Ariovaldo da Silva, O tempo da Quaresma, Liturgia em Mutirão, Edições CNBB, pág. 38-40.
2. Está publicado pela Paulus um CD com todos os cantos próprios da Quaresma e da CF para a missa de cada domingo da Quaresma deste ano.
3. Cf. Ir. Veronice Fernandes, A liturgia do tempo da quaresma, Liturgia em Mutirão II, Edições CNBB, pág. 99.
4. Sugerimos o DVD Reconciliai-vos, produzido pela CNBB e Verbo Filmes, como roteiro para estudo e aprofundamento do sacramento da Penitência e Reconciliação e das celebrações penitenciais.
5. Sugiro ainda a leitura do importante artigo de Pe. Domingos Ormonde e Ir. Penha Carpanedo que está publicado na Revista de Liturgia, janeiro/fevereiro 2010, pág. 15 a 22.
6. Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo, Loyola, 2002, p. 83
Fonte: www.cnbb.org.br
26/02/2012
24/02/2012
Religiosos e religiosas do Brasil refletem sobre a identidade da Vida Consagrada
Evento promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB, reúne em Itaicí, Indaiatuba, SP, cerca de 400 religiosos e religiosas de todo o país e tem como tema "A loucura que Deus escolheu para confundir o mundo".
"Onde nos encontramos neste momento histórico? Qual é o futuro da Vida Religiosa?", perguntou padre Carlos Palácio, provincial dos Jesuítas no Brasil e vice-presidente da CRB Nacional, em conferência que abriu o segundo dia de trabalhos, no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, na manhã desta sexta-feira, 24. Para o assessor, a Vida Consagrada e Apostólica hoje, não apresenta uma identidade clara. Muitos de seus membros se sentem cansados, outros estacionados, outros ainda, buscam uma auto-realização o que é contraditório. "Isso não está nos livros, mas nas pessoas que são livros vivos. É para esta situação que temos de dar respostas", afirmou.
Confira também:
Começa Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada em Itaici
Alegrias e inquietações na Vida Religiosa Consagrada
Segundo padre Palácio, "não faltam motivos para nos sentirmos cansados", contudo, "a Vida Religiosa, se fundamenta no Evangelho e, enquanto houver gente apaixonada por Jesus Cristo, haverá Vida Religiosa". Na opinião do teólogo, as congregações têm dificuldades em lidar com essa situação. Para enfrentar esse mal estar é preciso olhar a história. "É por não saber quem somos que não temos a clareza dentro e fora das nossas comunidades". E acrescentou: "gastamos a maior parte das nossas energias em administrar a nossa diminuição numérica, o envelhecimento e peso das instituições".
Na sua exposição, o jesuíta insistiu na necessidade de se resgatar o núcleo da identidade da Vida Religiosa e Apostólica. "Quem somos? A Vida Consagrada não é uma réplica da vida leiga cristã, nem da vida monástica, mas uma vida peculiar que capta elementos comuns da vida cristã e faz deles uma síntese. Disso surge uma espiritualidade", destacou.
Na sequência, para elucidar a identidade da Vida Religiosa, padre Palácio recorreu ao Evangelho segundo Marcos (3, 13-14). Para ele, nesse texto, o evangelista reúne três elementos que revelam o núcleo identitário da Vida Consagrada, que são: a experiência do chamamento gratuito; a descoberta de ser chamado para estar com Jesus; e, o ser enviado em missão.
Nesse sentido "o importante é captar os três aspectos que não podem ser tomados separados, mas intimamente unidos. A experiência do encontro e da relação pessoal com Jesus dá essa identidade. É uma percepção única de um modo de viver. Se faltar um desses aspectos, a nossa vida começa a desmoronar", afirmou. Para ele, essa é a mística que alimenta a Vida Consagrada.
A Missão
"A Missão não é fazer coisas, mas dar a vida e é impossível realizar uma Missão que dê vida sem que esteja enraizada na experiência de amor a Jesus Cristo. É isso que será capaz de unificar a nossa vida", argumentou.
Padre Palácio destacou ainda que, "a Missão não cabe dentro do recolhimento e da paz monástica caso contrário, ela ficaria desfigurada". Deveríamos fazer uma avaliação honesta e transparente dos 50 anos de pós Concílio Vaticano II, das suas conquistas, perdas e impasses. "Nem tudo o que foi assumido pela Vida Consagrada foi digerido evangelicamente", sublinhou.
O teólogo concluiu a sua exposição com alguns questionamentos para suscitar um ‘olhar positivo e confiante': "Estamos verdadeiramente convencidos que o principal problema da Vida Religiosa é mais de espírito do que de administração? É possível resgatar a paixão e o entusiasmo pelo que há de novo e original no estilo de Vida Religiosa e Apostólica? Temos consciência de que ainda persiste uma desarticulação entre vida e missão?", foram alguns das perguntas colocadas. "A redescoberta da identidade está em nossas mãos. A tradição só é viva quando faz viver e nós estamos cheios de tradições mortas", concluiu.
Na segunda parte da manhã, Irmã Annette Havenne, SM, psicóloga e formadora, aprofundou o tema e destacou a importância de viver e transmitir a paixão pela Vida Religiosa e Consagrada com convição.
"A Vida Religiosa e Consagrada é uma loucura e faz loucuras porque nasce de uma paixão, paixão por Jesus e pelos valores do reino. Esta paixão é resposta a outra paixão bem maior, à inexplicável paixão de Deus pela humanidade", destacou a religiosa. Em sua opinião, se olharmos o núcleo identitário da Vida Religiosa na perspectiva de um itinerário vocacional, "vamos constatar que não basta um ideal religioso, social ou humanitário como motivação, mas o re-encanto consciente por Jesus Cristo e a proposta do discipulado".
Para Irmã Annette, a segunda convicção decorre da primeira. "Uma paixão autêntica é comunicativa, contagiante. Viver hoje o núcleo da identidade significa pensar como nos ajudamos a alimentar esta paixão e a transmiti-la para as novas gerações de consagradas e consagrados".
Mística, comunidade e missão é o tripé que sustenta a Vida Religiosa Apostólica. "O que nos caracteriza, o que faz nossa identidade de religiosas e religiosos é como nós queremos ser comunidades de irmãs e irmãos em vista da missão e partilhar entre nós a experiência do rosto de Deus que se revela nesta missão", argumentou.
O Seminário que acontece desde ontem, dia 23, encerra suas atividades nesta segunda-feira, 27, com sugestões para a XXIII Assembleia Geral Eletiva da CRB marcada para julho de 2013 em Brasília - DF.
Fonte: Assessoria de imprensa CRB
"Onde nos encontramos neste momento histórico? Qual é o futuro da Vida Religiosa?", perguntou padre Carlos Palácio, provincial dos Jesuítas no Brasil e vice-presidente da CRB Nacional, em conferência que abriu o segundo dia de trabalhos, no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, na manhã desta sexta-feira, 24. Para o assessor, a Vida Consagrada e Apostólica hoje, não apresenta uma identidade clara. Muitos de seus membros se sentem cansados, outros estacionados, outros ainda, buscam uma auto-realização o que é contraditório. "Isso não está nos livros, mas nas pessoas que são livros vivos. É para esta situação que temos de dar respostas", afirmou.
