A luta pela água é questão de vida no semiárido nordestino.
As previsões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, para o Nordeste brasileiro não eram animadoras: a região seria atingida por uma grande seca, que se estenderia de 2006 a 2011. Infelizmente, elas se confirmaram, este período já terminou e dos quase 400 municípios da Bahia, 186 já decretaram estado de emergência.
Para conviver com o semiárido, padre Vidal Moratelli, missionário da Consolata que há 20 anos enfrenta a questão da água nos municípios de Jaguarari e Monte Santo, a 300 km de Salvador, BA, vê a necessidade de ultrapassar a mentalidade da dependência tanto religiosa, quanto política. "O povo da região da seca, de tanto sofrimento e derrota com a plantação e criação de animais, e enganado pelas promessas de políticos, se tornou manso - vive conformado com a situação. Isso tira a capacidade de organização e manifestação pública". O padre observa que a expressão mais usada é: "se Deus quiser, vai chover". Para ele, outro provérbio seria mais adequado: "Deus ajuda a quem se ajuda". Isso para explicar que Deus ajuda com a chuva, "mas se o povo quiser enfrentar a situação, deve usar a inteligência para desenvolver projetos e exigir seus direitos a fim de que o poder público cumpra com os seus deveres".
Hoje existem muito mais recursos do que em outras épocas, tais como a aposentadoria dos camponeses, as cisternas, o Bolsa Família, Bolsa Escola, Bolsa Safra, a energia elétrica com o Programa Luz Para Todos, entre outros. A situação é grave, mas não é mais uma tragédia como antigamente, quando muitos abandonavam o campo. Por outro lado, esses benefícios podem acomodar o povo que não exige mudanças estruturais para soluções permanentes. Especialistas afirmam que acabar com a seca é quase impossível. Então, a melhor maneira é conviver com o semiárido que tem uma média de chuvas que varia entre 300 e 750 mm ao ano.
A missão da Igreja é defender a vida
A Paróquia São João Batista, em Jaguarari, tem 80 comunidades e desde 1996, conta com a presença dos missionários e das missionárias da Consolata. Naquela região já foram perfurados centenas de poços. São dezenas de quilômetros de tubos condutores. Além disso, o Centro Cultural da paróquia já construiu mais de 800 cisternas para produção e consumo humano. A equipe missionária conta hoje com três padres e quatro irmãs. Os projetos iniciados pelo padre Vidal continuam através do Centro Cultural e da prefeitura. Para coordená-los foram criadas 45 associações locais ligadas a uma Central de Associações em Jacobina, que dá assistência técnica.
Com mais de 140 comunidades, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Monte Santo é assistida pelos missionários da Consolata desde 1991. Hoje trabalham lá três padres e um diácono. Um dos objetivos da ação pastoral envolve a questão da água. Especialista em prospecção no subsolo, Moratelli é conhecido como o "padre da água". O religioso explica que a região se encontra num sistema de semiárido provocado pelo ser humano que desmatou sem controle. O processo de desertificação está num estágio em que a natureza sozinha não pode se recuperar. Mesmo que chova até 700 mm anuais o solo não retém a água. Na opinião do padre é urgente "armazenar a água nos períodos chuvosos e construir barreiros, espécie de pequenos açudes, para os animais". Sugere ainda que, em todos os povoados "o governo invista em poços artesianos e transforme a água salobra em água potável, através de aparelhos dessalinizadores, com a colaboração da comunidade. Para isso, se poderia adotar um cartão eletrônico onde cada um pagaria pela quantidade de água processada". Além disso, cada fazenda de gado deveria ter seu poço artesiano para o rebanho. "Esse investimento valorizaria a propriedade e salvaria o gado", avalia.
Leia também:
Dionísia: mulher forte do Sertão
A Santa Cruz e a devoção nordestina
Trabalho em todas as frentes
O Aquífero Tucano, segundo maior do Brasil, está a 100 km de Monte Santo. O apelo das comunidades é que o governo invista num projeto de água potável seguro e permanente como ponto de referência com adutoras para abastecer a cidade e os povoados. "Isso evitaria que a água, que é vida para o ser humano e os animais, se tornasse fonte de doença, como vem ocorrendo no momento. A água que é trazida atualmente é imprópria para o consumo", alerta padre Vidal. "A notícia sobre o número de municípios em estado de emergência parece um triunfo, ou ocasião para receber verbas milionárias, em vez de ser vista como uma vergonha pela falta de organização e interesse em evitar situações críticas que se repetem ano após ano. Enquanto uns carregam imagens para o altar do sertão, outros cá embaixo no bem público passam a mão", afirma indignado.
A eletrificação rural foi um grande acerto do governo. A energia beneficiou o campo e aqueceu o comércio. "Por que a questão da água no campo não é tratada com a mesma organização e seriedade?", questiona padre Vidal e complementa: "acontece que a seca continua sendo um trunfo para a promoção de políticos que administram carros-pipas em troca de poder. O investimento do governo aboliria o carro-pipa, o que para os políticos locais seria um péssimo negócio à indústria da seca", conclui.
Moradores da cidade corroboram essa análise. Uma fonte que prefere não se identificar, afirma que a região é um curral eleitoral de um deputado estadual que controla todos os poderes. "O deputado era apenas secretário do prefeito, gastou cinco milhões de reais na campanha e depois de eleito, continuou enriquecendo. Nos meus 64 anos, foi o primeiro empregado que vi ficar milionário", desabafa. "A seca é onde mais se ganha dinheiro. Os carros-pipas valem votos. Há um controle integrado de todos os poderes. As denúncias não são levadas adiante e quem denuncia é intimidado. A prefeitura é um cabide de empregos. Quem não é empregado lá tem algum parente e não quer perder o lugar, por isso tem medo", lamenta.
