06/11/2010

Brazilian Sister Dulce to Be Beatified Soon

The archbishop of Salvador announced last week that Sister Dulce, a Brazilian religious who dedicated her life to the poor, will be beatified soon.

Cardinal Geraldo Majella Agnelo made this announcement Oct. 27 at the headquarters of Obras Sociais Irma Dulce (The Charitable Works Foundation of Sister Dulce) in Salvador. He said that before the end of the year the beatification process will be completed and the date of the ceremony will be made known.

The archdiocese reported that last week, a scientific commission of the Holy See approved a miracle attributed to the intercession of the religious, which was a decisive step for the process of beatification. The decree on the miracle was submitted to Benedict XVI, and is pending his approval.

The cardinal explained that Sister Dulce is an example for Christians, and that her life history is what justifies her beatification and the process of canonization.

He said, "Every saint is an example of Christ, as it was in [Sister Dulce's] case; that daily dedication throughout her life to the poor and the suffering."

The beatification cause of Dulce Lopes Pontes (born Maria Rita), a Brazilian sister of the Congregation of the Missionary Sisters of the Immaculate Conception of the Mother of God, was initiated in January, 2000 by Cardinal Agnelo. The following year, the process was handed over to the Congregation for Saints' Causes.

Sister Dulce, a native of Salvador, died in 1992 at age 78. She carried out a vast work of assistance to the poorest, especially in the field of health case.

In 1988 she was proposed as a candidate for the Nobel Peace Prize. In 1991, already on her deathbed, she was visited by Pope John Paul II during the Pontiff's second trip to Brazil.

Fonte: Zenit

04/11/2010

OS SANTOS PREPARAM O REINO - Por José Luiz Gonzaga do Prado

32º DOMINGO TC. / TODOS OS SANTOS
INTRODUÇÃO GERAL
A Solenidade de Todos os Santos é tão importante, que tem precedência sobre o domingo do tempo comum. Celebra todos os santos, não só os canonizados. A canonização de um santo é algo custoso em todos os sentidos, e muitos e muitos de nossos pobres perseguidos, que contribuíram fortemente para o advento do reinado de Deus no mundo, não deixaram recursos suficientes para serem canonizados. De dom Oscar Romero, ainda não canonizado em razão de protelações no processo, até as humildes, analfabetas e desconhecidas donas Sebastianas, todos os santos são comemorados hoje.
Eles mereceram ser assinalados para que escapassem da segunda morte, a morte definitiva. Os trabalhos de sua vida, quando não sua morte em favor das vítimas deste nosso mundo, uniram-nos ao sangue do Cordeiro e deram-lhes a faixa de campeões e o troféu da vitória. Viveram como fiéis filhos de Deus. Essa grandeza de serem filhos de Deus, a qual procuraram preservar contra tudo e contra todos, agora se abriu, como o botão de uma rosa, na glória de Deus. Entre eles, pobres e perseguidos que enxugaram as lágrimas dos que choravam, mataram a fome dos famintos da verdadeira justiça, tornaram senhores os que não eram ninguém neste mundo. Fizeram a sua parte, construíram a verdadeira paz.
COMENTÁRIOS DOS TEXTOS BÍBLICOS

