06/10/2010

Missão e Comunicação: Meios para evangelizar - Tatianne Lopes *

Há muitos anos a comunicação é uma ferramenta primária para a mensagem ser transmitida entre os povos. Sem ela, a missão também passada aos seres humanos estará comprometida, a missão do evangelho, a missão da partilha. E é na exposição das ideias e pensamentos que depende o domínio das boas normas de uma comunicação sempre verdadeira e transparente.

O que se vê é o número crescente de rádios e TVs que estão à disposição da Igreja dando suporte a sua tarefa de anunciar a Boa Nova, da vida plena, do bem comum. Levar o Evangelho às pessoas com a utilização dos recursos da comunicação com suas mídias sociais e alternativas é papel e responsabilidade de todos os cristãos que vivem em meio às transformações do mundo. Surgem novos conceitos de "vida", a ênfase dada para uma vida baseada no consumismo, o pensamento em si e não mais na coletividade. O ser humano, a cada dia, constrói o seu fim e pode parecer tarde para se dá conta e tentar salvar o seu bem mais precioso, a vida, presente de Deus.

E ainda em virtude da era da informatização, torna-se imprescindível um contato com os elementos que dela se tem para que haja uma contextualização dos métodos a serem buscados, tornando-os compatíveis com as exigências desse tempo. No entanto, a comunicação que objetiva levar uma mensagem que transforme a vida das pessoas não se faz por meio de um processo apenas técnico, mas, ela deve ser verdadeiramente espiritual.

Assim, a necessidade de uma linguagem capaz de carregar os sentimentos e a verdade, como deixou Cristo em seus ensinamentos, se faz cada vez mais presente na atualidade. Essa linguagem, além de ser simples deve conter uma força que faça transformar o coração e a vida de todos.
Os que querem ensinar a Palavra de Deus precisam vivenciar seu conhecimento e dela fazer sua experiência pessoal colocando-a em prática como ideal de vida e se entregado aos recursos da comunicação para dar voz ao Evangelho.

"Missão e Partilha" é o tema da Campanha Missionária, para o mês de outubro de 2010, quando será feita a tradicional coleta destinada ao Fundo Mundial de Solidariedade Missionária para financiar projetos de evangelização em diversas frentes. Uma das tarefas da comunicação a serviço da evangelização é divulgar a Campanha Missionária para incentivar gestos de partilha.

* Tatianne Lopes é jornalista. Assessoria de imprensa da CNBB.

Fonte: Imprensa Missionária

05/10/2010

Semana pela Vida: a vida é bela - Odilo Pedro Scherer *

Por decisão da CNBB, a Igreja no Brasil realiza cada ano, no início de outubro, a semana pela defesa da vida. Não é que somente nesta semana devamos fazê-lo, mas todos os dias, ao longo do ano inteiro. Os cristãos são chamados a escolher, amparar, defender e proteger a vida: "escolhe, pois, a vida", recordava-nos a Campanha da Fraternidade em 2008. Nós cremos no Deus da vida, que ordenou - "não matarás" -, e somos discípulos daquele que é vencedor da morte e restaurador da vida: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida".
O início de outubro nos traz boas motivações adicionais para manifestarmos nossa posição em defesa da vida, ameaçada de diversas formas, inclusive a vida humana. Estamos no início da primavera, uma explosão de vida, de cores e beleza. O papa Bento XVI, na encíclica Caritas in Veritate, nos adverte sobre a importância de preservar a vida e o meio ambiente no planeta Terra, nossa casa comum (cf. n. 48-50). Cuidar bem da natureza e da nossa casa comum é questão de justiça e solidariedade para com os demais seres que povoam este belo e abençoado paraíso da vida, talvez único no universo; é questão também de justiça e solidariedade para com as futuras gerações, para as quais não deveremos deixar em herança um mundo estragado e sem condições boas de abrigar a vida.