Outro destaque na luta pela água é o padre Nelson Nicolau, catarinense de Chapecó, que há 20 anos trabalha no município de Cansanção, a 35 km de Monte Santo. Para o padre "é preciso preservar a mística da água". Como resultado da conscientização nas comunidades, na década de 90 foi criada a Associação Regional Pró-Água - ARPA, que integra quatro paróquias (Queimadas, Cansanção, Nordestina e Monte Santo), na coordenação de ações em diversas frentes. Com a ajuda da Cáritas, maquinários foram comprados para a perfuração de poços. Através do poder público estadual, a ARPA recebeu uma retroescavadeira e um caminhão caçamba para a limpeza e construção de pequenas barragens. Ao mesmo tempo, conseguiram a ramificação da adutora que leva água para a cidade, para que chegasse também às comunidades rurais. "A vida está sendo ameaçada pela seca e a Igreja precisa agir para defendê-la. Por isso se envolve na luta pela água", explica padre Nelson.
Universalizar a água
A professora Maria da Glória Cardoso, coordenadora da Pastoral da Criança e membro da ARPA, avalia que "a questão da água é tratada com muita precariedade. Os políticos nunca a levaram a sério. Tudo é visto como manipulação política. Existiam projetos de construção de cisternas e máquinas para perfuração, mas estacionaram. O solo tem uma camada dura que precisa muita persistência para perfurar. Há 20 anos, com a ajuda do Banco Mundial, construíram muitas cisternas, mas foi um trabalho mal feito e a grande maioria foi destruída", recorda.
Em Monte Santo, a Comissão que agrupa a ARPA, com representantes da Igreja, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Articulação do Semiárido - ASA e do poder público, faz levantamento e elabora projetos, mas o trabalho anda devagar. "Anos atrás fizemos um projeto para pedir que se destinasse 3% do orçamento do município para recursos hídricos. O projeto foi aprovado na Câmara, mas na hora de elaborar o orçamento, esse item não apareceu. O povo também é muito passivo, fica esperando Deus mandar a chuva e a seca fica parecendo um sofrimento merecido", desabafa Maria da Glória.
Segundo Ana Maria Campos de Oliveira, secretária da agricultura de Monte Santo, município com 53.000 habitantes, a situação se agravou nos últimos seis meses. A estratégia da prefeitura é limpar as aguadas, perfurar e recuperar poços e distribuir cestas básicas. Para isso recebeu a ajuda do governo federal no valor de 60 mil reais. Por outro lado há muitas críticas com relação aos carros-pipas que representam a maior corrupção. No município existem 53 carros contratados e pagos pelo Exército através do governo federal que para isso investe mais de 500 mil reais por mês. Segundo informações, tem carro que chega a receber entre 12 e 17 mil reais por mês. A maioria é controlada pelos vereadores. Além disso, a água transportada não é de boa qualidade. A secretária esclarece que o preço varia entre três e dez mil reais por carro. "O valor é alto, mas a prefeitura não recebe dinheiro, tudo é feito através do Exército", comenta Ana Campos e ao mesmo tempo, reconhece as dificuldades em fiscalizar o abastecimento. Ela mesma já fez várias denúncias. "Não tenho conhecimento sobre carros-pipas de vereadores. Dizem que muitos são deles, mas não posso provar".
Ana Campos observa que no município não há mais onde se extrair água potável. Os carros-pipas deveriam trazer de Quinjigue, mas recentemente pegou amostra da água imprópria para o consumo que estava sendo levada para uma comunidade. "Já recebi até ameaças de morte por fiscalizar a água tirada de tanque do gado e levada para o consumo humano", revela.
Evaristo Rodrigues de Lima, representante da Comissão da Água trabalha em parceria com a Articulação do Semiárido - ASA, instituição não governamental que faz parcerias com dioceses e associações locais. Evaristo explica que, desde 2002 foram construídas no município, cerca de três mil cisternas de 16 mil litros cada. A previsão até 2014 é fazer outras cinco mil para universalizar a água de consumo humano. "O trabalho é feito de forma coletiva para não privilegiar apenas alguns. É um recurso para todos", destaca.
Além disso, existem ainda as cisternas de produção para a criação de animais e produção de hortaliças. "Em 2011, foram feitas 40 unidades com a capacidade de 50 mil litros cada. Nesses projetos temos o envolvimento das famílias. Isso garante a sustentação da produção de hortaliças. Eles até estão vendendo", comemora. Dona Olívia Gonçalves de Carvalho, da comunidade Fazenda Velha investiu sete mil reais numa cisterna de produção que contempla um cercado e os canteiros para o cultivo de hortaliças. "A cisterna é uma terapia, porque ao tirar a água vou tocando a bomba e movimentando o corpo, e me sinto melhor. Com as hortaliças, a gente come sem veneno. Os animais não beberam mais água suja. É uma bênção. Se cada família tivesse uma cisterna dessas!", exclama.
A vida no sertão gira em torno da água que geralmente é administrada pela mulher. Hoje o povo percebe que é importante ter uma cisterna ao alcance para garantir a boa qualidade da água e consequentemente, da vida. A água ao lado da casa evita longas caminhadas e alivia o trabalho da mulher que dedica mais tempo para os filhos e para a própria casa. Os poços asseguram as famílias na roça e as cisternas produtivas possibilitam uma pequena horta familiar. Com isso verifica-se uma diminuição das doenças nas crianças e idosos.