I leitura (Ap 7,2-4.9-14)
O livro do Apocalipse foi escrito para dar esperança a comunidades cristãs da Ásia Menor, comunidades pobres e vítimas de perseguição. Eram perseguidas por não adorarem o império.
Em cidades da Ásia Menor é que tinha surgido o primeiro templo dedicado à deusa Roma, ali é que estava “o trono de satanás”, o lugar onde se cultuava a imagem do divino imperador, o “deus acessível”. Quem participava desse culto recebia uma marca que lhe abria todas as portas. Quem não participava, além de excluído, poderia ser até mesmo condenado à morte. Os cristãos não participavam e por isso eram marginalizados e perseguidos.
Chamava-se João o missionário itinerante que animava essas comunidades, incentivando-as a não ceder ao culto do império. Por isso ele foi preso na ilha de Patmos e de lá envia o escrito, numa linguagem que os pobres e perseguidos poderiam entender e as autoridades do império não. Dá-lhes ânimo e aumenta-lhes a autoestima.
No trecho que vamos ouvir na primeira leitura de hoje, ele fala de uma visão do céu. Multidões, milhares de cada clã (12), de cada uma das doze tribos (12x12=144) do povo hebreu que não cederam ao culto imperial, recebem outra marca que não os deixa ser vítimas do castigo que virá para os opressores. Além deles, estão presentes também as multidões incontáveis dos santos de todas as outras tribos e nações.
Todos são vencedores, vestem mantos brancos, a cor dos vencedores nas competições esportivas – poderíamos dizer hoje: trazem a faixa de campeões –, e têm o troféu, a palma, nas mãos. Não cultuaram Roma e o imperador, agora cultuam a Deus e ao Cordeiro. De onde vieram eles? Vieram da grande tribulação, a pobreza unida à exclusão social e à perseguição. Sua morte, seu sangue, unida ao sangue, morte, do Cordeiro, deu-lhes o manto branco da vitória. A resistência até a morte deu-lhes a vidasem fim.
II leitura (1Jo 3,1-3)
Os que nós chamamos de santos e hoje celebramos são os nossos irmãos que estão na glória. Como diz a segunda leitura de hoje, a graça de ser filhos de Deus, o botão que estava dentro deles, já se abriu em flor. Essa graça, esse dom de amor do Pai em nosso favor, faz-nos diferentes, como o mundo distante do Pai não é capaz de entender.
Falta-nos hoje apenas aquilo que não falta aos santos que celebramos: ver Jesus Cristo. Só nos falta o ver segundo o conceito joanino de experimentar, conviver, ter comunhão plena com o Filho, Jesus. Isso nos tornará totalmente semelhantes a ele. E é essa convicção que nos faz manter-nos distantes do mal, tal como ele fez e como todos os santos fizeram.
Evangelho (Mt 5,1-12a)
Um detalhe, geralmente não observado na maioria das traduções, faz grande diferença na interpretação do evangelho de hoje. Trata-se da primeira frase. Em geral, dizem as traduções: “Vendo as multidões”. O tempo do verbo grego utilizado (aoristo), porém, pede que se traduza: “Tendo visto as multidões, Jesus subiu à montanha...”. Foi porque viu aquelas multidões que Jesus subiu à montanha e passou a dar a instrução aos discípulos, como Moisés, da montanha, deu ao povo a Lei ou Instrução de Deus. À vista das multidões, ele faz o Sermão da Montanha.
Que multidões eram essas? Eram as multidões de sofredores da Judeia e da Galileia, como também de fora, que, no final do capítulo 4, vinham buscar em Jesus uma solução para os seus problemas. Podemos dizer que são toda a humanidade sofredora. Por causa dela, para benefício dela, Jesus se senta como mestre, rodeado pelos discípulos, sobre uma montanha que lembra o monte Sinai. Ele instrui os discípulos não para que estejam voltados para o próprio umbigo, mas para que cuidem das multidões sofredoras que acorrem de toda parte.
Isso ajuda a entender a instrução. Notar que, das oito bem-aventuranças básicas, a primeira e a última se referem ao tempo presente: “deles é o reino dos céus”.
É preciso ter bem claro que “reino dos céus” não é o céu, a glória eterna. “Reino dos céus”, frequente no Evangelho de Mateus, é o mesmo que reino ou reinado de Deus. Ele começa aqui na terra, onde o que se liga ou desliga é confirmado no céu; assemelha-se ao campo de terreno bom e terreno ruim, à rede que pega peixes bons e maus, à lavoura onde o joio se mistura ao trigo. Só o respeito judaico pelo Nome o faz ser substituído pela palavra céus. A eles, aos pobres e aos perseguidos, pertence, portanto, o reinado de Deus, que tem início aqui na terra.
Os primeiros são os “pobres por espírito”, isto é, por força interior, por convicção, e os últimos são os “perseguidos por causa da justiça”, perseguidos por buscarem a justiça do reinado de Deus, tema caro a Mateus. Assim, os pobres e os perseguidos, de certo modo, identificam-se. E quem diz que aquele que aceita a pobreza, que não faz caso do dinheiro, não incomoda e não sofre por isso? Mas desses é o reinado de Deus; eles é que estabelecem o reinado que não é dos césares nem do dinheiro. São os santos que hoje celebramos.
Nas bem-aventuranças seguintes estão as consequências disso. Os que agora estão chorando mais adiante vão parar de chorar, serão consolados. Os que têm fome e sede de ver acontecer a verdadeira justiça hão de matar essa fome. Os carentes, em geral traduzidos por “mansos”, os que não são ninguém, que não têm vez nem voz, serão senhores, serão os donos da terra.
Na sequência, outras três bem-aventuranças: os que colaboram, ou seja, os que têm misericórdia, os que têm intenções retas (“coração puro”) e os que promovem a paz ou felicidade plena também terão sua recompensa. São a quinta, a sexta e a sétima bem-aventurança.
Voltando-se depois para os discípulos, nós e os santos hoje festejados, Jesus nos diz felizes porque perseguidos. É pena que o Lecionário tenha cortado o final do v. 12, que dá o motivo da bem-aventurança da perseguição: “porque foi assim que sempre trataram os verdadeiros profetas”. Quem não é perseguido, quem não incomoda os senhores deste mundo, sejam pessoas ou instituições, não é profeta, não é santo.
DICAS PARA REFLEXÃOSão oito as bem-aventuranças. Oito está além da plenitude, que é o sete. Oito é Jesus Cristo, só ele vai além da plenitude. Ele é o primeiro pobre por opção e o primeiro mártir, o primeiro perseguido. Só ele põe os fundamentos do reinado de Deus. Só ele tira os pecados do mundo. Na cruz, o príncipe deste mundo, o que manda neste mundo, é posto para fora.
Nossos irmãos, os santos, “lavaram seus mantos no sangue do Cordeiro”, alcançaram a vitória, assemelhando-se à pobreza e à perseguição de Jesus.
Quando, na eucaristia, celebramos a morte do Cordeiro pascal, com ele celebramos o martírio, os trabalhos e a pobreza dos santos de ontem e de hoje. O pão e o vinho partilhados, que celebram o horizonte da comunhão perfeita e plena, sem lágrimas, sem fome e sem exclusão, significam também a pobreza de quem se parte em pedaços e a coerência que torna capaz a resistência à mais cruel perseguição.
Feliz não é o rico, o que tem tudo, mas não tem a si mesmo, pois pertence ao seu dinheiro.
Feliz não é o elogiado por todos, o aprovado por todos os poderosos do mundo, aquele que por ninguém é perseguido, porque nada tem para dizer, em nada colabora, nada acrescenta, só sabe negar-se a si mesmo e à própria consciência para agradar aos que podem. Parece agradar a todos, só não agrada a si mesmo.
Felizes são o pobre e o perseguido, e, com eles, muitos outros também serão felizes. Isso é ser santo.

Fonte: VIDA PASTORAL.