A Igreja também recorda, no dia 4 de outubro, São Francisco de Assis, poeta e cantor da natureza; ele, santo e alma pura, não se deixou corromper pela ganância e o egoísmo, que matam a vida; por isso podia dizer "mãe terra" e reconhecer em cada criatura um irmão e uma irmã; ele se reconhecia como filho querido do Pai muito amado, que fez boas todas as coisas e as abençoou. Por essa mesma razão, também o Papa Bento XVI nos diz na encíclica citada acima que a questão ecológica não deve ser o sonho de alguns ativistas e sonhadores, mas um assunto que envolve nossa fé em Deus Criador e nossos deveres morais. Respeitar e defender a vida é prestar homenagem ao Deus da vida. O contrário seria ofensa ao Criador e pecado contra os irmãos.

A semana de defesa da vida, porém, tem um significado específico para nós: Manifestamos nosso grito de alerta diante dos desprezos, ameaças e agressões contra a vida humana e, assim, queremos desenvolver mais e mais uma cultura favorável à vida humana. De muitas formas a vida humana é desrespeitada e ameaçada: pela miséria, que não permite viver dignamente; pelos vícios, que estragam a saúde e roubam a vida prematuramente; pela violência difusa, de tantas formas, onde muitas pessoas perdem a vida de maneira trágica; pelo aborto, que ceifa um número assombroso de vidas inocentes e indefesas. Não podemos ficar indiferentes diante da cultura da morte, que faz, inclusive, negócios muito rentáveis com o comércio de morte! Lembramos a advertência do Papa Bento XVI, na Fazenda da Esperança, no dia 12 de maio de 2007, contra os que tiram lucros vultosos do comércio da droga: deverão dar contas a Deus pelas vidas que fizeram perder em decorrência desse comércio de morte!

Muito grave é a questão do aborto provocado. Há projetos de lei para legalizar esta prática, até mesmo para que possa ser realizada com dinheiro público! Há mesmo quem argumente que isso é um "direito humano". Tirar a vida de seres humanos inocentes e indefesos seria um direito humano?! Fala-se em "despenalização", ou "descriminalização" do aborto, ou em "interrupção da gravidez", ou "parto antecipado". São formas de linguagem que escondem a realidade, mas o objetivo e a dura realidade é a mesma: A supressão da vida de um ser humano inocente e indefeso. A interrupção da gravidez, ou o parto feito antes de certo tempo de gestação levam inevitavelmente à morte do feto, ou bebê. Espalhou-se o uso da pílula do dia seguinte ("método contraceptivo de emergência"), que também pode ser abortiva se já houve fecundação após uma relação sexual.

Há quem argumente pelo direito que as mulheres teriam para decidir sobre seu corpo; tratando-se de uma gravidez, há nisso um equívoco primário, pois o feto ou bebê que a mulher traz no seu útero não é parte do seu corpo, mas é um outro corpo, diverso do dela; melhor dito, é um outro ser humano, diverso dela; a natureza da mulher recebeu de Deus a bela e gratificante missão de acolher a vida, de dar-lhe condições para nascer, de amparar e proteger esta vida frágil. Evidentemente, se somos contrários ao aborto, não significa isso que queremos a todo custo o castigo das mulheres que, por alguma razão, o praticam. Mas como proteger a vida nascente, se o aborto fosse legalizado? A defesa da vida, além disso, também requer a cobrança das autoridades para que o Estatuto do Nascituro seja aprovado quanto antes e que seja usado o rigor da lei contra as clínicas clandestinas (ou pouco clandestinas), que exploram o comércio do aborto, para tirar lucros.

Além disso, a defesa da vida nascente também requer, de nossa parte, o amparo e a solidariedade para com a mulher que gera um filho, ou tem uma gravidez problemática, ou até indesejada. A medicina, a psicologia e a assistência social podem fazer muito por ela, sem precisar fazer o aborto; as organizações da Igreja podem estar ao lado dela para ajudá-la. A semana pela defesa da vida deveria ainda ser marcada por homenagens às mulheres grávidas, ou que têm filhos pequenos; elas prestam um grande serviço à humanidade! Em nossas igrejas poderiam ser realizadas celebrações especiais para elas, inclusive previstas no ritual de bênçãos.
Dia 8 de outubro, por iniciativa da CNBB, é o Dia do Nascituro em todo o Brasil. Seja um dia para dizer: Bem-vindos à vida! Felizes são as mães de vocês! Sejam abençoados e abençoadas por Deus!