Fonte: Revista Missões
13/04/2012
21/03/2012
HABEMUS EPISCOVO IMC – NOVO BISPO CONSOLATA
O papa Bento XVI nomeou hoje, em Roma, o Pe. Giovanni Crippa como bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador. O anúncio da nomeação na Arquidiocese foi feito pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj, ainda pela manhã, através da Rádio Excelsior da Bahia. Pe. Giovanni Crippa, até o momento Pároco da Paróquia Santíssima Trindade, em Feira de Santana – BA será ordenado bispo no dia 13 de maio, às 9h, na Catedral de Feira de Santana, interior da Bahia.
Durante o anúncio, o arcebispo disse estar muito alegre e deu boas vindas ao novo auxiliar. “Agradeço ao Santo Padre Bento XVI por este presente para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia; sou grato, também, ao Instituto Missões Consolata e à Arquidiocese de Feira de Santana. Em nome da Arquidiocese Primaz do Brasil, saúdo afetuosamente o Pe. Giovanni Crippa, dando-lhe as boas-vindas: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9)”.
Italiano, nascido em Milão, padre Giovanni emitiu, em 1981, os primeiros votos no Instituto Missões Consolata e foi ordenadoPresbítero no dia 14 de setembro de 1985. Em 1996 doutorou-se em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma. Viveu os primeiros anos de seu sacerdócio na Itália, onde foi Animador Missionário e Vocacional (Turim), Professor na Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma) e membro da Equipe de Coordenação do Departamento Histórico do Instituto Missões Consolata.
Veio para o Brasil em 2001, trabalhando sempre em Feira de Santana: ali foi vigário Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade (2001 – 2003) e, a partir de 2004, pároco dessa mesma Paróquia; foi Diretor Espiritual no Seminário Arquidiocesano Sant´Ana Mestra, Professor na Faculdade Católica, Membro do Conselho Presbiteral da Arquidiocese, Conselheiro Provincial de sua Congregação e, desde 2001, Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora.
Fonte: arquidiocesedesaosalvador - bahia.
Durante o anúncio, o arcebispo disse estar muito alegre e deu boas vindas ao novo auxiliar. “Agradeço ao Santo Padre Bento XVI por este presente para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia; sou grato, também, ao Instituto Missões Consolata e à Arquidiocese de Feira de Santana. Em nome da Arquidiocese Primaz do Brasil, saúdo afetuosamente o Pe. Giovanni Crippa, dando-lhe as boas-vindas: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9)”.
Italiano, nascido em Milão, padre Giovanni emitiu, em 1981, os primeiros votos no Instituto Missões Consolata e foi ordenadoPresbítero no dia 14 de setembro de 1985. Em 1996 doutorou-se em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma. Viveu os primeiros anos de seu sacerdócio na Itália, onde foi Animador Missionário e Vocacional (Turim), Professor na Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma) e membro da Equipe de Coordenação do Departamento Histórico do Instituto Missões Consolata.
Veio para o Brasil em 2001, trabalhando sempre em Feira de Santana: ali foi vigário Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade (2001 – 2003) e, a partir de 2004, pároco dessa mesma Paróquia; foi Diretor Espiritual no Seminário Arquidiocesano Sant´Ana Mestra, Professor na Faculdade Católica, Membro do Conselho Presbiteral da Arquidiocese, Conselheiro Provincial de sua Congregação e, desde 2001, Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora.
Fonte: arquidiocesedesaosalvador - bahia.
20/03/2012
SER JOVEM
A juventude não é um período de vida; ela é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade de imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobreo amor ao conforto. Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos nosso ideal.
Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma, as preocupações, as dúvidas, os temorese os desesperos, são os inimigos que lentamente nos inclinam à terra. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.
És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a confiançaem ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo, ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do Homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeçade tua alma de velho.
Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma, as preocupações, as dúvidas, os temorese os desesperos, são os inimigos que lentamente nos inclinam à terra. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.
És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a confiançaem ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo, ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do Homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeçade tua alma de velho.
12/03/2012
Fé e Tradição: caminhada penitencial em Salvador - De Michael Mutinda, IMC.
A igreja da Arquidiocese de são Salvador, Bahia de todos os santos, se reuniu neste domingo terceiro domingo da Quaresma (11/3) para a famosa Caminhada Penitencial, atividade particular em todo Brasil que reúne os fiéis para rezar e fazer caridade. Este ano 2012, a caminhada começou às 6h30, com duas celebrações eucarísticas: uma na igreja Nossa Senhora das Dores, no bairro do Lobato, o mais tradicional e antiga deste evento, e que reúne os católicos da região da Suburbana, presidida por o bispo auxiliar Dom Gilson. A outra celebração aconteceu em frente à Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj. Ao final das missas, todos saíram em procissão e se encontraram no Largo dos Mares, de onde seguiram até a igreja do Senhor do Bonfim.
A procissão da caminhada é marcada por demonstrações de fé e devoção, além de símbolos que resumem a espiritualidade quaresmal, como a cruz que sai da suburbana, símbolo da penitencia do povo e solidariedade com o sofrimento do povo baiano e todo povo de Deus, a doação de alimentos às Obras Sociais Irmã Dulce, a bênção da água e a peregrinação.
Tradição e fé do povo da suburbana
A belíssima tradição e a fé católica do povo suburbana que criou esta caminhada, no início, reunia em torno de 5 mil pessoas, em meados da década de 80. As paróquias da Suburbana saíam em caminhada até a Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, arrecadando doações para as obras de Irmã Dulce como gesto de doação e solidariedade no tempo da quaresma. Em 1989, o então Arcebispo de Salvador, Dom Lucas Moreira Neves, oficializou o evento Quaresmal, hoje considerado um dos mais importantes do calendário litúrgico baiano, que neste ano reuniu 200 mil pessoas.
