21/03/2012

HABEMUS EPISCOVO IMC – NOVO BISPO CONSOLATA

O papa Bento XVI nomeou hoje, em Roma, o Pe. Giovanni Crippa como bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador. O anúncio da nomeação na Arquidiocese foi feito pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj, ainda pela manhã, através da Rádio Excelsior da Bahia. Pe. Giovanni Crippa, até o momento Pároco da Paróquia Santíssima Trindade, em Feira de Santana – BA será ordenado bispo no dia 13 de maio, às 9h, na Catedral de Feira de Santana, interior da Bahia.



Durante o anúncio, o arcebispo disse estar muito alegre e deu boas vindas ao novo auxiliar. “Agradeço ao Santo Padre Bento XVI por este presente para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia; sou grato, também, ao Instituto Missões Consolata e à Arquidiocese de Feira de Santana. Em nome da Arquidiocese Primaz do Brasil, saúdo afetuosamente o Pe. Giovanni Crippa, dando-lhe as boas-vindas: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9)”.

Italiano, nascido em Milão, padre Giovanni emitiu, em 1981, os primeiros votos no Instituto Missões Consolata e foi ordenadoPresbítero no dia 14 de setembro de 1985. Em 1996 doutorou-se em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma. Viveu os primeiros anos de seu sacerdócio na Itália, onde foi Animador Missionário e Vocacional (Turim), Professor na Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma) e membro da Equipe de Coordenação do Departamento Histórico do Instituto Missões Consolata.

Veio para o Brasil em 2001, trabalhando sempre em Feira de Santana: ali foi vigário Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade (2001 – 2003) e, a partir de 2004, pároco dessa mesma Paróquia; foi Diretor Espiritual no Seminário Arquidiocesano Sant´Ana Mestra, Professor na Faculdade Católica, Membro do Conselho Presbiteral da Arquidiocese, Conselheiro Provincial de sua Congregação e, desde 2001, Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora.

Fonte: arquidiocesedesaosalvador - bahia.

20/03/2012

SER JOVEM

A juventude não é um período de vida; ela é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade de imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobreo amor ao conforto. Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos nosso ideal.


Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma, as preocupações, as dúvidas, os temorese os desesperos, são os inimigos que lentamente nos inclinam à terra. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.

És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a confiançaem ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo, ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do Homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeçade tua alma de velho.

12/03/2012

Fé e Tradição: caminhada penitencial em Salvador - De Michael Mutinda, IMC.



A igreja da Arquidiocese de são Salvador, Bahia de todos os santos, se reuniu neste domingo terceiro domingo da Quaresma (11/3) para a famosa Caminhada Penitencial, atividade particular em todo Brasil que reúne os fiéis para rezar e fazer caridade. Este ano 2012, a caminhada começou às 6h30, com duas celebrações eucarísticas: uma na igreja Nossa Senhora das Dores, no bairro do Lobato, o mais tradicional e antiga deste evento, e que reúne os católicos da região da Suburbana, presidida por o bispo auxiliar Dom Gilson. A outra celebração aconteceu em frente à Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj. Ao final das missas, todos saíram em procissão e se encontraram no Largo dos Mares, de onde seguiram até a igreja do Senhor do Bonfim.



A procissão da caminhada é marcada por demonstrações de fé e devoção, além de símbolos que resumem a espiritualidade quaresmal, como a cruz que sai da suburbana, símbolo da penitencia do povo e solidariedade com o sofrimento do povo baiano e todo povo de Deus, a doação de alimentos às Obras Sociais Irmã Dulce, a bênção da água e a peregrinação.