03/11/2010

A noção de sexo entre iguais é uma contribuição lésbica ao pensamento ocidental - Por IHU Online

A teóloga feminista Mary Hunt é co-fundadora e co-diretora da Women's Alliance for Theology, Ethics and Ritual (WATER) em Silver Spring, Maryland, USA. Mulher participante nos movimentos de mulheres da Igreja Católica, ela colabora e escreve sobre teologia e ética. Hunt aceitou conceder uma entrevista exclusiva para a revista IHU On-Line no intuito de contribuir com o debate que levantamos na matéria de capa da edição desta semana: diversidade sexual.

IHU On-Line - O que a senhora entende por teologia lésbica feminista? O que distingue essa teologia?

Mary Hunt
- A teologia feminista é uma reflexão crítica em experiência da perspectiva daqueles que priorizam o bem-estar das mulheres e crianças dependentes em um mundo injusto. Lésbicas (e devo acrescentar libertação, que deixa clara a marginalização, mulheres excluídas, especialmente mulheres lésbicas) têm uma importante perspectiva que precisa ser incluída na reflexão teológica. Não há grande coisa que essa teologia tenha escrito ainda. Eu, por exemplo, escrevi um artigo intitulado “Teologia feminista lésbica”, p. 319 – 334  reivindicando que alguns assuntos que precisam de atenção são expressão sexual lésbica, maternidade compartilhada, chamada lésbica à santidade. Meu texto é mais um esboço para um retrato do que um produto acabado, mas ajuda a apontar onde o trabalho precisa ser feito.

Bernadette Brooten  produziu textos úteis sobre mulheres lésbicas no período do cristianismo antigo, argumentando que foi a falta de uma parceria dominante/submissa na presença de duas mulheres que fez da prática sexual lésbica uma prática transgressiva. O padrão comum era, claro, um homem dominante e uma mulher submissa, ou até um homem dominante (normalmente mais velho) e um homem submisso (normalmente mais novo). Poder-se-ia argumentar que a noção de sexo entre iguais é uma contribuição lésbica ao pensamento cristão ocidental.

IHU On-Line - Existe uma exclusão da experiência lésbica na teologia moral católica sobre homossexualidade?

Mary Hunt
- A maioria das teologias católicas sobre homossexualidade é baseada na experiência, na anatomia e no agenciamento masculino. Existem algumas referências em cartas recentes de bispos norte-americanos, por exemplo, de lésbicas junto com homens gays, mas que eu saiba não há, virtualmente, nenhuma referência específica à expressão sexual lésbica. (Continue lendo...)

“O natural não é ser homem ou mulher”. A dissolução da identidade - Por Márcia Junges

Para a historiadora Margareth Rago,
o pensamento do filósofo francês pode nos ajudar a
compreender as pessoas sem catalogá-las através de “etiquetas sexuais”.
Afinal de contas, não se nasce homem ou mulher, afirma.

Mais do que deixar de lado a identidade, e dividir a população pura e simplesmente entre homens e mulheres, Michel Foucault e o movimento queer nos inspiram a dissolvê-la, a conviver com o incerto, o inclassificável e o inominável. “É muita falta de criatividade de nossa parte ficar catalogando, classificando as pessoas”, alfineta a historiadora Margareth Rago, na entrevista que concedeu, por telefone, à IHU On-Line. Além disso, continua, essa necessidade de rótulos revela “uma tremenda insegurança”, que só reitera a exclusão, o estigma, o sexismo, o racismo e o ódio. É por isso que o transgênero assusta tanto, avalia Rago. “Ele foge às etiquetas com as quais estávamos acostumados a distribuir e identificar as pessoas. O natural não é ser homem ou mulher”.

As conquistas e desafios do feminismo são outro tema debatido na entrevista. Para Rago, vivemos profundas transformações nas relações de gênero, mas ainda há muito em que progredir. A violência de gênero, por exemplo, não diminuiu, mas ganhou visibilidade na mídia. Por outro lado, homossexuais e mulheres deixaram de ser tão estigmatizados e já têm espaços conquistados e garantidos a cada dia. Aquele pensamento de que a mulher era um ser inferior, impedido de certas profissões e marcado por comportamentos muito mais emocionais do que racionais ruiu há tempo, garante Rago. Já os homossexuais, tidos como anormais e patológicos no passado, hoje têm mais espaço e respeito na sociedade.

Graduada em História pela Universidade de São Paulo (USP), Margareth Rago é mestre e doutora em História pela Universidade de Campinas (Unicamp) com a tese Os Prazeres da Noite. Prostituição e códigos da sexualidade feminina em São Paulo, 1890-1930 (2ª ed. São Paulo: Paz e Terra, 2008). É pós-doutora e livre-docente pela Unicamp, onde é professora. Entre outros, é autora de Foucault: para uma vida não fascista (Belo Horizonte: Autêntica, 2009), Feminismo e anarquismo no Brasil. A audácia de sonhar (Rio de Janeiro: Achiamé, 2007) e Do Cabaré ao Lar. A utopia da cidade disciplinar (3ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1997). Em 16 de junho, apresentou a conferência Michel Foucault e a escrita de si nos feminismos contemporâneos, dentro da programação do Seminário Michel Foucault – Corpo, sexualidade e direito, promovido pela UNESP/Marília.

Confira a entrevista.