“Há anos que eu participo desta caminhada; ajudo carregar água na caminhada junto com os jovens, canto, louvo e caminho com essa fé - esse ano Deus me deu mais força, coragem e fé para estar aqui. É um ato muito importante, principalmente para quem pode caminhar porque é uma hora que você se desprende do mundo. Hoje eu estou aqui servindo a Deus na Caminhada Penitencial”, comentou a paroquiana de São Brás de Plataforma, Senhorita Suiá.
No final da caminhada, chegando à Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, o povo rezou terço e recebeu a benção dos seus pastores: Dom Murilo, Dom Gregório e Dom Gilson. Cantado o tradicional hino do Senhor do Bonfim, “... desta sagrada colina, mansão da misericórdia, dai-nos a graça divina, da justiça e da concórdia...” todos se despediram para continuar vivendo a graça da quaresma nas suas comunidades.
29/02/2012
Homenagem a Mike, amigo e irmão - Jovens de São Brás (PJ)
A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.
26/02/2012
O que é a Quaresma
"Senhor, como queres que preparemos a Páscoa?" (Cf. Mt 26, 17)
1. O que é a Quaresma:
Nós cristãos celebramos todo ano a festa da Páscoa: a morte e a ressurreição de Jesus e tamém a nossa. É a maior de todas as festas. A mais importante... Grande demais para ser preparada em apenas três dias ou uma semana. Por isso, estendemos a sua preparação para quarenta dias. Daí Quaresma, período de quarenta dias, que vai da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa pela manhã.
Os textos litúrgicos que rezamos durante o tempo da Quaresma são belíssimos e nos conduzem ao verdadeiro espírito deste "tempo favorável". Poderia citar muitos mas o espaço do artigo não me permite. Cito portanto apenas o Prefácio da Quaresma V (Missal Romano, pág. 418) como síntese de toda esta riqueza:
"Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação louvar-vos, Pai santo, rico em misericórdia, e bendizer vosso nome, enquanto caminhamos para a Páscoa, seguindo as pegadas de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, mestre e modelo da humanidade, reconciliada e pacificada no amor.
Vós reabris para a Igreja, durante a Quaresma, a estrada do Êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente toma consciência de sua vocação de povo da aliança. E, celebrando vossos louvores, escute vossa Palavra e experimente os vossos prodígios.
Por isso, olhando com alegria esses sinais de salvação, unidos aos anjos e aos santos, entoamos o vosso louvor, cantando a uma só voz:"
Podemos encontrar neste Prefácio todos os elementos que caracterizam não só a liturgia deste Tempo, mas especialmente a sua teologia, a sua espiritualidade e a sua pastoral. Voltamo-nos para Deus, "Pai Santo, rico em misericórdia"; relembramos a grande experiência do Êxodo, da Aliança, da libertação e da nova terra; assumimos nossa atitude de povo peregrino, ouvintes da Palavra, povo amado e escolhido por Deus; nosso modelo é Cristo, cuja morte e ressurreição celebramos de forma mais intensa neste tempo. Enfim, a Quaresma é um "sinal de salvação" ou, numa expressão usada num artigo de Dom Manoel João Francisco, "sacramento anual de reconciliação".
É indispensável que recuperamos também a Quaresma como o tempo ideal de fazer a preparação final dos catecúmenos que serão batizados, confirmados e receberão a Eucaristia na Vigília Pascal. O Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA) lembra que "o tempo da purificação e iluminação dos catecúmenos é normalmente a Quaresma. De fato, na liturgia e na catequese, pela comemoração ou preparação do Batismo e pela penitência, a Quaresma renova a comunidade dos fiéis juntamente com os catecúmenos e os dispõe para a celebração do mistério pascal, ao qual os sacramentos de iniciação associam cada um" (Introdução do RICA, n. 21).
2. Símbolos, ritos, gestos quaresmais
São vários os símbolos, as atitudes e iniciativas humanas e religiosas que acompanham e enriquecem o tempo da Quaresma, no qual, como em toda preparação, já saboreamos de certa maneira a festa da Páscoa que virá. Por exemplo:
A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter de penitência e conversão próprio deste tempo. Isto se manifesta também no visual do espaço celebrativo, sóbrio, despojado.
O jejum nos orienta a dar mais atenção à Palavra de Deus. A fome que sentimos (quando fazemos jejum) pode simbolizar e evocar a fome que temos da Palavra de Deus. É tempo forte, portanto, de escuta da Palavra, pois através dela vamos conhecer os desejos de Deus e praticar a sua vontade.
Ajudados pela Campanha da Fraternidade, intensificamos a prática da caridade, procurando corrigir e aperfeiçoar, à luz da Palavra de Deus, nosso jeito como tratamos as pessoas e com elas nos relacionamos, sobretudo os mais pobres e sofredores, e como procuramos ajudá-los a viver com dignidade.
Nesse tempo forte da vida da Igreja intensificamos nossa vida de oração, na forma de súplicas, pedidos de perdão, intercessão, agradecimento, compromissos de fé, melhor participação na comunidade etc. É um tempo próprio para, nas comunidades, a gente participar de alguma celebração penitencial (individual ou comunitária). Sobre estas três atitudes - jejum, esmola e oração - os Santos Padres fazem muitas referências. Recordemos algumas: "O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente" (São Pedro Crisólogo). "Não tem mérito nenhum negar alimento ao corpo se no coração não se renuncia à injustiça e se a língua não se abstém da calúnia" (São Leão Magno). "A esmola só será autêntica se à ajuda material estiver unido o perdão das ofensas" (Santo Agostinho).
Podemos expressar nossa vontade de participar da caminhada sofrida de Jesus (vítima da violência, de ontem e de hoje), participando de procissões (de ramos, do encontro, do Senhor morto etc.), Via-Sacras, círculos bíblicos etc.