Tradição e fé do povo da suburbana
A belíssima tradição e a fé católica do povo suburbana que criou esta caminhada, no início, reunia em torno de 5 mil pessoas, em meados da década de 80. As paróquias da Suburbana saíam em caminhada até a Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, arrecadando doações para as obras de Irmã Dulce como gesto de doação e solidariedade no tempo da quaresma. Em 1989, o então Arcebispo de Salvador, Dom Lucas Moreira Neves, oficializou o evento Quaresmal, hoje considerado um dos mais importantes do calendário litúrgico baiano, que neste ano reuniu 200 mil pessoas.
“Há anos que eu participo desta caminhada; ajudo carregar água na caminhada junto com os jovens, canto, louvo e caminho com essa fé - esse ano Deus me deu mais força, coragem e fé para estar aqui. É um ato muito importante, principalmente para quem pode caminhar porque é uma hora que você se desprende do mundo. Hoje eu estou aqui servindo a Deus na Caminhada Penitencial”, comentou a paroquiana de São Brás de Plataforma, Senhorita Suiá.
No final da caminhada, chegando à Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, o povo rezou terço e recebeu a benção dos seus pastores: Dom Murilo, Dom Gregório e Dom Gilson. Cantado o tradicional hino do Senhor do Bonfim, “... desta sagrada colina, mansão da misericórdia, dai-nos a graça divina, da justiça e da concórdia...” todos se despediram para continuar vivendo a graça da quaresma nas suas comunidades.

29/02/2012

Homenagem a Mike, amigo e irmão - Jovens de São Brás (PJ)



A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.

26/02/2012

O que é a Quaresma

"Senhor, como queres que preparemos a Páscoa?" (Cf. Mt 26, 17)

1. O que é a Quaresma:
Nós cristãos celebramos todo ano a festa da Páscoa: a morte e a ressurreição de Jesus e tamém a nossa. É a maior de todas as festas. A mais importante... Grande demais para ser preparada em apenas três dias ou uma semana. Por isso, estendemos a sua preparação para quarenta dias. Daí Quaresma, período de quarenta dias, que vai da quarta-feira de cinzas até a quinta-feira santa pela manhã.

Os textos litúrgicos que rezamos durante o tempo da Quaresma são belíssimos e nos conduzem ao verdadeiro espírito deste "tempo favorável". Poderia citar muitos mas o espaço do artigo não me permite. Cito portanto apenas o Prefácio da Quaresma V (Missal Romano, pág. 418) como síntese de toda esta riqueza:

"Na verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação louvar-vos, Pai santo, rico em misericórdia, e bendizer vosso nome, enquanto caminhamos para a Páscoa, seguindo as pegadas de Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso, mestre e modelo da humanidade, reconciliada e pacificada no amor.

Vós reabris para a Igreja, durante a Quaresma, a estrada do Êxodo, para que ela, aos pés da montanha sagrada, humildemente toma consciência de sua vocação de povo da aliança. E, celebrando vossos louvores, escute vossa Palavra e experimente os vossos prodígios.

Por isso, olhando com alegria esses sinais de salvação, unidos aos anjos e aos santos, entoamos o vosso louvor, cantando a uma só voz:"

Podemos encontrar neste Prefácio todos os elementos que caracterizam não só a liturgia deste Tempo, mas especialmente a sua teologia, a sua espiritualidade e a sua pastoral. Voltamo-nos para Deus, "Pai Santo, rico em misericórdia"; relembramos a grande experiência do Êxodo, da Aliança, da libertação e da nova terra; assumimos nossa atitude de povo peregrino, ouvintes da Palavra, povo amado e escolhido por Deus; nosso modelo é Cristo, cuja morte e ressurreição celebramos de forma mais intensa neste tempo. Enfim, a Quaresma é um "sinal de salvação" ou, numa expressão usada num artigo de Dom Manoel João Francisco, "sacramento anual de reconciliação".