Mulher presidente ou presidente mulher? - Por Flávia Tavares

          O vocabulário do brasileiro ainda não deu conta da novidade. A partir de hoje, os eleitores se dividem entre os que chamam Dilma Rousseff (PT) de "presidente" ou "presidenta". Não há unanimidade sobre se ela é a primeira mulher presidente ou a primeira presidente mulher do Brasil. O fato é que a petista colocou, pela primeira vez, as mulheres no mais alto posto da República. E o vocabulário certamente se adaptará ao novo cenário.
           A reportagem é de Flávia Tavares e publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo, 01-11-2010.
A chegada de Dilma ao poder foi construída com base em ambiguidades na questão de gênero. A campanha da petista se apropriou de imagens intrinsecamente femininas, embora ultrapassadas. Associou a candidata ao título de "mãe do PAC" ou de "mulher do Lula" e tornou Dilma uma sucessora palatável, já que "subalterna" ao futuro ex-presidente. "Isso foi intencional. Se o continuador fosse um homem, parte do eleitorado, sobretudo o masculino, poderia achar que o sucessor logo teria autonomia e se desligaria de Lula", explica Fátima Pacheco Jordão, diretora do Instituto Patrícia Galvão, socióloga e especialista em pesquisas de opinião. Ela lembra que Dilma foi trabalhada para ser feminina "na aparência física, na contemporaneidade de seu cabelo". "Ela foi se aperfeiçoando para ser mais feminina e não para se transformar numa ‘coronela’."(continue lendo...)

02/11/2010

Pray and Support the Clergy

Christians should ensure that they pray and support the clergy, a Kenyan Catholic bishop has said.

Bishop Virgilio Pante of Maralal Diocese said this on October 30 during the deaconate ordination ceremony at the Consolata Shrine in Nairobi where he presided over the mass.

Bishop Pante said that newly ordained priests need a lot of prayers and support to manage the religious life ahead of them and described priesthood as a gift from God.

“But we must ensure that those admitted in the religious life are fully supported and prayed for,” he stressed.

The bishop called on the newly ordained deacons to commit their lives fully to their new religious life and reminded them that new life had challenges to face.

However, he assured them that prayers and hard work will see them through.

The bishop also thanked the parents of the new deacons for allowing their sons to join religious life.

During the colourful ceremony, ten seminarians, seven from Consolata and three from the Passionists Missionary Society were ordained deacons.

Among those who attended the ordination include: Regional Superior of Consolata Missionaries, Fr. Franco Cellana, Vice Superior of the Passionists, Fr. Nicholas Obiero, Mozambique High Commissioner to Kenya, Manuel Goncalves and the Colombian Ambassador to Kenya, Maria Victoria Diaz.

The newly ordained deacons were drawn from Kenya, Ethiopia, Mozambique and Colombia.


Fonte: CISA

01/11/2010

Visão cristã da morte - Jaime C. Patias *

No dia 2 de novembro fazemos memória dos que nos precederam, os finados. Que sabemos nós sobre o mistério da vida e da morte? Os diversos sinais de vida e morte presentes na sociedade contemporânea podem nos ajudar a refletir sobre a nossa missão de peregrinos nesse mundo. Criados à imagem e semelhança de Deus, carregamos em nossa realidade de humanos, traços visíveis daquele que nos criou. Deus quis estar representado na pessoa humana que, por sua vez está profundamente vinculada a Ele.

Ao mesmo tempo carregamos em nosso ser necessidades, desejos, limitações, tensões... e estamos sujeitos às realidades do mundo.Um dos segredos do dinamismo do sistema capitalista moderno é a acumulação de riquezas, de mercadorias, como o único ou melhor caminho para satisfazer o desejo de ser, poder e aparecer. Acontece, porém, que o pensamento econômico não trabalha com as necessidades, o que seria limitado, mas sim com o desejo, que não tem limites e por isso, nunca consegue ser saciado. Nesse sistema, a satisfação prometida é ilusória e imediata, destinada a preencher um vazio no ser humano (consumidor) que quanto mais consome, mais vazio se sente.

Dessa forma, é preciso inventar continuamente novas ofertas num processo infinito e auto-regulador. Desaparece a noção de limite para as ações humanas e surge a idéia de que "querer é poder". Vivemos tão preocupados em ter casas, carros, fortunas, status, aparência...Vamos acumulando medo de perder, de envelhecer, de morrer... vem a insegurança, as angústias... Apesar de não estarmos completamente convencidos dos momentos de prazer que o dinheiro compra, acreditamos que possuindo alcançaremos a felicidade e viveremos neste mundo para sempre. Surge o mito da erradicação da morte.

Podemos dizer que a pessoa, imagem de seu Criador, vive numa encruzilhada entre dois verbos: o "ser" e o "ter". Mas é diante da morte que o enigma da condição humana atinge seu ponto mais alto. No final da nossa passagem por este mundo o verbo "ter" revela-se muito pobre: não nos é possível levar nada daquilo que acumulamos, consumimos ou parecemos ser ao usar este ou aquele produto de marca. Isso porque a nossa vida pertence a Deus, que no seu amor nos chamou à existência, e não ao mercado que quer dominar e nos possuir. O que conta mesmo é o verbo "ser": o que somos de fato e o que somos na transparência do nosso interior. Na morte seremos o que fizemos de nós mesmos durante nossa vida terrena. Levo o que sou, eis o que importa.

Para o mercado, a morte é dolorosa como um fim de festa. Daí todo o esforço da sua negação. Até falar da morte é proibido, virou tabu. Para o ser humano, a morte é um fim "plenitude" e um fim "meta alcançada". Devemos sempre iluminar o mistério da morte cristã com a luz de Cristo Ressuscitado. E para os que morrem na graça de Cristo, é uma participação na morte do Senhor, a fim de poder participar também de sua ressurreição. A morte, sendo o fim normal, recorda-nos que temos um tempo limitado para realizar a nossa vida. Graças a Cristo, a morte cristã tem um sentido positivo. "Para mim, a vida é Cristo, e morrer é lucro" (Fi 1, 21). Na pessoa de Jesus ressuscitado, Deus se revela aquele que ressuscita os mortos. Da mesma forma como ressuscitou Jesus, Deus nos ressuscitará também.