Expressamos o "clima" próprio deste tempo forte da vida da Igreja também através da música e do canto. Há uma música própria e cantos que caracterizam este tempo, além do hino da CF . O Hinário 2 da CNBB apresenta também um bom repertório de músicas litúrgicas quaresmais. Na introdução do Hinário 2 lemos: "Cantar a Quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo. O canto da quaresma nos inspira e anima a assumir, com mais garra do que nunca, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Pela participação em seus sofrimentos, isto é, ‘obedientes ao Pai e comprometidos com os irmãos até o fim' (cf. Jo 13,1), ‘cheguemos à glória da sua ressurreição' (cf. Fl 3, 10-11)". Para ajudar nesta vivência, é aconselhável também que se evite na Quaresma o toque de instrumentos musicais. Também não cantamos o "glória" e o "aleluia".
3. Lembretes práticos para as equipes de liturgia e de celebração
O espaço litúrgico, despojado, sóbrio e "vazio" nos ajuda a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos e que nos converte.
Momentos de silêncio, principalmente entre as leituras e após a homilia, são importantes.
Um sinal permanente no espaço litúrgico, como um tecido roxo em forma de faixa na mesa da Palavra ou como detalhe na mesa eucarística (sem "tampar" ou esconder o altar), ajudará na experiência quaresmal. Não colocar o cartaz da CF em frente ao altar ou ambão, mas num outro local, de preferência na entrada da igreja, bem visível para a comunidade.
A cruz, pela qual fomos marcados no Batismo, deve ser destacada. Ela lembra que somos discípulos e discípulas de Jesus, que superou o fracasso humano da cruz com um amor que vence a morte.
A comunidade pode fazer maior experiência da misericórdia de Deus através do sacramento da Reconciliação, de celebrações penitenciais e também de retiros.
4.Semana Santa e Tríduo Pascal: a conclusão da quaresma
Existe um jeito, um lugar, um momento muito especial no qual aprenderemos a "viver a semana santa". É o que nos aponta o saudoso Papa Paulo VI: "Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal".
"Viver a semana santa" significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, saber que estamos "re-vivendo" todos estes fatos. "De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente."
* Padre Carlos Gustavo Haas, da Comissão para a Liturgia/CNBB.
Notas
1. Cf. Frei José Ariovaldo da Silva, O tempo da Quaresma, Liturgia em Mutirão, Edições CNBB, pág. 38-40.
2. Está publicado pela Paulus um CD com todos os cantos próprios da Quaresma e da CF para a missa de cada domingo da Quaresma deste ano.
3. Cf. Ir. Veronice Fernandes, A liturgia do tempo da quaresma, Liturgia em Mutirão II, Edições CNBB, pág. 99.
4. Sugerimos o DVD Reconciliai-vos, produzido pela CNBB e Verbo Filmes, como roteiro para estudo e aprofundamento do sacramento da Penitência e Reconciliação e das celebrações penitenciais.
5. Sugiro ainda a leitura do importante artigo de Pe. Domingos Ormonde e Ir. Penha Carpanedo que está publicado na Revista de Liturgia, janeiro/fevereiro 2010, pág. 15 a 22.
6. Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo, Loyola, 2002, p. 83
Fonte: www.cnbb.org.br
1. O que é a Quaresma:
Nós cristãos celebramos todo ano a festa da Páscoa: a morte e a ressurreição de Jesus e tamém a nossa. É a maior de todas as festas. A mais importante... Grande demais para ser preparada em apenas três dias ou uma semana. Por isso, estendemos a sua preparação para quarenta dias. Daí Quaresma, período de quarenta dias, que vai da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa pela manhã.
Os textos litúrgicos que rezamos durante o tempo da Quaresma são belíssimos e nos conduzem ao verdadeiro espírito deste "tempo favorável". Poderia citar muitos mas o espaço do artigo não me permite. Cito portanto apenas o Prefácio da Quaresma V (Missal Romano, pág. 418) como síntese de toda esta riqueza:
"Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação louvar-vos, Pai santo, rico em misericórdia, e bendizer vosso nome, enquanto caminhamos para a Páscoa, seguindo as pegadas de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, mestre e modelo da humanidade, reconciliada e pacificada no amor.
Vós reabris para a Igreja, durante a Quaresma, a estrada do Êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente toma consciência de sua vocação de povo da aliança. E, celebrando vossos louvores, escute vossa Palavra e experimente os vossos prodígios.
Por isso, olhando com alegria esses sinais de salvação, unidos aos anjos e aos santos, entoamos o vosso louvor, cantando a uma só voz:"
Podemos encontrar neste Prefácio todos os elementos que caracterizam não só a liturgia deste Tempo, mas especialmente a sua teologia, a sua espiritualidade e a sua pastoral. Voltamo-nos para Deus, "Pai Santo, rico em misericórdia"; relembramos a grande experiência do Êxodo, da Aliança, da libertação e da nova terra; assumimos nossa atitude de povo peregrino, ouvintes da Palavra, povo amado e escolhido por Deus; nosso modelo é Cristo, cuja morte e ressurreição celebramos de forma mais intensa neste tempo. Enfim, a Quaresma é um "sinal de salvação" ou, numa expressão usada num artigo de Dom Manoel João Francisco, "sacramento anual de reconciliação".
É indispensável que recuperamos também a Quaresma como o tempo ideal de fazer a preparação final dos catecúmenos que serão batizados, confirmados e receberão a Eucaristia na Vigília Pascal. O Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA) lembra que "o tempo da purificação e iluminação dos catecúmenos é normalmente a Quaresma. De fato, na liturgia e na catequese, pela comemoração ou preparação do Batismo e pela penitência, a Quaresma renova a comunidade dos fiéis juntamente com os catecúmenos e os dispõe para a celebração do mistério pascal, ao qual os sacramentos de iniciação associam cada um" (Introdução do RICA, n. 21).