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Alegrias e inquietações na Vida Religiosa Consagrada
Segundo padre Palácio, "não faltam motivos para nos sentirmos cansados", contudo, "a Vida Religiosa, se fundamenta no Evangelho e, enquanto houver gente apaixonada por Jesus Cristo, haverá Vida Religiosa". Na opinião do teólogo, as congregações têm dificuldades em lidar com essa situação. Para enfrentar esse mal estar é preciso olhar a história. "É por não saber quem somos que não temos a clareza dentro e fora das nossas comunidades". E acrescentou: "gastamos a maior parte das nossas energias em administrar a nossa diminuição numérica, o envelhecimento e peso das instituições".
Na sua exposição, o jesuíta insistiu na necessidade de se resgatar o núcleo da identidade da Vida Religiosa e Apostólica. "Quem somos? A Vida Consagrada não é uma réplica da vida leiga cristã, nem da vida monástica, mas uma vida peculiar que capta elementos comuns da vida cristã e faz deles uma síntese. Disso surge uma espiritualidade", destacou.
Na sequência, para elucidar a identidade da Vida Religiosa, padre Palácio recorreu ao Evangelho segundo Marcos (3, 13-14). Para ele, nesse texto, o evangelista reúne três elementos que revelam o núcleo identitário da Vida Consagrada, que são: a experiência do chamamento gratuito; a descoberta de ser chamado para estar com Jesus; e, o ser enviado em missão.
Nesse sentido "o importante é captar os três aspectos que não podem ser tomados separados, mas intimamente unidos. A experiência do encontro e da relação pessoal com Jesus dá essa identidade. É uma percepção única de um modo de viver. Se faltar um desses aspectos, a nossa vida começa a desmoronar", afirmou. Para ele, essa é a mística que alimenta a Vida Consagrada.
A Missão
"A Missão não é fazer coisas, mas dar a vida e é impossível realizar uma Missão que dê vida sem que esteja enraizada na experiência de amor a Jesus Cristo. É isso que será capaz de unificar a nossa vida", argumentou.
Padre Palácio destacou ainda que, "a Missão não cabe dentro do recolhimento e da paz monástica caso contrário, ela ficaria desfigurada". Deveríamos fazer uma avaliação honesta e transparente dos 50 anos de pós Concílio Vaticano II, das suas conquistas, perdas e impasses. "Nem tudo o que foi assumido pela Vida Consagrada foi digerido evangelicamente", sublinhou.
O teólogo concluiu a sua exposição com alguns questionamentos para suscitar um ‘olhar positivo e confiante': "Estamos verdadeiramente convencidos que o principal problema da Vida Religiosa é mais de espírito do que de administração? É possível resgatar a paixão e o entusiasmo pelo que há de novo e original no estilo de Vida Religiosa e Apostólica? Temos consciência de que ainda persiste uma desarticulação entre vida e missão?", foram alguns das perguntas colocadas. "A redescoberta da identidade está em nossas mãos. A tradição só é viva quando faz viver e nós estamos cheios de tradições mortas", concluiu.
Na segunda parte da manhã, Irmã Annette Havenne, SM, psicóloga e formadora, aprofundou o tema e destacou a importância de viver e transmitir a paixão pela Vida Religiosa e Consagrada com convição.
"A Vida Religiosa e Consagrada é uma loucura e faz loucuras porque nasce de uma paixão, paixão por Jesus e pelos valores do reino. Esta paixão é resposta a outra paixão bem maior, à inexplicável paixão de Deus pela humanidade", destacou a religiosa. Em sua opinião, se olharmos o núcleo identitário da Vida Religiosa na perspectiva de um itinerário vocacional, "vamos constatar que não basta um ideal religioso, social ou humanitário como motivação, mas o re-encanto consciente por Jesus Cristo e a proposta do discipulado".
Para Irmã Annette, a segunda convicção decorre da primeira. "Uma paixão autêntica é comunicativa, contagiante. Viver hoje o núcleo da identidade significa pensar como nos ajudamos a alimentar esta paixão e a transmiti-la para as novas gerações de consagradas e consagrados".
Mística, comunidade e missão é o tripé que sustenta a Vida Religiosa Apostólica. "O que nos caracteriza, o que faz nossa identidade de religiosas e religiosos é como nós queremos ser comunidades de irmãs e irmãos em vista da missão e partilhar entre nós a experiência do rosto de Deus que se revela nesta missão", argumentou.
O Seminário que acontece desde ontem, dia 23, encerra suas atividades nesta segunda-feira, 27, com sugestões para a XXIII Assembleia Geral Eletiva da CRB marcada para julho de 2013 em Brasília - DF.
Fonte: Assessoria de imprensa CRB
08/02/2012
Aprendi que o amor é o fim - Mike
Não sempre que precisamos explicar algumas coisas que são claras e visíveis; embora, outras parecem, mas não são. É pela esta postura que tomo a explicar o meu querido anexo de todos os meus emails. “o amor como fim e não como começo...”
Por que sempre digo assim:
O amor corre mais rápido do que os acontecimentos que estão no seu caminho. Na vigência do amor, as pessoas vão até o fim das outras muito rapidamente, passando por cima, ambas, de aspectos, maneiras de ser e comportamentos do ser amado.
O amor é uma corrida apressada até o fim e o mais alto do outro. Só depois de, se lá chegar, e viver, e ser, e gozar, e sentir, começam os percursos e percalços da volta, retorno às partes que se tornaram retardatárias, mas existem e se movimentam.
É como o curso de um rio que desemboca no próximo e reflui. Na vigência explosiva ou hipnótica do amor, chega-se logo, e com deslumbramento, ao fim do curso. Aí, há o refluxo. A água volta à origem e no retorno vai passando por partes que ficaram submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas passaram aceleradas e torrenciais.
O amor é um começo pelo fim, no qual o meio vem sempre depois com as suas insuperáveis leis. Por isso, corre mais rápido do que as veredas que estão no seu caminho. A vivência de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar, depois de ter chegado ao fim, ao auge, ao máximo.
O amor verdadeiro e duradouro é o preço desse retorno sobre si mesmo e a complementação de tudo o que estava no caminho e foi superado pela velocidade e intensidade das águas-paixão. Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão. Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser e se escondem aspectos menores e restritivos, os defeitos e imperfeições.
Difícil, portanto, não é a chegada ao fim: é viver os vários refluxos, pois neles estão escondidas as depressões suficientes (ou não) para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce, na medida em que o refluxo permite descobrir, com mais calma, as partes lindas de cada um, os remansos, as terras fecundas do afeto, as voltas sinuosas, os jardins de paz e de cada existência. As partes férteis de cada ser.
É quando o amor deixa de ser muito bom, para ser mútuo bom. E o amor só é muito bom quando, depois de ter chegado ao máximo (no sentido de ápice, extremo), volta-se sobre si mesmo num refluxo enriquecedor e aumenta depois que passa a ilusão
O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.
Por que sempre digo assim:
O amor corre mais rápido do que os acontecimentos que estão no seu caminho. Na vigência do amor, as pessoas vão até o fim das outras muito rapidamente, passando por cima, ambas, de aspectos, maneiras de ser e comportamentos do ser amado.
O amor é uma corrida apressada até o fim e o mais alto do outro. Só depois de, se lá chegar, e viver, e ser, e gozar, e sentir, começam os percursos e percalços da volta, retorno às partes que se tornaram retardatárias, mas existem e se movimentam.