* Jaime Carlos Patias imc, diretor da revista Missões e mestre em comunicação.

Fonte: Revista Missões

Sentido da vida e da morte - Canísio Klaus *

Iniciamos o mês de novembro com as comemorações do dia de todos os santos e do dia dos finados. Estas duas datas nos fazem refletir sobre a vida e a morte.

Há vários sentidos que podemos dar à vida. Para alguns, viver é possuir, é ter sucesso, é ir superando as dificuldades no dia-a-dia; para outros, é amar e lutar por causas justas. Temos de escolher.
Não é possível abraçar, ao mesmo tempo dois sentidos opostos. Jesus nos alertou: "Não se pode servir a dois senhores. Porque ou odiará um e amará o outro, ou será fiel a um e desprezará o outro" (Mt. 6, 24).

Assim a grandeza ou a mesquinhez de uma pessoa depende do sentido que ela vai dando à vida. Daí a pergunta fundamental: Qual a maneira mais autêntica de viver a vida?
Para responder, não é preciso estudar livros nem participar de enfadonhas palestras. É preciso sim, escutar a vida com suas aspirações, seus sonhos, suas lutas, suas derrotas e suas vitórias.

Vida autêntica é aquela que responde aos anseios mais verdadeiros do ser humano. São anseios de felicidade, de paz, de liberdade, de vida honesta, sincera e solidária. São anseios de amor, de serviço, de doação e de gratuidade. Portanto, vida autêntica é sair da mesquinhez rasteira, rotineira e indiferente. É abraçar e assumir um projeto de vida verdadeira. É voar nas asas da liberdade verdadeira e da vida plena; é ter objetivos e projetos autênticos; "é ter mil razões para viver, é ter uma causa a que dedicar a vida" (Dom Hélder Câmara).

A vida autêntica é marcada pela luta em favor da dignidade humana, da ética, e contra sistemas corruptos e mentirosos. É ter firmeza e ternura, honestidade e coerência. É ter, ainda, coragem da verdade para anunciar e denunciar; ser capaz de opções firmes a serviço dos grandes valores da vida humana.
A partir do verdadeiro sentido da vida é que encontramos o sentido da morte. É verdade que, para alguns, a morte é assunto que incomoda; quanto mais longe, melhor. Preferem ignorar, esquecer, adiar.

Muitos planejam a vida como se a morte não existisse. Porém o cristão como todo ser humano, pode sentir medo da morte, mas jamais entende a morte como o fim de tudo. Cremos que a vida nunca terminará, pois a morte não é o fim de tudo, mas a conclusão de uma etapa da vida. A fé cristã nos ensina que com a morte continuaremos vivendo em Deus, com uma vida transformada. "Esta é a vontade do meu Pai: que todo homem que vê o Filho e nele acredita, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6, 40).

* Dom Canísio Klaus é bispo da Diocese de Santa Cruz do Sul.

Fonte: www.cnbb.org.br

31/10/2010

Alguns dos mais cultuados santos católicos no Brasil

Eles se entregaram de corpo e alma à fé cristã. Abdicaram de conforto e bens materiais e dedicaram suas vidas a ajudar pobres, doentes e injustiçados.

Esses homens e mulheres considerados santos pela Igreja Católica atraem a devoção dos 118 milhões de brasileiros católicos, ou 61% de uma população de 194 milhões com suas histórias de sacrifício.
A mais cultuada é, se dúvida, Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida, um dos nomes dados a Maria, a mãe de Jesus, e a padroeira dos católicos no Brasil. Sua festa é comemorada todo dia 12 de outubro, que cai na próxima terça-feira.

Conheça a biografia dela e de alguns dos mais cultuados santos católicos no Brasil.

Nossa Senhora AparecidaNascimento: Jerusalém, Israel, 15 a.C
Morte: Não há registros históricos; a tradição cristã diz que ela teria morrido no ano 42 d.C.
Santuário: Aparecida do Norte, São Paulo, Brasil
História: Nossa Senhora da Imaculada Conceição Aparecida é o título católico no Brasil dedicado a Maria, mãe de Jesus Nazaré, e é a padroeira dos católicos brasileiros. É a santa com a maior quantidade de diferentes nomes na Igreja Católica. São conhecidos mais de mil. A devoção e o culto à Virgem Maria estão exuberantemente representados nas artes, como na escultura "Pietá", de Michelangelo e a composição musical "Ave Maria" de Franz Schubert. No Brasil, as obras de Aleijadinho são notáveis representações da Virgem Maria. Mas a famosa imagem de Nossa Senhora que deu origem a seu santuário foi uma estátua de autor desconhecido, feita de terracota e com 40 centímetros de altura, resgatada por três pescadores no rio Paraíba do Sul, em Guaratinguetá (SP), em 1717. Sua basílica em Aparecida (SP) foi consagrada pelo papa João Paulo 2º em 4 de julho de 1980 como o maior santuário mariano do mundo. Uma festa em sua homenagem é comemorada anualmente no dia 12 de outubro, feriado nacional. O maior movimento já visto nesse feriado foi em 1996, com 215 mil romeiros. Mas o recorde anual foi registrado em 2009, quando o santuário recebeu 9.554.485 visitantes. Outra festa importante é a que homenageia um outro "nome" da santa: Nossa Senhora de Nazaré. A procissão Círio de Nazaré é celebrada todo segundo domingo de outubro, em Belém do Pará, desde 1793, e é considerada a maior manifestação católica do mundo. No ano passado, o evento atraiu 2 milhões e 200 mil pessoas.