2. Símbolos, ritos, gestos quaresmais
São vários os símbolos, as atitudes e iniciativas humanas e religiosas que acompanham e enriquecem o tempo da Quaresma, no qual, como em toda preparação, já saboreamos de certa maneira a festa da Páscoa que virá. Por exemplo:
A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter de penitência e conversão próprio deste tempo. Isto se manifesta também no visual do espaço celebrativo, sóbrio, despojado.
O jejum nos orienta a dar mais atenção à Palavra de Deus. A fome que sentimos (quando fazemos jejum) pode simbolizar e evocar a fome que temos da Palavra de Deus. É tempo forte, portanto, de escuta da Palavra, pois através dela vamos conhecer os desejos de Deus e praticar a sua vontade.
Ajudados pela Campanha da Fraternidade, intensificamos a prática da caridade, procurando corrigir e aperfeiçoar, à luz da Palavra de Deus, nosso jeito como tratamos as pessoas e com elas nos relacionamos, sobretudo os mais pobres e sofredores, e como procuramos ajudá-los a viver com dignidade.
Nesse tempo forte da vida da Igreja intensificamos nossa vida de oração, na forma de súplicas, pedidos de perdão, intercessão, agradecimento, compromissos de fé, melhor participação na comunidade etc. É um tempo próprio para, nas comunidades, a gente participar de alguma celebração penitencial (individual ou comunitária). Sobre estas três atitudes - jejum, esmola e oração - os Santos Padres fazem muitas referências. Recordemos algumas: "O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente" (São Pedro Crisólogo). "Não tem mérito nenhum negar alimento ao corpo se no coração não se renuncia à injustiça e se a língua não se abstém da calúnia" (São Leão Magno). "A esmola só será autêntica se à ajuda material estiver unido o perdão das ofensas" (Santo Agostinho).
Podemos expressar nossa vontade de participar da caminhada sofrida de Jesus (vítima da violência, de ontem e de hoje), participando de procissões (de ramos, do encontro, do Senhor morto etc.), Via-Sacras, círculos bíblicos etc.
Expressamos o "clima" próprio deste tempo forte da vida da Igreja também através da música e do canto. Há uma música própria e cantos que caracterizam este tempo, além do hino da CF . O Hinário 2 da CNBB apresenta também um bom repertório de músicas litúrgicas quaresmais. Na introdução do Hinário 2 lemos: "Cantar a Quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo. O canto da quaresma nos inspira e anima a assumir, com mais garra do que nunca, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Pela participação em seus sofrimentos, isto é, ‘obedientes ao Pai e comprometidos com os irmãos até o fim' (cf. Jo 13,1), ‘cheguemos à glória da sua ressurreição' (cf. Fl 3, 10-11)". Para ajudar nesta vivência, é aconselhável também que se evite na Quaresma o toque de instrumentos musicais. Também não cantamos o "glória" e o "aleluia".
3. Lembretes práticos para as equipes de liturgia e de celebração
O espaço litúrgico, despojado, sóbrio e "vazio" nos ajuda a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos e que nos converte.
Momentos de silêncio, principalmente entre as leituras e após a homilia, são importantes.
Um sinal permanente no espaço litúrgico, como um tecido roxo em forma de faixa na mesa da Palavra ou como detalhe na mesa eucarística (sem "tampar" ou esconder o altar), ajudará na experiência quaresmal. Não colocar o cartaz da CF em frente ao altar ou ambão, mas num outro local, de preferência na entrada da igreja, bem visível para a comunidade.
A cruz, pela qual fomos marcados no Batismo, deve ser destacada. Ela lembra que somos discípulos e discípulas de Jesus, que superou o fracasso humano da cruz com um amor que vence a morte.
A comunidade pode fazer maior experiência da misericórdia de Deus através do sacramento da Reconciliação, de celebrações penitenciais e também de retiros.
4.Semana Santa e Tríduo Pascal: a conclusão da quaresma
Existe um jeito, um lugar, um momento muito especial no qual aprenderemos a "viver a semana santa". É o que nos aponta o saudoso Papa Paulo VI: "Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal".
"Viver a semana santa" significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, saber que estamos "re-vivendo" todos estes fatos. "De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente."
* Padre Carlos Gustavo Haas, da Comissão para a Liturgia/CNBB.
Notas
1. Cf. Frei José Ariovaldo da Silva, O tempo da Quaresma, Liturgia em Mutirão, Edições CNBB, pág. 38-40.
2. Está publicado pela Paulus um CD com todos os cantos próprios da Quaresma e da CF para a missa de cada domingo da Quaresma deste ano.
3. Cf. Ir. Veronice Fernandes, A liturgia do tempo da quaresma, Liturgia em Mutirão II, Edições CNBB, pág. 99.
4. Sugerimos o DVD Reconciliai-vos, produzido pela CNBB e Verbo Filmes, como roteiro para estudo e aprofundamento do sacramento da Penitência e Reconciliação e das celebrações penitenciais.
5. Sugiro ainda a leitura do importante artigo de Pe. Domingos Ormonde e Ir. Penha Carpanedo que está publicado na Revista de Liturgia, janeiro/fevereiro 2010, pág. 15 a 22.
6. Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo, Loyola, 2002, p. 83
Fonte: www.cnbb.org.br
24/02/2012
Religiosos e religiosas do Brasil refletem sobre a identidade da Vida Consagrada
Evento promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB, reúne em Itaicí, Indaiatuba, SP, cerca de 400 religiosos e religiosas de todo o país e tem como tema "A loucura que Deus escolheu para confundir o mundo".