É indispensável que recuperamos também a Quaresma como o tempo ideal de fazer a preparação final dos catecúmenos que serão batizados, confirmados e receberão a Eucaristia na Vigília Pascal. O Ritual da Iniciação Cristã dos Adultos (RICA) lembra que "o tempo da purificação e iluminação dos catecúmenos é normalmente a Quaresma. De fato, na liturgia e na catequese, pela comemoração ou preparação do Batismo e pela penitência, a Quaresma renova a comunidade dos fiéis juntamente com os catecúmenos e os dispõe para a celebração do mistério pascal, ao qual os sacramentos de iniciação associam cada um" (Introdução do RICA, n. 21).

2. Símbolos, ritos, gestos quaresmais
São vários os símbolos, as atitudes e iniciativas humanas e religiosas que acompanham e enriquecem o tempo da Quaresma, no qual, como em toda preparação, já saboreamos de certa maneira a festa da Páscoa que virá. Por exemplo:

A cor roxa, as cinzas e a cruz lembram o caráter de penitência e conversão próprio deste tempo. Isto se manifesta também no visual do espaço celebrativo, sóbrio, despojado.

O jejum nos orienta a dar mais atenção à Palavra de Deus. A fome que sentimos (quando fazemos jejum) pode simbolizar e evocar a fome que temos da Palavra de Deus. É tempo forte, portanto, de escuta da Palavra, pois através dela vamos conhecer os desejos de Deus e praticar a sua vontade.

Ajudados pela Campanha da Fraternidade, intensificamos a prática da caridade, procurando corrigir e aperfeiçoar, à luz da Palavra de Deus, nosso jeito como tratamos as pessoas e com elas nos relacionamos, sobretudo os mais pobres e sofredores, e como procuramos ajudá-los a viver com dignidade.

Nesse tempo forte da vida da Igreja intensificamos nossa vida de oração, na forma de súplicas, pedidos de perdão, intercessão, agradecimento, compromissos de fé, melhor participação na comunidade etc. É um tempo próprio para, nas comunidades, a gente participar de alguma celebração penitencial (individual ou comunitária). Sobre estas três atitudes - jejum, esmola e oração - os Santos Padres fazem muitas referências. Recordemos algumas: "O que a oração pede, o jejum alcança e a misericórdia recebe. Oração, misericórdia, jejum: três coisas que são uma só e se vivificam reciprocamente" (São Pedro Crisólogo). "Não tem mérito nenhum negar alimento ao corpo se no coração não se renuncia à injustiça e se a língua não se abstém da calúnia" (São Leão Magno). "A esmola só será autêntica se à ajuda material estiver unido o perdão das ofensas" (Santo Agostinho).

Podemos expressar nossa vontade de participar da caminhada sofrida de Jesus (vítima da violência, de ontem e de hoje), participando de procissões (de ramos, do encontro, do Senhor morto etc.), Via-Sacras, círculos bíblicos etc.

Expressamos o "clima" próprio deste tempo forte da vida da Igreja também através da música e do canto. Há uma música própria e cantos que caracterizam este tempo, além do hino da CF . O Hinário 2 da CNBB apresenta também um bom repertório de músicas litúrgicas quaresmais. Na introdução do Hinário 2 lemos: "Cantar a Quaresma é, antes de tudo, cantar a dor que se sente pelo pecado do mundo, que, em todos os tempos e de tantas maneiras, crucifica os filhos de Deus e prolonga, assim, a Paixão de Cristo. O canto da quaresma nos inspira e anima a assumir, com mais garra do que nunca, a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. (...) Pela participação em seus sofrimentos, isto é, ‘obedientes ao Pai e comprometidos com os irmãos até o fim' (cf. Jo 13,1), ‘cheguemos à glória da sua ressurreição' (cf. Fl 3, 10-11)". Para ajudar nesta vivência, é aconselhável também que se evite na Quaresma o toque de instrumentos musicais. Também não cantamos o "glória" e o "aleluia".

3. Lembretes práticos para as equipes de liturgia e de celebração

O espaço litúrgico, despojado, sóbrio e "vazio" nos ajuda a esvaziar o coração para preenchê-lo com a Palavra, que é luz para nossos passos e que nos converte.