É como o curso de um rio que desemboca no próximo e reflui. Na vigência explosiva ou hipnótica do amor, chega-se logo, e com deslumbramento, ao fim do curso. Aí, há o refluxo. A água volta à origem e no retorno vai passando por partes que ficaram submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas passaram aceleradas e torrenciais.
O amor é um começo pelo fim, no qual o meio vem sempre depois com as suas insuperáveis leis. Por isso, corre mais rápido do que as veredas que estão no seu caminho. A vivência de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar, depois de ter chegado ao fim, ao auge, ao máximo.
O amor verdadeiro e duradouro é o preço desse retorno sobre si mesmo e a complementação de tudo o que estava no caminho e foi superado pela velocidade e intensidade das águas-paixão. Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão. Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser e se escondem aspectos menores e restritivos, os defeitos e imperfeições.
Difícil, portanto, não é a chegada ao fim: é viver os vários refluxos, pois neles estão escondidas as depressões suficientes (ou não) para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce, na medida em que o refluxo permite descobrir, com mais calma, as partes lindas de cada um, os remansos, as terras fecundas do afeto, as voltas sinuosas, os jardins de paz e de cada existência. As partes férteis de cada ser.
É quando o amor deixa de ser muito bom, para ser mútuo bom. E o amor só é muito bom quando, depois de ter chegado ao máximo (no sentido de ápice, extremo), volta-se sobre si mesmo num refluxo enriquecedor e aumenta depois que passa a ilusão
O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.
05/02/2012
Salvador, na Bahia, celebra festa de São Brás - Michael Mutinda
Os missionários da Consolata que trabalham na paróquia São Brás de Plataforma, em Salvador - BA, celebraram nesta sexta-feira (03), junto com milhares de fiéis, o dia de São Brás, bispo e mártir, protetor dos males da garganta e Padroeiro da comunidade. Durante nove dias, a paróquia, animada pelas suas pastorais e movimentos, em especial a pastoral Afro, encarregada da festa este ano, fez uma novena com o tema: "São Brás e Saúde: ouvir o clamor deste povo", inspirado na Campanha da Fraternidade de 2012. No dia da festa, aconteceram várias celebrações. Às 05hs da madrugada, os homens se reuniram para rezar o Oficio de Nossa Senhora. As celebrações das missas começaram às 07hs, presidida pelo padre Aquiléo Fiorentini, ex-superior Geral dos missionários da Consolata, e se estenderam por todo o dia com outras missas às 09 e às 19hs, esta depois da procissão com a imagem de são Brás e da Nossa Senhora de Monte Serrat. Coincidentemente a comunidade de origem do padre Aquiléo, em Tucunduva - RS, também tem como padroeiro São Brás.
"O povo de Plataforma é privilegiado dentro da Igreja de São Salvador. É o povo que sabe lutar e celebrar as conquistas", contou dom Gregório Paixão,Osb, bispo auxiliar de são Salvador, que presidiu a missa festiva das 09hs, concelebrada pelos padres Aquiléo Fiorentini e Stephen Murungi, (pároco de São Brás) e a presença do diácono Michael Mutinda, entre outros diáconos da igreja local. O bispo lembrou que São Brás é muito querido de nosso povo por causa de sua história. Ele foi uma das últimas vítimas da perseguição romana contra os cristãos. Sofreu o martírio sob a perseguição de Licínio, no século IV. É invocado especialmente contra as doenças da garganta, porque certa vez salvou, conforme narram as Atas de sua vida, um menino que estava para morrer por ter engolido uma espinha de peixe. Animava os perseguidos pela causa da fé, e, quando chegou sua vez, bendisse a Deus porque ia imolar seu corpo como hóstia de louvor. Já processado e condenado, São Brás enfrentou muitas torturas sem trair a fé em Jesus, sendo degolado no ano 316. Depois disso, a história se espalhou, contou o bispo. "Ele nos ensina a jamais abandonar a fé, mesmo nas horas mais difíceis", acrescentou dom Gregório.
Falando sobre o tema da festa, dom Gregório disse que a paróquia foi feliz em escolher um tema tão importante para a sociedade hoje. Segundo ele, falar sobre saúde é falar da vida e da salvação. "O povo de Plataforma, Salvador, Brasil e do mundo inteiro está gritando por falta de saúde. O povo brasileiro quer saúde física, espiritual, moral, econômica, política, social e relacional. A situação do povo brasileiro, embora tenha muita coisa boa, tem um longo caminho a percorrer para atingir a saúde desejada. O poder político, social e religiosa tem que ter coragem como São Brás, de gritar em favor do povo de subúrbio que é privado de muitos direitos de saúde como tal. Cada poder que quer ser amigo do povo deve ser a voz dos que não tem voz e vez. Deve erguer a sua fé sem medo em favor dos pobres do subúrbio", concluiu o bispo.
Dona Miriam, vinda do Rio de Janeiro, deu testemunho vivo de como ela recebeu a cura de tireóide depois de receber a bênção da garganta no ano passado. Outras duas senhoras da paróquia também afirmaram terem sido curadas de doenças de garganta depois da benção.
A benção
No final de cada missa os fiéis receberam a benção da garganta. Os padres, diáconos e o bispo colocavam duas velas na garganta enquanto proferiam a oração de São Brás. "Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença". Após a missa das 09hs, os fiéis se reuniram no salão paroquial para partilhar um almoço em honra do Padroeiro.
Oração a são Brás (Protetor contra as doenças da garganta).
Ó glorioso São Brás,
que restituístes com uma breve oração
a perfeita saúde a um menino que,
por uma espinha de peixe atravessada na garganta,
estava prestes a expirar,
obtende para nós todos
a graça de experimentarmos
a eficácia do vosso patrocínio
em todos os males da garganta.
Conservai a nossa garganta sã e perfeita
para que possamos falar corretamente
e assim proclamar
e cantar os louvores de Deus. Amém
Fonte: Missionários da Consolata, AMV- Salvador
"O povo de Plataforma é privilegiado dentro da Igreja de São Salvador. É o povo que sabe lutar e celebrar as conquistas", contou dom Gregório Paixão,Osb, bispo auxiliar de são Salvador, que presidiu a missa festiva das 09hs, concelebrada pelos padres Aquiléo Fiorentini e Stephen Murungi, (pároco de São Brás) e a presença do diácono Michael Mutinda, entre outros diáconos da igreja local. O bispo lembrou que São Brás é muito querido de nosso povo por causa de sua história. Ele foi uma das últimas vítimas da perseguição romana contra os cristãos. Sofreu o martírio sob a perseguição de Licínio, no século IV. É invocado especialmente contra as doenças da garganta, porque certa vez salvou, conforme narram as Atas de sua vida, um menino que estava para morrer por ter engolido uma espinha de peixe. Animava os perseguidos pela causa da fé, e, quando chegou sua vez, bendisse a Deus porque ia imolar seu corpo como hóstia de louvor. Já processado e condenado, São Brás enfrentou muitas torturas sem trair a fé em Jesus, sendo degolado no ano 316. Depois disso, a história se espalhou, contou o bispo. "Ele nos ensina a jamais abandonar a fé, mesmo nas horas mais difíceis", acrescentou dom Gregório.