* Cardeal Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo.

Fonte: www.cnbb.org.br

04/10/2010

É POSSÍVEL CONHECER OUTRAS PESSOAS?

           Ao longo da história da humanidade, um número muito grande de pessoas buscou a compreensão e a explicação do “ser” humano, na tentativa de compreender como, e por que, o homem é como é, sente como sente, vive como vive.  Surgiram, e ainda surgem em nossos dias, inúmeras teorias que tentam explicar o ser humano. Algumas delas conservam a dualidade questionada no século XVII, outras tentam ser mais “atuais”. Ambas esbarram num problema que vai além dessa diferença do ponto de vista filosófico.  
É interessante notar que, nós, enquanto pessoas interessadas em conhecer as diversas concepções sobre o ser homem e que lidamos com pessoas no nosso dia a dia profissional, muitas vezes, sem nos darmos conta, somos profundamente pretensiosos e até mesmo onipotentes. Afirmamos que sabemos sobre as pessoas, sobre os seres humanos. Dizemos isso como se acreditássemos que algumas ideias lançadas sobre o homem, há séculos atrás, ou até mesmo há uma década, pudessem ter validade para se compreender este outro que está diante de nós.
Ai vem a pergunta: é possível conhecer outras pessoas? As ideias de CODE[1] são de um modo particular úteis e vale a pena considerá-las. Consegue-se distinguir oito aspectos da atividade cognitiva envolvidos no conhecimento de outras pessoas que nos dão um tipo paradigma de conhecimento muito diferente do tradicional:
1.  Existe um contraste entre as qualidades multidimensionais e de multiperspectivas de nosso conhecimento de outras pessoas e a simplicidade rígida do paradigma padrão de conhecimento; isto levanta uma questão para Code: por que elevamos um tal paradigma ‘standard’ ao status de paradigma exemplar?
2.   Conhecer outras pessoas exatamente pelas flutuações e pelas contradições da subjetividade, é um processo de comunicação sempre a caminho e interpretativo. Nunca pode ser fixado ou completado; e a fixação é no máximo, uma fixação num fluxo.
3.   Por causa do dito acima, generalizações – nem falando dos princípios universais – é uma tarefa arriscada. O conhecer outrem nos mantém em alerta quanto ao nosso conhecimento: a maior ou menor qualidade deste conhecimento constantemente confirma a necessidade de suspender ou de revisar o juízo.
4.  Alem do mais, compromissos ou envolvimentos pessoais e políticos não podem ser deixados de lados como neutros; neles exigem que as pessoas se conheçam entre si muito bem para poderem ir adiante.
5.  As posições de conhecedor e conhecido não são fixas: os dados do que se conhece de uma pessoa estão abertos a negociação entre o conhecedor e o conhecido, onde as posições de sujeito e de objeto estão, pelo menos em principio, permanentemente em mudança.
6.  Sob tais condições, nem a concepção de si e nem a concepção que o conhecedor tem (do outro) podem ser tidas por absolutas, a autoridade ou a referencia ultima.
7.  O processo de conhecer outras pessoas requer um constante aprendizado: como estar com elas, como corresponder-se com elas e como agir em relação a elas.
8.  O fato intrigante e central quanto ao processo de conhecer pessoas – e é a razão por que ele gera luzes para os problemas filosóficos do conhecimento – é que mesmo se alguém puder conhecer todos os fatos sobre outrem, ele ainda assim não o conhece como pessoa que ele é.




[1] SAMPSON, E.E. Celebrating the Other. New York : Harvester Wheatsheaf, 1993, .p. 104. Cf. CODE, L. What can she know? Feminist Theory and the Construction of Knowledge. Ithaca : Cornell University Press, 1991, p. 37-40.