"Onde nos encontramos neste momento histórico? Qual é o futuro da Vida Religiosa?", perguntou padre Carlos Palácio, provincial dos Jesuítas no Brasil e vice-presidente da CRB Nacional, em conferência que abriu o segundo dia de trabalhos, no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, na manhã desta sexta-feira, 24. Para o assessor, a Vida Consagrada e Apostólica hoje, não apresenta uma identidade clara. Muitos de seus membros se sentem cansados, outros estacionados, outros ainda, buscam uma auto-realização o que é contraditório. "Isso não está nos livros, mas nas pessoas que são livros vivos. É para esta situação que temos de dar respostas", afirmou.
Confira também:
Começa Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada em Itaici
Alegrias e inquietações na Vida Religiosa Consagrada
Segundo padre Palácio, "não faltam motivos para nos sentirmos cansados", contudo, "a Vida Religiosa, se fundamenta no Evangelho e, enquanto houver gente apaixonada por Jesus Cristo, haverá Vida Religiosa". Na opinião do teólogo, as congregações têm dificuldades em lidar com essa situação. Para enfrentar esse mal estar é preciso olhar a história. "É por não saber quem somos que não temos a clareza dentro e fora das nossas comunidades". E acrescentou: "gastamos a maior parte das nossas energias em administrar a nossa diminuição numérica, o envelhecimento e peso das instituições".
Na sua exposição, o jesuíta insistiu na necessidade de se resgatar o núcleo da identidade da Vida Religiosa e Apostólica. "Quem somos? A Vida Consagrada não é uma réplica da vida leiga cristã, nem da vida monástica, mas uma vida peculiar que capta elementos comuns da vida cristã e faz deles uma síntese. Disso surge uma espiritualidade", destacou.
Na sequência, para elucidar a identidade da Vida Religiosa, padre Palácio recorreu ao Evangelho segundo Marcos (3, 13-14). Para ele, nesse texto, o evangelista reúne três elementos que revelam o núcleo identitário da Vida Consagrada, que são: a experiência do chamamento gratuito; a descoberta de ser chamado para estar com Jesus; e, o ser enviado em missão.
Nesse sentido "o importante é captar os três aspectos que não podem ser tomados separados, mas intimamente unidos. A experiência do encontro e da relação pessoal com Jesus dá essa identidade. É uma percepção única de um modo de viver. Se faltar um desses aspectos, a nossa vida começa a desmoronar", afirmou. Para ele, essa é a mística que alimenta a Vida Consagrada.
A Missão
"A Missão não é fazer coisas, mas dar a vida e é impossível realizar uma Missão que dê vida sem que esteja enraizada na experiência de amor a Jesus Cristo. É isso que será capaz de unificar a nossa vida", argumentou.
Padre Palácio destacou ainda que, "a Missão não cabe dentro do recolhimento e da paz monástica caso contrário, ela ficaria desfigurada". Deveríamos fazer uma avaliação honesta e transparente dos 50 anos de pós Concílio Vaticano II, das suas conquistas, perdas e impasses. "Nem tudo o que foi assumido pela Vida Consagrada foi digerido evangelicamente", sublinhou.
O teólogo concluiu a sua exposição com alguns questionamentos para suscitar um ‘olhar positivo e confiante': "Estamos verdadeiramente convencidos que o principal problema da Vida Religiosa é mais de espírito do que de administração? É possível resgatar a paixão e o entusiasmo pelo que há de novo e original no estilo de Vida Religiosa e Apostólica? Temos consciência de que ainda persiste uma desarticulação entre vida e missão?", foram alguns das perguntas colocadas. "A redescoberta da identidade está em nossas mãos. A tradição só é viva quando faz viver e nós estamos cheios de tradições mortas", concluiu.
Na segunda parte da manhã, Irmã Annette Havenne, SM, psicóloga e formadora, aprofundou o tema e destacou a importância de viver e transmitir a paixão pela Vida Religiosa e Consagrada com convição.
"A Vida Religiosa e Consagrada é uma loucura e faz loucuras porque nasce de uma paixão, paixão por Jesus e pelos valores do reino. Esta paixão é resposta a outra paixão bem maior, à inexplicável paixão de Deus pela humanidade", destacou a religiosa. Em sua opinião, se olharmos o núcleo identitário da Vida Religiosa na perspectiva de um itinerário vocacional, "vamos constatar que não basta um ideal religioso, social ou humanitário como motivação, mas o re-encanto consciente por Jesus Cristo e a proposta do discipulado".
Para Irmã Annette, a segunda convicção decorre da primeira. "Uma paixão autêntica é comunicativa, contagiante. Viver hoje o núcleo da identidade significa pensar como nos ajudamos a alimentar esta paixão e a transmiti-la para as novas gerações de consagradas e consagrados".
Mística, comunidade e missão é o tripé que sustenta a Vida Religiosa Apostólica. "O que nos caracteriza, o que faz nossa identidade de religiosas e religiosos é como nós queremos ser comunidades de irmãs e irmãos em vista da missão e partilhar entre nós a experiência do rosto de Deus que se revela nesta missão", argumentou.
O Seminário que acontece desde ontem, dia 23, encerra suas atividades nesta segunda-feira, 27, com sugestões para a XXIII Assembleia Geral Eletiva da CRB marcada para julho de 2013 em Brasília - DF.