Falando sobre o tema da festa, dom Gregório disse que a paróquia foi feliz em escolher um tema tão importante para a sociedade hoje. Segundo ele, falar sobre saúde é falar da vida e da salvação. "O povo de Plataforma, Salvador, Brasil e do mundo inteiro está gritando por falta de saúde. O povo brasileiro quer saúde física, espiritual, moral, econômica, política, social e relacional. A situação do povo brasileiro, embora tenha muita coisa boa, tem um longo caminho a percorrer para atingir a saúde desejada. O poder político, social e religiosa tem que ter coragem como São Brás, de gritar em favor do povo de subúrbio que é privado de muitos direitos de saúde como tal. Cada poder que quer ser amigo do povo deve ser a voz dos que não tem voz e vez. Deve erguer a sua fé sem medo em favor dos pobres do subúrbio", concluiu o bispo.
Dona Miriam, vinda do Rio de Janeiro, deu testemunho vivo de como ela recebeu a cura de tireóide depois de receber a bênção da garganta no ano passado. Outras duas senhoras da paróquia também afirmaram terem sido curadas de doenças de garganta depois da benção.
A benção
No final de cada missa os fiéis receberam a benção da garganta. Os padres, diáconos e o bispo colocavam duas velas na garganta enquanto proferiam a oração de São Brás. "Por intercessão de São Brás, bispo e mártir, livre-te Deus do mal da garganta e de qualquer outra doença". Após a missa das 09hs, os fiéis se reuniram no salão paroquial para partilhar um almoço em honra do Padroeiro.
Oração a são Brás (Protetor contra as doenças da garganta).
Ó glorioso São Brás,
que restituístes com uma breve oração
a perfeita saúde a um menino que,
por uma espinha de peixe atravessada na garganta,
estava prestes a expirar,
obtende para nós todos
a graça de experimentarmos
a eficácia do vosso patrocínio
em todos os males da garganta.
Conservai a nossa garganta sã e perfeita
para que possamos falar corretamente
e assim proclamar
e cantar os louvores de Deus. Amém
Fonte: Missionários da Consolata, AMV- Salvador
22/01/2012
Encontro Nacional da Pastoral da Juventude revisita o Concílio Vaticano II - Jaime C. Patias
É tempo de recuperar fios de memórias que leve denovo a juventude a ser sujeita de projetos" (Pe. Vilson Groh).
O 4º dia do 10º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude - ENPJ, que acontece desde o dia 8 de janeiro na cidade de Maringá, PR, focou sua atenção, nesta quarta-feira (11), nos 50 anos do Concílio Vaticano II convocado pelo Papa João XXIII e realizado entre os anos 1962 e 1965.
Dom Sinésio Bohn, bispo emérito de Santa Cruz do Sul, RS, que viveu em Roma todo o tempo do Concílio, lembrou que na época a Igreja andava um tanto cansada, teólogos queriam mais vitalidade, todos pediam uma renovação. Na Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB, dom Sinésio foi o bispo responsável pelos setores do Ecumenismo, do Diálogo Interreligioso e da Pastoral da Juventude durante os anos de 1983 a 1990. De 1992 a 1995 foi também o Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC).
O bispo destacou alguns frutos do Concílio para o setor da juventude como a criação dos movimentos jovens, a organização dos assessores, o Congresso Latino Americano de Jovens, o Dia Nacional da Juventude. "Era um tempo de imensa criatividade e os jovens estavam ansiosos para falar. Foi um tempo necessário depois da morte da Ação Católica quando os jovens não tinham mais espaço nem voz na Igreja", lembrou. Dom Sinésio foi também assessor da Pastoral Operária que criou muitas lideranças políticas e sindicais como o ministro Gilberto Carvalho, o ex-presidente Lula e o senador Paulo Paim, entre outros. Para ele "é preciso dar atenção aos jovens e investir neles, senão a Igreja vai acabar inútil como o sal que não salga, cheia de gente velha sem esperança".
Maicon Malacarne, recém ordenado padre e assessor da PJ da diocese de Erechim, RS, relatou sua experiência como alguém que nasceu 25 anos após a realização do Concílio. O padre fez sua partilha utilizando três imagens: uma janela aberta para o mundo, imagem da Igreja que se abre para a realidade e respira novos ares; um menino representando a esperança, a exemplo de Jesus que nasce; e um olhar novo. A seguir, padre Maicon convidou os jovens a ajudá-lo olhar a realidade e destacou três características do Concílio. 1) o "aggiornamento" - renovação; 2) Igreja Povo de Deus, como categoria central; e 3) a dimensão dos sinais dos tempos à luz da Palavra.
Saiba mais: Participantes do Encontro Nacional da Pastoral da Juventude são enviados em Missão
Na terceira exposição, padre Vilson Groh, que atua na periferia da Grande Florianópolis, idealizador do Projeto Travessia dedicado a resgatar jovens do tráfico, fez uma explanação histórica e traçou um paralelo entre a realização do Concílio e os documentos das Conferências Latino-americanas e caribenhas de Medellin (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007).
Padre Vilson é filho de operário das fábricas de Busque, SC. "Vivi a geração de Puebla e dos movimentos da clandestinidade, (anos 60 e 70) e pós-clandistinidade dos anos 80. É justamente nesse contexto que o Concílio Vaticano II se tornou concreto no Documento de Medellin, na formação das CEBs que vivem luzes e sombras", explicou.
Recordou também o que significou a Ação Católica enquanto luta e compromisso de tornar o Reino de Deus uma perspectiva de vida. "Depois veio a dimensão de sombra, nos anos 60, com o golpe militar e que reacende nos anos 70 com o Documento de Puebla na opção preferencial pela juventude e pelos empobrecidos. São documentos que precisamos ter como livros de cabeceiras para entender os sinais dos tempos e como Deus se manifesta nas luzes e sombras em nosso contiente e nossa Igreja", sublinhou padre Vilson.
Para o assessor é preciso entender a importância do conceito "Igreja Povo de Deus", para saber o que é "Igreja Comunhão", destaque no Documento de Santo Domingo. Ao comentar sobre o Documento de Aparecida, padre Vilson lembrou que este reafirma a Juventude, o laicato, as CEBs, a opção pelos pobres e traz a beleza que é ser discípulo missionário. "Seguir Jesus implica em seguir as suas causas, as bandeiras de Jesus e também olhar para Nazaré e para a Galileia. Significa olhar para a juventude que está sendo assassinada neste país. De 2006 a 2013 nós vamos perder 37.560 jovens assassinados. Eu vivo há 30 anos nas áreas de periferias da grande Florianópolis. No ano de 2000 fiz 80 funerais de morte violenta. A partir desse situação produzida por um sistema que mata a nossa juventude começamos a desencadear um movimento de desarmamanto.
Aqui gostaria de dizer o que significa olhar o Vaticano II como luzes e sombras. O que essa juventude invisível nas periferias das grandes capitais diz para a Igreja. Não é tempo de triunfalismo, de saudosismo. É tempo de recuperar fios de memórias que leve denovo a juventude a ser sujeita de projetos, de controle social, de relacionar fé com a questão pública, fé com as questões políticas e sociais. Não podemos viver num país com os olhos fechados achando que não vivemos uma guerra civil".