Fonte: São Miguel Arcanjo

Hoje é Dia Mundial dos Animais

"Todos os animais nascem iguais perante a vida
e têm os mesmos direitos à existência"
Angop
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência
Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência


Hoje, 04 de Outubro, comemora-se o Dia Mundial dos Animais, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), para que as pessoas se lembrem daqueles que compartilham o planeta terra connosco.
O Dia é também de São Francisco de Assis, considerado o padroeiro dos animais e é comum encontrar nas sedes das entidades de protecção animal imagens do santo italiano.
Devido a relação de amor e respeito aos animais, a data serve também para comemorar o Dia Mundial dos Animais.
Francisco de Assis viveu na Itália entre os séculos XII e XIII. Durante a juventude, passou a trabalhar com um grupo de discípulos (que ficaram conhecidos como franciscanos), todos devotos da pobreza evangélica.
Ele tinha uma relação especial, de muito respeito com os animais. No Cântico das criaturas, São Francisco de Assis louva a Deus por todas as criaturas, o sol, a lua, as estrelas.
Há alguns anos, o Papa João Paulo II decretou São Francisco de Assis como o padroeiro da ecologia, pelo reconhecido amor a todas as criaturas.
Francisco de Assis foi sepultado em 4 de Outubro de 1226 e canonizado em 1228. Em comemoração à data, durante o mês de Outubro várias entidades de protecção animal organizam eventos sobre bem-estar animal e cerimónias de bênção aos animais.
Declaração Universal dos Direitos do Animal
Art. 1º - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Art. 2º - O homem, como a espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los ou violar este direito; tem obrigação de colocar os seus conhecimentos a serviço dos animais.
Art. 3º - Todo animal tem direito à atenção, aos cuidados e à protecção do homem. Se a morte de um animal for necessária, deve ser instantânea, indolor e não gerar angústia.
Art. 4º - Todo animal que pertence a uma espécie selvagem tem direito a viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático, e tem direito a reproduzir-se; toda privação de liberdade, mesmo se tiver fins educativos, é contrária a este direito.
Art. 5º - Todo animal que pertence a uma espécie ambientada tradicionalmente na vizinhança do homem tem direito a viver e crescer no ritmo e nas condições de vida e de liberdade que forem próprias de sua espécie; toda modificação deste ritmo ou destas condições, que forem impostas pelo homem com fins mercantis, é contrária a este direito.
Art. 6º - Todo animal escolhido pelo homem como companheiro tem direito a uma duração de vida correspondente à sua longevidade natural; abandonar um animal é acção cruel e repudiada.
Art. 7º - Todo animal utilizado em trabalho tem direito à limitação razoável da duração e intensidade desse trabalho, alimentação e repouso.
Art. 8º - A experiência animal que envolver o sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de experimentação médica, científica, comercial ou de qualquer outra modalidade; as técnicas de substituição devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Art. 9º - Se um animal for criado para alimentação, deve ser nutrido, abrigado, transportado e abatido sem que sofra ansiedade ou dor.
Art. 10º - Nenhum animal deve ser explorado para divertimento do homem; as exibições de animais e os espectáculos que os utilizam são incompatíveis com a dignidade do animal.
Art. 11º - Todo acto que implique a morte desnecessária de um animal constitui crime contra a vida.
Art. 12º - Todo acto que implique a morte de um grande número de animais selvagens, constitui genocídio, isto é, crime contra a espécie; a poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Art. 13º - O animal morto deve ser tratado com respeito; as cenas de violência contra os animais devem ser proibidas no cinema e na televisão, salvo se tiverem por finalidade evidenciar ofensa aos direitos do animal.
Art. 14º - Os organismos de protecção e de salvaguarda dos animais devem ter representação a nível governamental; Os direitos do animal devem ser defendidos por lei como os direitos humanos.