Fonte: Assessoria de imprensa CRB
"Onde nos encontramos neste momento histórico? Qual é o futuro da Vida Religiosa?", perguntou padre Carlos Palácio, provincial dos Jesuítas no Brasil e vice-presidente da CRB Nacional, em conferência que abriu o segundo dia de trabalhos, no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, na manhã desta sexta-feira, 24. Para o assessor, a Vida Consagrada e Apostólica hoje, não apresenta uma identidade clara. Muitos de seus membros se sentem cansados, outros estacionados, outros ainda, buscam uma auto-realização o que é contraditório. "Isso não está nos livros, mas nas pessoas que são livros vivos. É para esta situação que temos de dar respostas", afirmou.
Confira também:
Começa Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada em Itaici
Alegrias e inquietações na Vida Religiosa Consagrada
Segundo padre Palácio, "não faltam motivos para nos sentirmos cansados", contudo, "a Vida Religiosa, se fundamenta no Evangelho e, enquanto houver gente apaixonada por Jesus Cristo, haverá Vida Religiosa". Na opinião do teólogo, as congregações têm dificuldades em lidar com essa situação. Para enfrentar esse mal estar é preciso olhar a história. "É por não saber quem somos que não temos a clareza dentro e fora das nossas comunidades". E acrescentou: "gastamos a maior parte das nossas energias em administrar a nossa diminuição numérica, o envelhecimento e peso das instituições".
Na sua exposição, o jesuíta insistiu na necessidade de se resgatar o núcleo da identidade da Vida Religiosa e Apostólica. "Quem somos? A Vida Consagrada não é uma réplica da vida leiga cristã, nem da vida monástica, mas uma vida peculiar que capta elementos comuns da vida cristã e faz deles uma síntese. Disso surge uma espiritualidade", destacou.
Na sequência, para elucidar a identidade da Vida Religiosa, padre Palácio recorreu ao Evangelho segundo Marcos (3, 13-14). Para ele, nesse texto, o evangelista reúne três elementos que revelam o núcleo identitário da Vida Consagrada, que são: a experiência do chamamento gratuito; a descoberta de ser chamado para estar com Jesus; e, o ser enviado em missão.
Nesse sentido "o importante é captar os três aspectos que não podem ser tomados separados, mas intimamente unidos. A experiência do encontro e da relação pessoal com Jesus dá essa identidade. É uma percepção única de um modo de viver. Se faltar um desses aspectos, a nossa vida começa a desmoronar", afirmou. Para ele, essa é a mística que alimenta a Vida Consagrada.
A Missão
"A Missão não é fazer coisas, mas dar a vida e é impossível realizar uma Missão que dê vida sem que esteja enraizada na experiência de amor a Jesus Cristo. É isso que será capaz de unificar a nossa vida", argumentou.
Padre Palácio destacou ainda que, "a Missão não cabe dentro do recolhimento e da paz monástica caso contrário, ela ficaria desfigurada". Deveríamos fazer uma avaliação honesta e transparente dos 50 anos de pós Concílio Vaticano II, das suas conquistas, perdas e impasses. "Nem tudo o que foi assumido pela Vida Consagrada foi digerido evangelicamente", sublinhou.
O teólogo concluiu a sua exposição com alguns questionamentos para suscitar um ‘olhar positivo e confiante': "Estamos verdadeiramente convencidos que o principal problema da Vida Religiosa é mais de espírito do que de administração? É possível resgatar a paixão e o entusiasmo pelo que há de novo e original no estilo de Vida Religiosa e Apostólica? Temos consciência de que ainda persiste uma desarticulação entre vida e missão?", foram alguns das perguntas colocadas. "A redescoberta da identidade está em nossas mãos. A tradição só é viva quando faz viver e nós estamos cheios de tradições mortas", concluiu.
Na segunda parte da manhã, Irmã Annette Havenne, SM, psicóloga e formadora, aprofundou o tema e destacou a importância de viver e transmitir a paixão pela Vida Religiosa e Consagrada com convição.
"A Vida Religiosa e Consagrada é uma loucura e faz loucuras porque nasce de uma paixão, paixão por Jesus e pelos valores do reino. Esta paixão é resposta a outra paixão bem maior, à inexplicável paixão de Deus pela humanidade", destacou a religiosa. Em sua opinião, se olharmos o núcleo identitário da Vida Religiosa na perspectiva de um itinerário vocacional, "vamos constatar que não basta um ideal religioso, social ou humanitário como motivação, mas o re-encanto consciente por Jesus Cristo e a proposta do discipulado".
Para Irmã Annette, a segunda convicção decorre da primeira. "Uma paixão autêntica é comunicativa, contagiante. Viver hoje o núcleo da identidade significa pensar como nos ajudamos a alimentar esta paixão e a transmiti-la para as novas gerações de consagradas e consagrados".
Mística, comunidade e missão é o tripé que sustenta a Vida Religiosa Apostólica. "O que nos caracteriza, o que faz nossa identidade de religiosas e religiosos é como nós queremos ser comunidades de irmãs e irmãos em vista da missão e partilhar entre nós a experiência do rosto de Deus que se revela nesta missão", argumentou.
O Seminário que acontece desde ontem, dia 23, encerra suas atividades nesta segunda-feira, 27, com sugestões para a XXIII Assembleia Geral Eletiva da CRB marcada para julho de 2013 em Brasília - DF.
Fonte: Assessoria de imprensa CRB
Subscribe to:
Posts (Atom)
“On Death and Dying“
The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end. When ...
-
THE MINISTRY OF LECTOR IN THE CATHOLIC CHURCH. The aim of this reflection is to help those lectors or those preparing to be lectors w...
-
THE CONSOLATA FEAST 2015 INTRODUCTION Today we are celebrating the solemnity of the Blessed Virgin Mary Consolata, Mother and Foundres...
-
The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end. When ...