São Francisco de AssisNascimento: Assis, Itália, em 1182
Morte: Assis, em 3 de outubro de 1226
Santuário: Basílica de São Francisco, inaugurada em 1230 em Assis, que guarda as suas relíquias e abriga o seu túmulo
História: Depois de uma juventude inquieta e mundana, Giovanni di Pietro di Bernardone, a quem Dante Alighieri descreveu como "uma luz que brilhou sobre o mundo", voltou-se para uma vida religiosa de completa pobreza. Fundou a ordem mendicante Frades Menores, mais conhecida como franciscanos, que renovaram o catolicismo do seu tempo. Para muitos foi a maior figura do cristianismo desde Jesus. Alguns estudiosos afirmam que a visão positiva que tinha da natureza e do homem foi uma das forças que levaram à formação da filosofia da Renascença. Foi canonizado pelo papa Gregorio 9 em 6 de julho de 1228. A cidade de Canindé, a 126 quilômetros de Fortaleza (CE), realiza a maior romaria franciscana no Brasil, atraindo dois milhões de romeiros todos os anos. A cidade possui a maior estátua de São Francisco no mundo, com 30,25 metros. Francisco também se tornou nome de cidades, como San Francisco, nos EUA, e de rios, como o Rio São Francisco, no Brasil. Por seu apreço à natureza é mundialmente conhecido como santo patrono dos animais e do meio ambiente.

Santo Antonio de PáduaNascimento: Lisboa, em 15 de agosto de 1195
Morte: A caminho de Pádua, na Itália, em 13 de junho de 1231
Santuário: Basílica de Pádua, Itália, onde repousam seus restos mortais
História: Fernando de Bulhões foi canonizado em 13 de maio de 1232 pelo papa Gregório 9, no processo de canonização mais rápido de toda a história da Igreja Católica. Trocou o nome para Antonio em 1220, quando ingressou na ordem Franciscana. Sua veneração é muito difundida nos países latinos, principalmente Portugal e Brasil. Padroeiro dos pobres e casamenteiros, pois segundo a lenda era um excelente conciliador de casais, é também invocado para encontro de objetos perdidos. Em várias cidades portuguesas e brasileiras o dia 13 de junho, data de sua morte, é feriado municipal. As famosas festas juninas do Brasil tiveram origem nas festas dos santos populares em Portugal: Santo Antonio, São João e São Pedro. O município de Borba (AM), distante 155 quilômetros de Manaus, possui a Basílica de Santo Antônio de Borba - a primeira da América Latina e a quinta do mundo a possuir alguns dos restos mortais de Santo Antonio. A festa do santo nessa cidade é considerada a maior do Estado do Amazonas.

Santo ExpeditoNascimento: Armênia, fim do século 3
Morte: 19 de abril de 303 d.C., em Metilene, na atual Armênia
História: Antes de se converter ao cristianismo, Expeditus foi o comandante da 12ª Legião Romana, que tinha como função primordial defender as fronteiras orientais do Império Romano dos ataques dos bárbaros asiáticos. A sua conversão despertou a ira do imperador Diocleciano. Foi flagelado até sangrar e depois decapitado. O culto ao santo chegou ao auge no século 18 na Europa. No Brasil, o legionário romano ganhou sua primeira igreja em 1942, em São Paulo, e passou a ser popular a partir de 1983 quando o radialista Eli Correa, na rádio América, passou a divulgar as graças alcançadas pelos ouvintes. Na capela de Jaçanã (SP) passam mais de 300 mil pessoas na data festiva do santo, dia 19 de abril. Crê-se que Santo Expedito ajuda pessoas com problemas urgentes e de dificil solução. Também é protetor dos militares, estudantes, jovens e viajantes. No Brasil, o pagamento de promessas ao santo está associada a impressão e distribuição de milheiros de santinhos.

São Judas TadeuNascimento: Galiléia, atual Israel, no século 1 (data provável)
Morte: Suemir, atual Iraque, 28 de outubro d.C.
História: É um dos 12 apóstolos de Jesus. Também conhecido como Judas Lebeus. Irmão de Tiago e, segundo algumas crenças, primo de Jesus. Não deve ser confundido com Judas Iscariotes. Teria sido decapitado quando pregava no Iraque. Suas relíquias supostamente se encontram em Roma, e são veneradas até hoje. É o patrono das causas desesperadas e das causas perdidas, e também do time de futebol Flamengo. Em 25 de janeiro de 1940 foi criada a Paróquia São Judas Tadeu em São Paulo.

São JorgeNascimento: Capadócia, Turquia, em 275
Morte: Nicomédia, atual Izmit, Turquia, em 23 de abril de 303
Santuário: Igreja de São Jorge, Lida, Israel
História: De acordo com a tradição, São Jorge foi um soldado romano durante o império de Diocleciano. Sua memória é celebrada na data de sua morte. São Jorge caiu em desgraça quando questionou uma decisão de Diocleciano para que fossem mortos todos os cristãos. Por ordem do imperador, ele foi torturado das mais terríveis formas. Sua resistência ia convertendo cada vez mais soldados e até a própria esposa de Diocleciano ao cristianismo. Foi o que bastou para o imperador determinar a sua degola. A tradição diz que ele teria matado um dragão para salvar a filha do rei de Selena, na Líbia, e todos os habitantes desta cidade. O rei inglês Ricardo 1º, comandante de uma das primeiras Cruzadas, constituiu São Jorge como padroeiro daquelas expedições que tentavam conquistar a Terra Santa. Os ingleses acabaram adotando o santo como padroeiro do país, imitando os gregos, que trazem em sua bandeira a cruz de São Jorge. Durante a Segunda Guerra Mundial foi comum a distribuição de melhalhas com a imagem de São Jorge aos enfermeiros militares e às irmãs de caridade, que se sacrificaram ao tomar conta dos feridos de guerra. E, apesar de sua história se basear em documentos lendários e apócrifos, a devoção a São Jorge se firmou pelo mundo.