"Qual é o grito?" perguntou padre Vilson, e respondeu: "é o grito do jovem cruscificado. Precisamos recuperar essa realidade da juventude para a formação de políticas públicas. Mergulhar nessa realidade é o meu encantamento, porque a causa dos empobrecisdos é a causa de Deus, é a causa de Jesus, a causa dos empobrecidos que agente tem de adentrar para pensar projetos alternativos. Não podemos ficar apenas lendo a bíblia e se encontrando mas dar razões à nossa esperança gerando projetos reais para a juventude".
Com essa motivação, padre Vilson liderou, em Florianópolis, a cração de projetos de formação de jovens universitários e de desarmamento de quadrilhas. O assessor mostou um video sobre jovens que deixaram o narco-tráfico e criaram o movimento "Um novo caminho". Em seguida, conclamou os jovens a se inserirem na realidade, a estudar muito e a serem articuladores de processos de transformação.
O Encontro acontece no Centro de Formação Bom Pastor, anexo ao Seminário Arquidiocesano e conta com a participação de mais de 600 jovens entre coordenadores, líderes e assessores dos 17 regionais. O encerramento será na tarde deste sábado (14) com uma Marcha Contra a Violência e o Extermínio de Jovens que percorrerá as ruas de Maringá.
Assista ao vídeo do 4º dia do ENJ
Fonte: Revista Missões
O 4º dia do 10º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude - ENPJ, que acontece desde o dia 8 de janeiro na cidade de Maringá, PR, focou sua atenção, nesta quarta-feira (11), nos 50 anos do Concílio Vaticano II convocado pelo Papa João XXIII e realizado entre os anos 1962 e 1965.
Dom Sinésio Bohn, bispo emérito de Santa Cruz do Sul, RS, que viveu em Roma todo o tempo do Concílio, lembrou que na época a Igreja andava um tanto cansada, teólogos queriam mais vitalidade, todos pediam uma renovação. Na Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB, dom Sinésio foi o bispo responsável pelos setores do Ecumenismo, do Diálogo Interreligioso e da Pastoral da Juventude durante os anos de 1983 a 1990. De 1992 a 1995 foi também o Presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC).
O bispo destacou alguns frutos do Concílio para o setor da juventude como a criação dos movimentos jovens, a organização dos assessores, o Congresso Latino Americano de Jovens, o Dia Nacional da Juventude. "Era um tempo de imensa criatividade e os jovens estavam ansiosos para falar. Foi um tempo necessário depois da morte da Ação Católica quando os jovens não tinham mais espaço nem voz na Igreja", lembrou. Dom Sinésio foi também assessor da Pastoral Operária que criou muitas lideranças políticas e sindicais como o ministro Gilberto Carvalho, o ex-presidente Lula e o senador Paulo Paim, entre outros. Para ele "é preciso dar atenção aos jovens e investir neles, senão a Igreja vai acabar inútil como o sal que não salga, cheia de gente velha sem esperança".
Maicon Malacarne, recém ordenado padre e assessor da PJ da diocese de Erechim, RS, relatou sua experiência como alguém que nasceu 25 anos após a realização do Concílio. O padre fez sua partilha utilizando três imagens: uma janela aberta para o mundo, imagem da Igreja que se abre para a realidade e respira novos ares; um menino representando a esperança, a exemplo de Jesus que nasce; e um olhar novo. A seguir, padre Maicon convidou os jovens a ajudá-lo olhar a realidade e destacou três características do Concílio. 1) o "aggiornamento" - renovação; 2) Igreja Povo de Deus, como categoria central; e 3) a dimensão dos sinais dos tempos à luz da Palavra.
Saiba mais: Participantes do Encontro Nacional da Pastoral da Juventude são enviados em Missão
Na terceira exposição, padre Vilson Groh, que atua na periferia da Grande Florianópolis, idealizador do Projeto Travessia dedicado a resgatar jovens do tráfico, fez uma explanação histórica e traçou um paralelo entre a realização do Concílio e os documentos das Conferências Latino-americanas e caribenhas de Medellin (1968), Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007).
Padre Vilson é filho de operário das fábricas de Busque, SC. "Vivi a geração de Puebla e dos movimentos da clandestinidade, (anos 60 e 70) e pós-clandistinidade dos anos 80. É justamente nesse contexto que o Concílio Vaticano II se tornou concreto no Documento de Medellin, na formação das CEBs que vivem luzes e sombras", explicou.
Recordou também o que significou a Ação Católica enquanto luta e compromisso de tornar o Reino de Deus uma perspectiva de vida. "Depois veio a dimensão de sombra, nos anos 60, com o golpe militar e que reacende nos anos 70 com o Documento de Puebla na opção preferencial pela juventude e pelos empobrecidos. São documentos que precisamos ter como livros de cabeceiras para entender os sinais dos tempos e como Deus se manifesta nas luzes e sombras em nosso contiente e nossa Igreja", sublinhou padre Vilson.
Para o assessor é preciso entender a importância do conceito "Igreja Povo de Deus", para saber o que é "Igreja Comunhão", destaque no Documento de Santo Domingo. Ao comentar sobre o Documento de Aparecida, padre Vilson lembrou que este reafirma a Juventude, o laicato, as CEBs, a opção pelos pobres e traz a beleza que é ser discípulo missionário. "Seguir Jesus implica em seguir as suas causas, as bandeiras de Jesus e também olhar para Nazaré e para a Galileia. Significa olhar para a juventude que está sendo assassinada neste país. De 2006 a 2013 nós vamos perder 37.560 jovens assassinados. Eu vivo há 30 anos nas áreas de periferias da grande Florianópolis. No ano de 2000 fiz 80 funerais de morte violenta. A partir desse situação produzida por um sistema que mata a nossa juventude começamos a desencadear um movimento de desarmamanto.
Aqui gostaria de dizer o que significa olhar o Vaticano II como luzes e sombras. O que essa juventude invisível nas periferias das grandes capitais diz para a Igreja. Não é tempo de triunfalismo, de saudosismo. É tempo de recuperar fios de memórias que leve denovo a juventude a ser sujeita de projetos, de controle social, de relacionar fé com a questão pública, fé com as questões políticas e sociais. Não podemos viver num país com os olhos fechados achando que não vivemos uma guerra civil".
"Qual é o grito?" perguntou padre Vilson, e respondeu: "é o grito do jovem cruscificado. Precisamos recuperar essa realidade da juventude para a formação de políticas públicas. Mergulhar nessa realidade é o meu encantamento, porque a causa dos empobrecisdos é a causa de Deus, é a causa de Jesus, a causa dos empobrecidos que agente tem de adentrar para pensar projetos alternativos. Não podemos ficar apenas lendo a bíblia e se encontrando mas dar razões à nossa esperança gerando projetos reais para a juventude".
Com essa motivação, padre Vilson liderou, em Florianópolis, a cração de projetos de formação de jovens universitários e de desarmamento de quadrilhas. O assessor mostou um video sobre jovens que deixaram o narco-tráfico e criaram o movimento "Um novo caminho". Em seguida, conclamou os jovens a se inserirem na realidade, a estudar muito e a serem articuladores de processos de transformação.
O Encontro acontece no Centro de Formação Bom Pastor, anexo ao Seminário Arquidiocesano e conta com a participação de mais de 600 jovens entre coordenadores, líderes e assessores dos 17 regionais. O encerramento será na tarde deste sábado (14) com uma Marcha Contra a Violência e o Extermínio de Jovens que percorrerá as ruas de Maringá.