Momentos de silêncio, principalmente entre as leituras e após a homilia, são importantes.

Um sinal permanente no espaço litúrgico, como um tecido roxo em forma de faixa na mesa da Palavra ou como detalhe na mesa eucarística (sem "tampar" ou esconder o altar), ajudará na experiência quaresmal. Não colocar o cartaz da CF em frente ao altar ou ambão, mas num outro local, de preferência na entrada da igreja, bem visível para a comunidade.

A cruz, pela qual fomos marcados no Batismo, deve ser destacada. Ela lembra que somos discípulos e discípulas de Jesus, que superou o fracasso humano da cruz com um amor que vence a morte.

A comunidade pode fazer maior experiência da misericórdia de Deus através do sacramento da Reconciliação, de celebrações penitenciais e também de retiros.

4.Semana Santa e Tríduo Pascal: a conclusão da quaresma
Existe um jeito, um lugar, um momento muito especial no qual aprenderemos a "viver a semana santa". É o que nos aponta o saudoso Papa Paulo VI: "Se há uma liturgia que deveria encontrar-nos todos juntos, atentos, solícitos e unidos para uma participação plena, digna, piedosa e amorosa, esta é a liturgia da grande semana. Por um motivo claro e profundo: o Mistério Pascal, que encontra na Semana Santa a sua mais alta e comovida celebração, não é simplesmente um momento do Ano Litúrgico: ele é a fonte de todas as outras celebrações do próprio Ano Litúrgico, porque todas se referem ao mistério da nossa redenção, isto é, ao Mistério Pascal".

"Viver a semana santa" significa fazermos memória destas ações maravilhosas de Deus. Mais, saber que estamos "re-vivendo" todos estes fatos. "De geração em geração, cada um de nós é obrigado a ver-se a si próprio, com os olhos penetrantes da fé, como tendo ele mesmo estado lá no Calvário, na primeira sexta-feira santa, e diante do sepulcro vazio, na manhã da ressurreição. Hoje, todos nós, aqui reunidos para celebrar a eucaristia, estávamos lá, prontos a morrer na morte de Cristo e a ressuscitar em sua ressurreição. Será exatamente nossa comunhão com o corpo sacramental do verdadeiro Cordeiro que nos tornará realmente presentes àquele eterno presente."

* Padre Carlos Gustavo Haas, da Comissão para a Liturgia/CNBB.

Notas
1. Cf. Frei José Ariovaldo da Silva, O tempo da Quaresma, Liturgia em Mutirão, Edições CNBB, pág. 38-40.
2. Está publicado pela Paulus um CD com todos os cantos próprios da Quaresma e da CF para a missa de cada domingo da Quaresma deste ano.
3. Cf. Ir. Veronice Fernandes, A liturgia do tempo da quaresma, Liturgia em Mutirão II, Edições CNBB, pág. 99.
4. Sugerimos o DVD Reconciliai-vos, produzido pela CNBB e Verbo Filmes, como roteiro para estudo e aprofundamento do sacramento da Penitência e Reconciliação e das celebrações penitenciais.
5. Sugiro ainda a leitura do importante artigo de Pe. Domingos Ormonde e Ir. Penha Carpanedo que está publicado na Revista de Liturgia, janeiro/fevereiro 2010, pág. 15 a 22.
6. Césare Giraudo, Redescobrindo a Eucaristia. São Paulo, Loyola, 2002, p. 83

Fonte: www.cnbb.org.br

24/02/2012

Religiosos e religiosas do Brasil refletem sobre a identidade da Vida Consagrada

Evento promovido pela Conferência dos Religiosos do Brasil - CRB, reúne em Itaicí, Indaiatuba, SP, cerca de 400 religiosos e religiosas de todo o país e tem como tema "A loucura que Deus escolheu para confundir o mundo".