Santa EdwigesNascimento: Baviera, Alemanha, em 1174
Morte: Trzebnica, Polônia, 14 de outubro de 1243
História: Nascida Edwiges de Andechs, foi criada em ambiente de luxo e riqueza, o que não a impediu de ser simples e viver com humildade. Depois da morte do marido, o duque alemão Henrique da Silésia, entrou para um mosteiro e dedicou-se a ajudar os carentes e presidiários. Com seu próprio dinheiro construiu hospitais, escolas, conventos e igrejas. Ganhou a fama de protetora dos pobres e endividados. Foi proclamada santa pelo papa Clemente 4º em 26 de março de 1267. O dia 16 de outubro é dedicado a ela, quando o santuário de Santa Edwiges, no bairro do Sacomã, em São Paulo, recebe cerca de 40 mil fiéis.

São JoséNascimento: Belém, atual Cisjordânia, século 1 a.C., segundo a tradição cristã
Morte: Data desconhecida
História: Segundo a tradição, José foi designado por Deus para se casar com Maria, mãe de Jesus, e passou a morar com ela e sua família em Nazaré, uma localidade da Galiléia, Israel. Segundo a Bíblia, era carpinteiro de profissão, ofício que teria ensinado ao filho. Não se sabe a data de sua morte, mas ela é presumida como anterior ao início da vida pública de Jesus. Ele nunca chegou a ser canonizado, porém sua santidade foi endossada pela tradição e foi proclamado como "protetor da Igreja Católica Romana". Por seu ofício, é considerado um dos padroeiros dos trabalhadores, e pela fidelidade à sua esposa é conhecido também como "padroeiro das famílias". No Brasil comemora-se 19 de março como dia do santo. Em São José do Ribamar, no Maranhão, há uma estátua de 17,5 metros erguida para o protetor. A cidade recebeu este ano 250 mil romeiros. São José é a quem o povo nordestino recorre para pedir chuva. Se a água cai no dia 19 de março, isso é visto como sinal de fartura.

Santa Rita de CássiaNascimento: Úmbria, Itália, 22 de maio de 1381
Morte: Cássia, Itália, 1459
História: A mãe de Santa Rita de Cássia, Amata Serri, tinha 62 anos quando deu à luz. É uma das poucas santas que foi casada. Casou-se provavelmente aos 18 anos e teve os gêmeos João Tiago e Paulo Maria antes de entrar para o convento. O marido, Paulo Ferdinando, que era alcoólatra e a espancava, foi assassinado por inimigos. Os filhos morreram cerca de um ano após a morte do pai. Aos 38 anos Santa Rita iniciou a sua vida religiosa no Convento das Agostinianas, em Cássia, na Itália. Durante os últimos 15 anos de vida conviveu com uma grave ferida na testa. Morreu aos 78 anos. A santa das causas impossíveis foi canonizada no dia 24 de maio de 1900, embora em 1577 já se erguia uma igreja à santa em Cássia. No Brasil, a atual matriz de Santa Rita da Arquidiocese do Rio de Janeiro data de 1724.

Santa Terezinha do Menino JesusNascimento: Alençon, França, em 2 de janeiro de 1873
Morte: Lisieux, França, em 1897
Santuário: Basílica de Lisieux, França
História: Marie Françoise Théresé ingressou na ordem carmelita aos 15 anos, após obter autorização do Papa Leão 13. Em 1895 começou a escrever as suas memórias, que foram publicadas após a sua morte com o título de "História de uma Alma". O livro foi o responsável pela divulgação da vida e espiritualidade de Santa Terezinha no mundo inteiro, sendo traduzido em 58 línguas. Acometida de tuberculose, morreu obscura e anônima. Foi canonizada pelo papa Pio 11 em 1925. É considerada a maior santa dos tempos modernos, a quem coube mostrar o valor das pequenas coisas.

Fonte: D. Viotto.

Sincretismo une os santos católicos aos orixás africanos - Por Décio Viotto

As canções de Dorival Caymmi, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso e Gilberto Gil; os livros de Jorge Amado, as esculturas e os textos de Mestre Didi, as fotografias de Pierre Verger e o traço de Carybé mostram que a África do candomblé fica em Salvador, na Bahia. Nada mais justo para com o Estado que deu valor para a cultura trazida pelos escravos, elevou mães-de-santo à popularidade e transformou a lavagem da Igreja do Bonfim numa expressiva representatividade do sincretismo religioso.

Mas os cultos afro-brasileiros cresceram tanto que não ficaram restritos ao povo baiano, e estão presentes no Brasil de Norte a Sul. Eles são o resultado da mistura das tradições religiosas dos povos africanos, trazidos como escravos para o país, com elementos do catolicismo e dos indígenas. No período da colonização brasileira, mais de quatro milhões de africanos cruzaram o Atlântico. Provenientes de diferentes regiões da África, foram separados por nações e agrupados em senzalas, para evitar rebeliões.