Assista ao vídeo do 4º dia do ENJ
Fonte: Revista Missões
03/01/2012
Na Bahia o ano começa com festa dos navegantes - Michael Mutinda, Imc.
“... a festa haverá e o povo a cantar aleluia; terminou uma, começa outra.
Está chegando ai mais uma maior ainda – a lavagem do bom fim!”,
Geisa Maria, devota a Senhor do Bomfim.
A imagem do Senhor Bom Jesus dos navegantes foi recebida com festa neste domingo do ano novo de 2012, na praia da boa viagem. À tarde, a Galeota Gratidão do povo foi saudada por trezenas de fieis. A multidão que esperava a procissão marítima desde as primeiras horas da manhã do ano novo, cantava jubilosos hinos religiosos e populares, batia palmas e gritava gloria. O celebre encontro das imagens do Senhor Bom Jesus dos navegantes e de Nossa Senhora da Boa viagem aconteceu por volta das 13horas.
A tradição e ritual.
A Galeota Gratidão do Povo desceu ao mar a manhã de sábado (31), último dia do ano, em um ritual de muita fé por parte dos devotos de Bom Jesus dos Navegantes. Bom numero de homens ajudou a colocar a embarcação nas águas da Baía de Todos os Santos, na praia da Boa Viagem, na Cidade Baixa, em Salvador. Às 16h do sábado, o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, presidiu a missa na Igreja da Boa Viagem e às 17h30 a imagem de Bom Jesus seguiu de lá para o porto de Salvador. Depois, uma procissão terrestre levou a imagem até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia.
Tirar a galeota Gratidão do Povo do galpão onde esteve guardada durante todo o ano, na Igreja da Boa Viagem, é o primeiro passo para a tradicional festa realizada no primeiro dia do ano. A imagem de Bom Jesus dos Navegantes, o grande homenageado, é levada na embarcação até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio. No domingo, a imagem retorna à Boa Viagem em uma procissão marítima que atrai milhares de baianos fiéis e turistas que se encantam com a devoção a Bom Jesus dos Navegantes.
As memórias...
Falando com a dona Geisa Maria, devota a Senhor do Bomfim, nos disse que a origem da procissão marítima do Bom Jesus dos Navegantes, como a de outras festas populares, é imprecisa. Acredita-se que remonta ao século XVIII, época em que o tráfico de escravos negros vindos da África e o comércio marítimo com o oriente eram intensos. Os infortúnios das longas viagens, como as doenças e os ataques dos navios piratas, levaram os marinheiros a buscar a proteção divina do Bom Jesus dos Navegantes, dando início a uma das mais tradicionais festas religiosas da Bahia.
A celebração, explicou ela, cujos preparativos têm início no dia 27 de dezembro, finalizando no primeiro domingo após o dia primeiro de janeiro com uma missa e procissão terrestre, tem seu ápice no primeiro dia do ano novo, quando ocorre a procissão marítima com procissão marítima e entrega de presentes pelos pescadores na Galeota do Senhor dos Navegantes. Toda a encenação, envolvendo personagens e locais sagrados relembram os dramas litúrgicos, iniciados na idade média. Particularmente na Festa do Bom Jesus dos Navegantes identificamos duas personagens – Jesus e Maria – representadas por três imagens distintas: O Bom Jesus dos Navegantes, Nossa Senhora da Boa Viagem e Nossa Senhora da Conceição da Praia. O culto envolve ainda duas importantes igrejas, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Igreja da Boa Viagem, além da Galeota Gratidão do Povo que faz o percurso marítimo transportando a imagem do Bom Jesus.
Está chegando ai mais uma maior ainda – a lavagem do bom fim!”,
Geisa Maria, devota a Senhor do Bomfim.
A imagem do Senhor Bom Jesus dos navegantes foi recebida com festa neste domingo do ano novo de 2012, na praia da boa viagem. À tarde, a Galeota Gratidão do povo foi saudada por trezenas de fieis. A multidão que esperava a procissão marítima desde as primeiras horas da manhã do ano novo, cantava jubilosos hinos religiosos e populares, batia palmas e gritava gloria. O celebre encontro das imagens do Senhor Bom Jesus dos navegantes e de Nossa Senhora da Boa viagem aconteceu por volta das 13horas.
A tradição e ritual.
A Galeota Gratidão do Povo desceu ao mar a manhã de sábado (31), último dia do ano, em um ritual de muita fé por parte dos devotos de Bom Jesus dos Navegantes. Bom numero de homens ajudou a colocar a embarcação nas águas da Baía de Todos os Santos, na praia da Boa Viagem, na Cidade Baixa, em Salvador. Às 16h do sábado, o arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, presidiu a missa na Igreja da Boa Viagem e às 17h30 a imagem de Bom Jesus seguiu de lá para o porto de Salvador. Depois, uma procissão terrestre levou a imagem até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia.
Tirar a galeota Gratidão do Povo do galpão onde esteve guardada durante todo o ano, na Igreja da Boa Viagem, é o primeiro passo para a tradicional festa realizada no primeiro dia do ano. A imagem de Bom Jesus dos Navegantes, o grande homenageado, é levada na embarcação até a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no bairro do Comércio. No domingo, a imagem retorna à Boa Viagem em uma procissão marítima que atrai milhares de baianos fiéis e turistas que se encantam com a devoção a Bom Jesus dos Navegantes.
As memórias...
Falando com a dona Geisa Maria, devota a Senhor do Bomfim, nos disse que a origem da procissão marítima do Bom Jesus dos Navegantes, como a de outras festas populares, é imprecisa. Acredita-se que remonta ao século XVIII, época em que o tráfico de escravos negros vindos da África e o comércio marítimo com o oriente eram intensos. Os infortúnios das longas viagens, como as doenças e os ataques dos navios piratas, levaram os marinheiros a buscar a proteção divina do Bom Jesus dos Navegantes, dando início a uma das mais tradicionais festas religiosas da Bahia.
A celebração, explicou ela, cujos preparativos têm início no dia 27 de dezembro, finalizando no primeiro domingo após o dia primeiro de janeiro com uma missa e procissão terrestre, tem seu ápice no primeiro dia do ano novo, quando ocorre a procissão marítima com procissão marítima e entrega de presentes pelos pescadores na Galeota do Senhor dos Navegantes. Toda a encenação, envolvendo personagens e locais sagrados relembram os dramas litúrgicos, iniciados na idade média. Particularmente na Festa do Bom Jesus dos Navegantes identificamos duas personagens – Jesus e Maria – representadas por três imagens distintas: O Bom Jesus dos Navegantes, Nossa Senhora da Boa Viagem e Nossa Senhora da Conceição da Praia. O culto envolve ainda duas importantes igrejas, a Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia e a Igreja da Boa Viagem, além da Galeota Gratidão do Povo que faz o percurso marítimo transportando a imagem do Bom Jesus.
17/12/2011
A África gera três novos missionários da Consolata no Brasil, para o mundo! - Por Revista missões
Na Igreja, desde o início, muitos homens e mulheres seguiram a Cristo na pobreza, castidade e obediência. Surge uma diversidade de dons para responder aos desafios nas diferentes épocas e culturas. Em termos de vocações para o trabalho de evangelização, a África mostra a sua força. Exemplo disso aconteceu na Bahia, no início de dezembro de 2011, quando mais três jovens missionários da Consolata africanos foram ordenados diáconos em vista do sacerdócio. Trata-se de James Mwaura Mbugua e Michael Mutinda (quenianos), e Jacques Kwangala Mboma (congolês). Os três estudaram teologia em São Paulo e encontram-se na Bahia para trabalhos pastorais.