Semana Nacional da Vida e Dia do Nascituro

Porque a Semana Nacional da Vida e Dia do Nascituro
A Semana da Vida é uma ocasião especial para colocar em evidência o valor e a beleza desse Dom precioso que de Deus recebemos. De modo especial para salientar o valor sagrado da vida humana e da sua dignidade, sem nos esquecermos de todas as demais dimensões que esta abrange. Diante de tantas ameaças que atualmente a vida vem sofrendo é nossa missão reafirmar sua importância inestimável. Ela é o fundamento sobre o qual se apoiam todos os demais valores.
Mas quem é o Nascituro?
É aquele ser humano que está no ventre materno antes que a Mãe lhe dê à luz. Este possui o direito de ser respeitado na sua integridade. Tem dignidade como a de qualquer pessoa já nascida.
Por que o tema: “Vida, Ecologia Humana e Meio Ambiente”
A carta encíclica do Papa João Paulo II, Centesimus Annus, nos números 38 e 39, traz uma proposta que foi um pouco esquecida. O Papa fala da necessidade de uma ecologia humana. Nós demoramos 200 anos para entender que não é possível utilizar todo o poder técnico de que dispomos para depredar a natureza, porque a natureza tem a sua própria finalidade, que deve ser respeitada. Respeitar as águas dos rios, as florestas, as espécies animais, o ar, é fundamental. Do mesmo modo, nós devemos entender que é necessário respeitar limites quando se trata da existência humana. A ecologia humana significa uma atenção para preservar a dignidade. Para preservar especificamente o humano do homem. Para que o homem não vire um animal, onde se devora um ao outro.
Bento XVI na Mensagem para o Dia Mundial da Paz de 2007, recordou que “a destruição do meio ambiente, um uso impróprio ou egoísta do mesmo e a apropriação violenta dos recursos da terra... são fruto de um conceito desumano de desenvolvimento. Com efeito, um desenvolvimento que se limitasse ao aspecto técnico-econômico, esquecendo a dimensão moral-religiosa, não seria um desenvolvimento humano integral e terminaria, ao ser unilateral, por incentivar as capacidades destruidoras do homem" (n. 9).
Ao enfrentar os desafios apresentados pela tutela do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, somos chamados a promover e a "salvaguardar as condições morais para uma autêntica “ecologia humana” (Centesimus annus, 38). Isto, por sua vez, exige um relacionamento responsável não somente com a criação, mas inclusive com o nosso próximo, de perto e de longe, no espaço e no tempo, mas também com o Criador.
Por que motivo a vida é um bem?
No homem, criado à imagem e semelhança de Deus, reflete-se, em cada fase da sua existência, “o rosto do seu Filho Unigênito... Este amor ilimitado e quase incompreensível de Deus pelo homem revela até que ponto a pessoa humana seja digna de ser amada por si mesma, independentemente de qualquer outra consideração: inteligência, beleza, saúde, juventude, integridade, etc. Numa palavra, a vida humana é sempre um bem, porque “ela é, no mundo, manifestação de Deus, sinal da sua presença, vestígio da sua glória” (cf. Evangelium vitae, 34; Dignitas Personae, 8).
A vida ameaçada pelas forças do mal (Ap 12,4)
João Paulo II, profeta da vida, escreveu na Carta às Famílias, que nos encontramos defronte a uma enorme ameaça contra a vida: não apenas dos simples indivíduos, mas também de toda a civilização. A afirmação de que esta civilização se tornou, sob alguns aspectos, “civilização da morte”, recebe assim uma inquietante confirmação. E não será porventura um evento profético o fato de o nascimento de Cristo ter sido acompanhado do perigo para a sua existência? Sim, também a vida d'Aquele que é ao mesmo tempo filho do homem e filho de Deus, esteve ameaçada, esteve em perigo desde o início, e só por milagre evitou a morte.
Nos últimos decênios, todavia, notam-se alguns sintomas reconfortantes de um despertar das consciências: isto verifica-se tanto no mundo do pensamento como na própria opinião pública. Especialmente nos jovens, cresce uma nova consciência do respeito pela vida desde a concepção até o seu declínio natural; difundem-se as comissões de bioética e de defesa da vida, os movimentos pró-vida (pro life). É um fermento de esperança para o futuro da família e da inteira humanidade (cf. n. 21). “É urgente uma grande oração pela vida, que atravesse o mundo inteiro” (Evangelium Vitae, 100)
Durante a "Semana Nacional da vida" acontecerão nas diversas dioceses e comunidades do Brasil várias iniciativas em favor da vida, organizadas por paróquias, associações e grupos de trabalho da Igreja Católica, mas também de outras confissões cristãs ou não cristãs, pois, “o Evangelho da vida não é exclusivamente para os crentes: destina-se a todos” (EV 101).