Conheça os orixás
Isso resultou numa mistura de costumes, pois cada povo possuía suas próprias danças, cantos, santos e festas. Proibidos de praticar a sua religião, os africanos associavam seus rituais e divindades aos da igreja católica para "mascarar" seus cultos, produzindo um forte sincretismo religioso. As práticas daquela época acabaram impulsionando a formação de religiões cultuadas hoje em dia, como o Candomblé e a Umbanda, com forte penetração na Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Rio Grande do Sul.

Cada uma delas cultua os seus orixás, deuses africanos que correspondem a pontos de força da natureza. Os deuses no Candomblé estão divididos em quatro elementos - água, terra, fogo e ar. Alguns estudiosos afirmam que seria mais de 400 o número de orixás básicos, porém os mais conhecidos entre nós formam um grupo de 16 deuses. Para cada um deles, há um ou mais santos católicos correspondentes.

Porém, a associação depende da região do país, variando de acordo com a popularidade do santo no local, e também não é exata. Ao contrário dos santos católicos, os orixás são entidades com virtudes e defeitos e seus seguidores acreditam que eles conhecem o destino de cada um dos mortais.

Já a Umbanda, que é a soma de elementos do candomblé, do espiritismo e do catolicismo, também venera os orixás, mas representam essas divindades com imagens diferentes, além de cultuarem outros espíritos, como o preto-velho, o caboclo, o cigano e a pomba-gira. Nenhum deles aparece no candomblé. A Umbanda, apesar das suas raízes difusas, teria sido popularizada a partir do início do século 20, no Rio de Janeiro.

O batuque gaúcho
Mas não é nem na Bahia, nem no Rio de Janeiro, que se concentra o maior número de adeptos das chamadas religiões afro-brasileiras, mas no Rio Grande do Sul. Esse grupo inclui praticantes de candomblé, umbanda e uma variante gaúcha o batuque, nome dado pelos brancos ao culto dos orixás na época da escravidão. O batuque também é chamado de religião afro-gaúcha.

Segundo Everton Alfonsin, presidente da Federação Afro-Umbandista e Espiritualista do Rio Grande do Sul (FAUERS), são 40 mil terreiros em todo o estado. Na Bahia, a Federação do Culto Afro estima a existência de 4 mil terreiros. "A umbanda é muito forte no Sul do País", reforça Manuel Lopes, da Rede Brasileira de Umbandas (RBU). No censo de 2000, 1,63% da população do Rio Grande do Sul declarou o culto a religião dos orixás. O Rio de Janeiro é o segundo no ranking, com 1,32%, enquanto apenas 0,09% dos baianos se disseram adeptos de cultos afro-brasileiros.

As oferendas os orixás também variam conforme a região. No Sul, o acarajé cede lugar ao churrasco. Em vez da túnica, o pai-de-santo usa as bombachas brancas. Justificam seu uso pelo frio no inverno. Na Bahia, uma das razões que podem explicar o número baixo de seguidores é justamente o sincretismo religioso. No Estado onde até a mais famosa ialorixá Mãe Menininha do Gantois, quando era viva se declarava católica ("Bom, eu sou o que todos são: católica. Eu tenho separada a religião do candomblé"), é comum católicos em terreiros e seguidores do candomblé em igrejas. Além disso, em Salvador, muitos freqüentam os cultos com olhos de turistas.

Além dos espíritos vindos da África, há que ressaltar aqueles nascidos por aqui, produzidos talvez pelos medos dos fiéis católicos em cair no mundo negro e pecaminoso, como a Mula Sem Cabeça e o Esqueleto, entre outros. Enfim, o Brasil era como um purgatório, terra de degredo das bruxas e de outros pecadores europeus, que vinham pagar seus pecados sob o sol impiedoso, que fazia corar as senhoras e suar os padres, envoltos por seus quentes e pesados hábitos.

Apesar das adversidades, do confinamento inicial à população de escravos, da proibição da igreja católica e da criminalização por alguns governos, o candomblé prosperou nos quatro séculos e se expandiu desde o fim da escravatura, em 1888, e até atingiu um grau de profissionalização.

Em outubro de 2000, o Ministério da Previdência Social aprovou um parecer que determina o direito de aposentadoria aos sacerdotes e sacerdotisas das religiões de matriz africana em todo o país.

Cada um no seu terreiro
Os cultos às divindades são realizados nos chamados terreiros e dirigidos por um Pai-de-Santo (Babalorixá) ou Mãe-de-Santo (Ialorixá). Alguns rituais com oferendas de animais sacrificados aos orixás são restritos aos iniciados. Nos cultos abertos são feitas oferendas e consultas aos orixás por intermédio dos búzios jogados pelo Pai ou pela Mãe-de-Santo. O culto é marcado pelos diferentes ritmos dos atabaques e se diferenciam de acordo com o orixá cultuado.

O Candomblé não deve ser confundido com a Umbanda e a Quimbanda, seita religiosa de origem africana que, no Brasil, tomou o significado de magia negra em oposição à Umbanda, que representa as forças da magia branca. Na estrutura interna, as duas são muito parecidas, sendo que a quimbanda conservou o aspecto mais original da religião africana e voltou-se mais para os mitos de terror dos folclores pagão e ameríndio.

Enfim, são consideradas religiões afro-brasileiras todas as que tiveram origem nas religiões tradicionais africanas, trazidas pelos escravos ou que absorveram ou adotaram costumes e rituais africanos. As afro-brasileiras são uma parte das religiões afro-americanas e diferentes das religiões afro-cubanas, como a Santeria de Cuba, e do Vodou, do Haiti.

Fonte: Décio Viotto

“On Death and Dying“

The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end.   When ...