"Onde nos encontramos neste momento histórico? Qual é o futuro da Vida Religiosa?", perguntou padre Carlos Palácio, provincial dos Jesuítas no Brasil e vice-presidente da CRB Nacional, em conferência que abriu o segundo dia de trabalhos, no Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada, na manhã desta sexta-feira, 24. Para o assessor, a Vida Consagrada e Apostólica hoje, não apresenta uma identidade clara. Muitos de seus membros se sentem cansados, outros estacionados, outros ainda, buscam uma auto-realização o que é contraditório. "Isso não está nos livros, mas nas pessoas que são livros vivos. É para esta situação que temos de dar respostas", afirmou.

Confira também:

Começa Seminário Nacional sobre a Vida Consagrada em Itaici‏

Alegrias e inquietações na Vida Religiosa Consagrada

Segundo padre Palácio, "não faltam motivos para nos sentirmos cansados", contudo, "a Vida Religiosa, se fundamenta no Evangelho e, enquanto houver gente apaixonada por Jesus Cristo, haverá Vida Religiosa". Na opinião do teólogo, as congregações têm dificuldades em lidar com essa situação. Para enfrentar esse mal estar é preciso olhar a história. "É por não saber quem somos que não temos a clareza dentro e fora das nossas comunidades". E acrescentou: "gastamos a maior parte das nossas energias em administrar a nossa diminuição numérica, o envelhecimento e peso das instituições".

Na sua exposição, o jesuíta insistiu na necessidade de se resgatar o núcleo da identidade da Vida Religiosa e Apostólica. "Quem somos? A Vida Consagrada não é uma réplica da vida leiga cristã, nem da vida monástica, mas uma vida peculiar que capta elementos comuns da vida cristã e faz deles uma síntese. Disso surge uma espiritualidade", destacou.

Na sequência, para elucidar a identidade da Vida Religiosa, padre Palácio recorreu ao Evangelho segundo Marcos (3, 13-14). Para ele, nesse texto, o evangelista reúne três elementos que revelam o núcleo identitário da Vida Consagrada, que são: a experiência do chamamento gratuito; a descoberta de ser chamado para estar com Jesus; e, o ser enviado em missão.

Nesse sentido "o importante é captar os três aspectos que não podem ser tomados separados, mas intimamente unidos. A experiência do encontro e da relação pessoal com Jesus dá essa identidade. É uma percepção única de um modo de viver. Se faltar um desses aspectos, a nossa vida começa a desmoronar", afirmou. Para ele, essa é a mística que alimenta a Vida Consagrada.

A Missão
"A Missão não é fazer coisas, mas dar a vida e é impossível realizar uma Missão que dê vida sem que esteja enraizada na experiência de amor a Jesus Cristo. É isso que será capaz de unificar a nossa vida", argumentou.

Padre Palácio destacou ainda que, "a Missão não cabe dentro do recolhimento e da paz monástica caso contrário, ela ficaria desfigurada". Deveríamos fazer uma avaliação honesta e transparente dos 50 anos de pós Concílio Vaticano II, das suas conquistas, perdas e impasses. "Nem tudo o que foi assumido pela Vida Consagrada foi digerido evangelicamente", sublinhou.

O teólogo concluiu a sua exposição com alguns questionamentos para suscitar um ‘olhar positivo e confiante': "Estamos verdadeiramente convencidos que o principal problema da Vida Religiosa é mais de espírito do que de administração? É possível resgatar a paixão e o entusiasmo pelo que há de novo e original no estilo de Vida Religiosa e Apostólica? Temos consciência de que ainda persiste uma desarticulação entre vida e missão?", foram alguns das perguntas colocadas. "A redescoberta da identidade está em nossas mãos. A tradição só é viva quando faz viver e nós estamos cheios de tradições mortas", concluiu.

Na segunda parte da manhã, Irmã Annette Havenne, SM, psicóloga e formadora, aprofundou o tema e destacou a importância de viver e transmitir a paixão pela Vida Religiosa e Consagrada com convição.