No sertão baiano
No dia 3 de dezembro, James Mwaura Mbugua foi ordenado diácono, pelas mãos de dom Francisco Canindé Palhano, bispo de Bonfim. A celebração aconteceu na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Monte Santo, no sertão baiano onde, no dia anterior, James fizera a profissão perpétua na presença do padre Elio Rama, Superior Regional dos missionários da Consolata no Brasil.
James nasceu no dia 30 de setembro de 1977 em Eldoret, Quênia. Filho de George Mbugua e Margaret Njoki, entrou no seminário diocesano em 1994 e concluiu o ensino médio em 1998. Nessa altura, sentiu o chamado de Deus para ser missionário, mas não sabia em qual congregação. Foi quando, uma noite, encontrou na biblioteca a revista The Seed (A Semente), publicada pelos missionários da Consolata no Quênia. A edição trazia endereços de diferentes institutos. Gostou do nome "Consolata". James escreveu para o responsável da Animação Vocacional, padre Atilio Lerda. Ao terminar os estudos, trabalhou por dois anos numa empresa, enquanto continuava o diálogo com o missionário. Em 2001, ingressou no Instituto Missões Consolata, fez o Propedêutico e a Filosofia em Nairóbi. O Noviciado foi em Sagana, concluído com a primeira profissão religiosa em 2006. Em seguida, veio ao Brasil e em São Paulo, estudou Teologia, de 2007 a 2010. Ao concluir, foi enviado a Monte Santo, Bahia, onde se encontra até agora.
"Sinto-me realizado com a missão que realizo. O que estou vivendo é um chamado que tem a sua identidade no seguimento radical de Cristo, o qual respondo na liberdade através da vivência dos conselhos evangélicos: pobreza, castidade e obediência, como expressão da minha plena doação a Deus e aos irmãos e irmãs", explicou o diácono James. "A resposta positiva foi minha. Deus me chamou porque quis contar comigo para continuar a sua missão e o seu projeto", destacou. "O que me realiza no caminho que percorri até aqui é sentir-me amado por Deus, em comunhão com Ele e a serviço do Reino. Eu dou a minha vida livremente para o bem maior que é o Reino de Deus", sublinhou. "Deus me chama, me consagra e envia. É uma experiência tão forte e íntima com o amor gratuito de Deus que devo responder com dedicação incondicional, colocando tudo, presente e futuro, nas mãos Dele", concluiu.
Em Salvador
Uma semana mais tarde, no dia 10 de dezembro de 2011, a matriz da Paróquia São Brás na Plataforma, em Salvador, reuniu missionários e missionárias da Consolata e de outras congregações, inúmeros fiéis católicos e de outras religiões, para uma celebração especial na qual Jacques Mboma (congolês) e Michael Mutinda (queniano), fizeram os votos perpétuos na família Consolata. A celebração contou com a presença do Superior Regional, padre Elio Rama. No dia 11 de dezembro, a Praça São Brás lotou para a ordenação diaconal dos dois jovens, realizada pela imposição das mãos do dom Gregório Paixão, OSB, bispo auxiliar da arquidiocese de Salvador. "Para serem felizes como diáconos e missionários, sejam fiéis ao sonho do vosso fundador, o Bem-aventurado José Allamano, que dizia: ‘primeiros santos, depois missionários", lembrou o bispo. A paróquia se preparou com um tríduo de orações e uma vigília vocacional. Padre Elio Rama agradeceu a comunidade por ter acompanhado os dois jovens. "A vocação missionária é um dom de Deus para a humanidade".
O percurso
Jacques K. Mboma nasceu na cidade de Pindi Mission, República Democrática do Congo. É filho de Kwangala Stanislas e Minianga Florence. Ele conta que sentiu o chamado desde pequeno quando conheceu os missionários da Consolata que trabalhavam na sua diocese. Através do testemunho desses homens e mulheres, sentiu-se impulsionado a doar sua vida para a Missão, entre outros povos mundo afora. Ingressou no Seminário da Consolata no ano 2001 e estudou Filosofia no Congo. Em 2005 fez o Noviciado em Moçambique, onde emitiu sua primeira profissão religiosa. Veio ao Brasil em 2006 para estudar Teologia em São Paulo.
Desde 2010, Jacques se encontra na Paróquia São Brás, em Salvador, atuando na pastoral afro e na animação missionária e vocacional. "Dediquei-me ao trabalho de conscientização, inclusão social e de luta contra os preconceitos e discriminação racial. Hoje, sou feliz pelo dom da vocação missionária e vida consagrada", afirmou. Jacques deu sua resposta generosa e definitiva a Deus, iluminado pelas palavras do Apóstolo Paulo: "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração" (Rom. 12.12).
Michael Mutinda nasceu na cidade de Kaumoni, no Quênia. É filho de Susan Mwikali e Killian Munyw´oki. Entrou na família Consolata em 2001 e fez os estudos filosóficos em Nairóbi. Terminado o ano de Noviciado, fez a sua primeira profissão aos 15 de julho de 2006, em Sagana, Quênia e no mesmo ano veio ao Brasil onde cursou Teologia em São Paulo. Ao longo de 2011 prestou serviços missionários na Paróquia São Brás, em Salvador, onde se dedica, entre outras, à Pastoral da Juventude. Sua inspiração vem do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fl. 4,13). Michael reconhece também o papel de sua mãe no nascimento da vocação. Conta que ela gostava muito de acolher crianças com poucas oportunidades. Conheceu os missionários da Consolata através da revista The Seed (A Semente), publicada pela congregação no Quênia, e quis se tornar missionário para continuar o que aprendeu com a sua mãe, num sentido mais amplo, mundo afora. Michael é membro da equipe de redação da revista Missões onde é responsável pela página sobre a África.
A Missão desafia
Perguntado como se sentia ao doar a sua vida para a Missão, Michael afirmou existir na vida cristã, "um aspecto que constitui o núcleo capaz de colorir o interior da pessoa que crê: a vocação missionária e religiosa. Entendemos por vocação missionária a resposta à vontade de Deus para cada batizado/a que se dá com toda a inteligência, coração e vontade e com toda a vida, presente e futura. Entretanto, é preciso estar aberto à ação de Deus, reorganizar a vida interior e começar pela conversão, discernir segundo o espírito do Mestre", explicou o diácono.
Em breve, os três diáconos serão ordenados padres nos seus respectivos países e receberão a destinação para trabalhar em uma das missões que a congregação tem no mundo. "Esperamos ser fiéis no testemunho de vida evangélica, presença comunitária, oração e compromisso apostólico para viver a Missão seja onde for; no Brasil, no Congo, no Quênia ou em outros países. A nossa expectativa maior é podermos anunciar a glória de Deus a todas as nações", destacou.
Fundados em 1901 pelo Bem-Aventurado José Allamano em Turim, Itália, os missionários da Consolata contam hoje com cerca de mil membros atuando em 21 países na África, Ásia, Europa e América.
* Colaboraram Natália de Jesus, da Pastoral da Juventude e Jandira Maria de Souza, da Pastoral Afro, ambas da Paróquia São Brás, Salvador, BA.