02/10/2010

Nas mãos dos eleitores - Luiz Demétrio Valentini*

O dia das eleições está chegando. Agora a decisão está nas mãos dos eleitores. O voto é soberano. Ele se constitui no fundamento da democracia. Todo o arcabouço jurídico que o protege tem a finalidade de garantir que ele seja, de fato, a expressão da vontade de cada eleitor. Por isto, o maior atentado contra a democracia é perverter o voto do eleitor, pela compra e venda, ou por qualquer outro expediente.

A sabedoria popular cunhou a afirmação contundente, e acertada: voto não tem preço, tem conseqüências!
A campanha eleitoral deveria fornecer elementos para os eleitores fazerem sua escolha, livremente, a partir das conclusões a que cada um chegar.

Quanto menos a campanha cumpre sua missão, maior a responsabilidade do eleitor. E´ o que se pode dizer da campanha deste ano. Por muitos motivos, ela deixou a desejar. Pouco contribuiu para o debate sereno, claro, objetivo, em torno de propostas de governo para o país. Ficou por demais carregada de ataques pessoais, em tentativas de desmoralizar os adversários.

Por isto, o eleitor tem algumas tarefas a mais, desta vez.

Em primeiro lugar, sacudir o clima de acusações e calúnias perversas e fantasiosas, lançadas não importa contra quem. Precisamos neutralizar estas tentativas de desestabilizar candidaturas com ataques pessoais e acusações infundadas. E´ necessário desencorajar seus autores. Caso contrário inviabilizamos a prática democrática em nosso país, incentivando os que se escondem no anonimato da internet para desferir seus golpes contra os desafetos de seus preconceitos. Contra o obscurantismo, nada melhor do que a lucidez e a coragem dos eleitores em livrar seu voto da asfixia de acusações gratuitas e injustas.

Urge também depurar as versões da grande mídia, que são no mínimo tendenciosas, para dizer pouco, e para deixar que cada eleitor imagine quais são os interesses que se escondem por trás destas posições veiculadas às vezes com rara virulência contra alguns candidatos. Formar a própria opinião, prescindindo das grandes manchetes, é tarefa difícil, mas não impossível para cidadãos maduros e adultos que queremos ser.

Como a campanha pouco ajudou para compreender o que está se passando em nossa realidade brasileira, nos últimos anos, cabe a nós fazer uma análise ponderada, com a lucidez de nosso bom senso, e conferir o que está no bom caminho, e o que seria possível melhorar. E então, com nosso voto sinalizar em quem depositamos nossa confiança para garantir que nossas expectativas possam, minimamente, se cumprir.

Para esta análise, não pode faltar uma referência às grandes desigualdades sociais que são a marca registrada de nosso país, e perceber como estão sendo enfrentadas. Com nosso voto, precisamos expressar nosso juízo de valor sobre o processo de superação de nossas mazelas sociais, que está em andamento, e dar nosso voto em favor das propostas apresentadas pelos candidatos, não as fantasiosas e irresponsáveis, mas as realistas e consistentes.

Esta campanha não vai deixar saudades para ninguém. Mas o voto tem o poder de redimir até uma campanha mal realizada. Afinal, a responsabilidade recai mesmo sobre cada eleitor. Quanto menos ele precisar de recomendações, melhor será o seu voto.

*Bispo de Jales, SP.