"A Vida Religiosa e Consagrada é uma loucura e faz loucuras porque nasce de uma paixão, paixão por Jesus e pelos valores do reino. Esta paixão é resposta a outra paixão bem maior, à inexplicável paixão de Deus pela humanidade", destacou a religiosa. Em sua opinião, se olharmos o núcleo identitário da Vida Religiosa na perspectiva de um itinerário vocacional, "vamos constatar que não basta um ideal religioso, social ou humanitário como motivação, mas o re-encanto consciente por Jesus Cristo e a proposta do discipulado".

Para Irmã Annette, a segunda convicção decorre da primeira. "Uma paixão autêntica é comunicativa, contagiante. Viver hoje o núcleo da identidade significa pensar como nos ajudamos a alimentar esta paixão e a transmiti-la para as novas gerações de consagradas e consagrados".

Mística, comunidade e missão é o tripé que sustenta a Vida Religiosa Apostólica. "O que nos caracteriza, o que faz nossa identidade de religiosas e religiosos é como nós queremos ser comunidades de irmãs e irmãos em vista da missão e partilhar entre nós a experiência do rosto de Deus que se revela nesta missão", argumentou.

O Seminário que acontece desde ontem, dia 23, encerra suas atividades nesta segunda-feira, 27, com sugestões para a XXIII Assembleia Geral Eletiva da CRB marcada para julho de 2013 em Brasília - DF.

Fonte: Assessoria de imprensa CRB

08/02/2012

Aprendi que o amor é o fim - Mike

Não sempre que precisamos explicar algumas coisas que são claras e visíveis; embora, outras parecem, mas não são. É pela esta postura que tomo a explicar o meu querido anexo de todos os meus emails. “o amor como fim e não como começo...”

Por que sempre digo assim:
O amor corre mais rápido do que os acontecimentos que estão no seu caminho. Na vigência do amor, as pessoas vão até o fim das outras muito rapidamente, passando por cima, ambas, de aspectos, maneiras de ser e comportamentos do ser amado.

O amor é uma corrida apressada até o fim e o mais alto do outro. Só depois de, se lá chegar, e viver, e ser, e gozar, e sentir, começam os percursos e percalços da volta, retorno às partes que se tornaram retardatárias, mas existem e se movimentam.

É como o curso de um rio que desemboca no próximo e reflui. Na vigência explosiva ou hipnótica do amor, chega-se logo, e com deslumbramento, ao fim do curso. Aí, há o refluxo. A água volta à origem e no retorno vai passando por partes que ficaram submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas passaram aceleradas e torrenciais.

O amor é um começo pelo fim, no qual o meio vem sempre depois com as suas insuperáveis leis. Por isso, corre mais rápido do que as veredas que estão no seu caminho. A vivência de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar, depois de ter chegado ao fim, ao auge, ao máximo.

O amor verdadeiro e duradouro é o preço desse retorno sobre si mesmo e a complementação de tudo o que estava no caminho e foi superado pela velocidade e intensidade das águas-paixão. Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão. Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser e se escondem aspectos menores e restritivos, os defeitos e imperfeições.

Difícil, portanto, não é a chegada ao fim: é viver os vários refluxos, pois neles estão escondidas as depressões suficientes (ou não) para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce, na medida em que o refluxo permite descobrir, com mais calma, as partes lindas de cada um, os remansos, as terras fecundas do afeto, as voltas sinuosas, os jardins de paz e de cada existência. As partes férteis de cada ser.

É quando o amor deixa de ser muito bom, para ser mútuo bom. E o amor só é muito bom quando, depois de ter chegado ao máximo (no sentido de ápice, extremo), volta-se sobre si mesmo num refluxo enriquecedor e aumenta depois que passa a ilusão

O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.

“On Death and Dying“

The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end.   When ...