Fonte: Revista Missões
No sertão baiano
No dia 3 de dezembro, James Mwaura Mbugua foi ordenado diácono, pelas mãos de dom Francisco Canindé Palhano, bispo de Bonfim. A celebração aconteceu na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Monte Santo, no sertão baiano onde, no dia anterior, James fizera a profissão perpétua na presença do padre Elio Rama, Superior Regional dos missionários da Consolata no Brasil.
James nasceu no dia 30 de setembro de 1977 em Eldoret, Quênia. Filho de George Mbugua e Margaret Njoki, entrou no seminário diocesano em 1994 e concluiu o ensino médio em 1998. Nessa altura, sentiu o chamado de Deus para ser missionário, mas não sabia em qual congregação. Foi quando, uma noite, encontrou na biblioteca a revista The Seed (A Semente), publicada pelos missionários da Consolata no Quênia. A edição trazia endereços de diferentes institutos. Gostou do nome "Consolata". James escreveu para o responsável da Animação Vocacional, padre Atilio Lerda. Ao terminar os estudos, trabalhou por dois anos numa empresa, enquanto continuava o diálogo com o missionário. Em 2001, ingressou no Instituto Missões Consolata, fez o Propedêutico e a Filosofia em Nairóbi. O Noviciado foi em Sagana, concluído com a primeira profissão religiosa em 2006. Em seguida, veio ao Brasil e em São Paulo, estudou Teologia, de 2007 a 2010. Ao concluir, foi enviado a Monte Santo, Bahia, onde se encontra até agora.
"Sinto-me realizado com a missão que realizo. O que estou vivendo é um chamado que tem a sua identidade no seguimento radical de Cristo, o qual respondo na liberdade através da vivência dos conselhos evangélicos: pobreza, castidade e obediência, como expressão da minha plena doação a Deus e aos irmãos e irmãs", explicou o diácono James. "A resposta positiva foi minha. Deus me chamou porque quis contar comigo para continuar a sua missão e o seu projeto", destacou. "O que me realiza no caminho que percorri até aqui é sentir-me amado por Deus, em comunhão com Ele e a serviço do Reino. Eu dou a minha vida livremente para o bem maior que é o Reino de Deus", sublinhou. "Deus me chama, me consagra e envia. É uma experiência tão forte e íntima com o amor gratuito de Deus que devo responder com dedicação incondicional, colocando tudo, presente e futuro, nas mãos Dele", concluiu.
Em Salvador
Uma semana mais tarde, no dia 10 de dezembro de 2011, a matriz da Paróquia São Brás na Plataforma, em Salvador, reuniu missionários e missionárias da Consolata e de outras congregações, inúmeros fiéis católicos e de outras religiões, para uma celebração especial na qual Jacques Mboma (congolês) e Michael Mutinda (queniano), fizeram os votos perpétuos na família Consolata. A celebração contou com a presença do Superior Regional, padre Elio Rama. No dia 11 de dezembro, a Praça São Brás lotou para a ordenação diaconal dos dois jovens, realizada pela imposição das mãos do dom Gregório Paixão, OSB, bispo auxiliar da arquidiocese de Salvador. "Para serem felizes como diáconos e missionários, sejam fiéis ao sonho do vosso fundador, o Bem-aventurado José Allamano, que dizia: ‘primeiros santos, depois missionários", lembrou o bispo. A paróquia se preparou com um tríduo de orações e uma vigília vocacional. Padre Elio Rama agradeceu a comunidade por ter acompanhado os dois jovens. "A vocação missionária é um dom de Deus para a humanidade".
O percurso
Jacques K. Mboma nasceu na cidade de Pindi Mission, República Democrática do Congo. É filho de Kwangala Stanislas e Minianga Florence. Ele conta que sentiu o chamado desde pequeno quando conheceu os missionários da Consolata que trabalhavam na sua diocese. Através do testemunho desses homens e mulheres, sentiu-se impulsionado a doar sua vida para a Missão, entre outros povos mundo afora. Ingressou no Seminário da Consolata no ano 2001 e estudou Filosofia no Congo. Em 2005 fez o Noviciado em Moçambique, onde emitiu sua primeira profissão religiosa. Veio ao Brasil em 2006 para estudar Teologia em São Paulo.
Desde 2010, Jacques se encontra na Paróquia São Brás, em Salvador, atuando na pastoral afro e na animação missionária e vocacional. "Dediquei-me ao trabalho de conscientização, inclusão social e de luta contra os preconceitos e discriminação racial. Hoje, sou feliz pelo dom da vocação missionária e vida consagrada", afirmou. Jacques deu sua resposta generosa e definitiva a Deus, iluminado pelas palavras do Apóstolo Paulo: "Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração" (Rom. 12.12).
Michael Mutinda nasceu na cidade de Kaumoni, no Quênia. É filho de Susan Mwikali e Killian Munyw´oki. Entrou na família Consolata em 2001 e fez os estudos filosóficos em Nairóbi. Terminado o ano de Noviciado, fez a sua primeira profissão aos 15 de julho de 2006, em Sagana, Quênia e no mesmo ano veio ao Brasil onde cursou Teologia em São Paulo. Ao longo de 2011 prestou serviços missionários na Paróquia São Brás, em Salvador, onde se dedica, entre outras, à Pastoral da Juventude. Sua inspiração vem do Apóstolo Paulo: "Tudo posso naquele que me fortalece" (Fl. 4,13). Michael reconhece também o papel de sua mãe no nascimento da vocação. Conta que ela gostava muito de acolher crianças com poucas oportunidades. Conheceu os missionários da Consolata através da revista The Seed (A Semente), publicada pela congregação no Quênia, e quis se tornar missionário para continuar o que aprendeu com a sua mãe, num sentido mais amplo, mundo afora. Michael é membro da equipe de redação da revista Missões onde é responsável pela página sobre a África.
A Missão desafia
Perguntado como se sentia ao doar a sua vida para a Missão, Michael afirmou existir na vida cristã, "um aspecto que constitui o núcleo capaz de colorir o interior da pessoa que crê: a vocação missionária e religiosa. Entendemos por vocação missionária a resposta à vontade de Deus para cada batizado/a que se dá com toda a inteligência, coração e vontade e com toda a vida, presente e futura. Entretanto, é preciso estar aberto à ação de Deus, reorganizar a vida interior e começar pela conversão, discernir segundo o espírito do Mestre", explicou o diácono.
Em breve, os três diáconos serão ordenados padres nos seus respectivos países e receberão a destinação para trabalhar em uma das missões que a congregação tem no mundo. "Esperamos ser fiéis no testemunho de vida evangélica, presença comunitária, oração e compromisso apostólico para viver a Missão seja onde for; no Brasil, no Congo, no Quênia ou em outros países. A nossa expectativa maior é podermos anunciar a glória de Deus a todas as nações", destacou.
Fundados em 1901 pelo Bem-Aventurado José Allamano em Turim, Itália, os missionários da Consolata contam hoje com cerca de mil membros atuando em 21 países na África, Ásia, Europa e América.
* Colaboraram Natália de Jesus, da Pastoral da Juventude e Jandira Maria de Souza, da Pastoral Afro, ambas da Paróquia São Brás, Salvador, BA.
Fonte: Revista Missões
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