01/10/2010

BRAZIL ELECTION RACE: CANDIDATE PROFILES

Brazil is set to elect new president on 3 October to succeed Luiz Inacio Lula da Silva.
President Lula, who enjoys high approval ratings, has served two terms since first winning in 2002 and is constitutionally barred from standing for a consecutive third term. If no candidate wins more than half of the valid votes cast, there will be a run-off election on 31 October. The two front-runners are Dilma Rousseff and Jose Serra, with former environment minister Marina Silva likely to come third.

Dilma Rousseff - Workers Party (PT)
  1. Dilma Rousseff, 62, is no stranger to the Planalto, the Brazilian president's office.
  2. From 2005 until stepping down to run for office earlier this year, Ms Rousseff was President Lula's chief of staff, closely involved in the major decisions of his administration.
  3. Lula has made it clear that the woman he calls the "mother of the PAC", his government's flagship economic development project, would be his choice as his successor.
  4. Critics have dismissed Ms Rousseff as merely Lula's choice, a career civil servant never elected to public office.
  5. She does suffer in direct comparison with the current president. With her somewhat dour image, she cannot compete with Lula's charisma and public-speaking skills.
  6. Her background, born to a middle-class family and with a Bulgarian immigrant father, is also a far less compelling life story than Lula's rise from abject poverty to the highest office in the country.
  7. But dig deeper and the toughness ascribed to her by colleagues - she is known for her short temper - becomes clearer.
  8. As a student, she became involved in left-wing politics and joined the underground resistance to the military dictatorship that ruled Brazil from 1964 until 1985.
  9. Ms Rousseff has said she was never actively involved in armed confrontation with the security forces, but she was jailed for almost three years and subjected to electric shocks.
  10. Trained as an economist, Ms Rousseff was energy minister before being named as Lula's chief of staff.
  11. It is clear that Lula's support has boosted her profile and her campaign to be the first female president of Latin America's biggest country.
  12. Her challenge is to convince voters that she truly will be in charge if elected to the presidency.
Jose Serra - Brazilian Social Democratic Party (PSDB)
  1. Jose Serra, 68, has occupied some of the top political jobs in Brazil, including mayor of the biggest city, Sao Paulo, and governor of the state of Sao Paulo - the nation's biggest and wealthiest state.
  2. From 1995-1996, Mr Serra was planning minister in President Fernando Henrique Cardoso's government.
  3. He also occupied the health post in the Cardoso administration from 1998 to 2002, winning international plaudits for a range of programmes including an HIV/Aids treatment programme based on producing cheap replicas of patented medicines.
  4. He was born into a family of poor Italian immigrants. At the time of the 1964 military coup, he was the head of the National Students' Union.
  5. Forced into exile, he went first to Chile and then after the military coup there, he went to the US where he studied economics.
  6. He returned to Brazil in 1977 as the country was taking its first steps towards the restoration of democracy.
  7. Mr Serra was among the founders of the PSDB in 1988 and has served as a federal deputy and senator. He unsuccessfully ran against President Lula in 2002.
  8. In 2004, he was elected mayor of Sao Paulo, a post he left to run successfully for the governorship of the state.
  9. Mr Serra stood down as governor earlier in 2010 to stand as presidential candidate for his party.
  10. Like Ms Rousseff, Mr Serra is not a great speaker but he will be hoping his long record in holding political office convinces voters the management of Brazil will be in capable hands.
Marina Silva, Green Party (PV)
  1. Marina Silva who is running as the Green Party candidate is expected to come third but her share of the vote could have an impact on the outcome.
  2. Ms Silva was President Lula's environment minister from January 2003 but she left the government in May 2008, citing difficulties in pursuing an environmental agenda.
  3. In August that year, she also left Lula's Workers Party.
  4. She was vocal in blaming the deforestation of the Amazon on Brazilian cattle ranchers and farmers.
  5. The child of rubber-tappers from the Amazonian state of Acre, Ms Silva was illiterate until the age of 14.
  6. She worked with the rainforest activist Chico Mendes, who was murdered in 1988, and she was appointed environment minister when Lula won the presidency in 2002

Fonte: BBC NEWS

“On Death and Dying“

The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end.   When ...