04/02/2011

O amor é fim e não começo - Mike

Não sempre que precisamos explicar algumas coisas que são claras e visíveis; embora, outras parecem, mas não são. Um exemplo clara é a afirmação:“o amor como fim e não como começo...” Por que sempre digo assim:
O amor corre mais rápido do que os acontecimentos que estão no seu caminho. Na vigência do amor, as pessoas vão até o fim das outras muito rapidamente, passando por cima, ambas, de aspectos, maneiras de ser e comportamentos do ser amado.
O amor é uma corrida apressada até o fim e o mais alto do outro. Só depois de, se lá chegar, e viver, e ser, e gozar, e sentir, começam os percursos e percalços da volta, retorno às partes que se tornaram retardatárias, mas existem e se movimentam.
É como o curso de um rio que desemboca no próximo e reflui. Na vigência explosiva ou hipnótica do amor, chega-se logo, e com deslumbramento, ao fim do curso. Aí, há o refluxo. A água volta à origem e no retorno vai passando por partes que ficaram submersas, invadidas ou esquecidas quando as águas passaram aceleradas e torrenciais.
O amor é um começo pelo fim, no qual o meio vem sempre depois com as suas insuperáveis leis. Por isso, corre mais rápido do que as veredas que estão no seu caminho. A vivência de amor é difícil e dolorosa porque significa voltar, depois de ter chegado ao fim, ao auge, ao máximo.
O amor verdadeiro e duradouro é o preço desse retorno sobre si mesmo e a complementação de tudo o que estava no caminho e foi superado pela velocidade e intensidade das águas-paixão. Essa volta vai revelando, dia a dia, momento a momento, as margens de cada um que ficaram esquecidas ou deixadas para depois na passagem turbilhonária e deslumbrante da paixão. Nessas margens estão os mais lindos recantos de cada ser e se escondem aspectos menores e restritivos, os defeitos e imperfeições.
Difícil, portanto, não é a chegada ao fim: é viver os vários refluxos, pois neles estão escondidas as depressões suficientes (ou não) para terminar o amor. Ao mesmo tempo, o amor cresce, na medida em que o refluxo permite descobrir, com mais calma, as partes lindas de cada um, os remansos, as terras fecundas do afeto, as voltas sinuosas, os jardins de paz e de cada existência. As partes férteis de cada ser.
É quando o amor deixa de ser muito bom, para ser mútuo bom. E o amor só é muito bom quando, depois de ter chegado ao máximo (no sentido de ápice, extremo), volta-se sobre si mesmo num refluxo enriquecedor e aumenta depois que passa a ilusão.
O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais.

25/01/2011

PAULO, Apóstolo das nações e ‘comunicador do Crucificado’ - De Michael Mutinda*


Paulo é o homem das encruzilhadas. Viveu e operou em diferentes mundos, línguas e culturas. Desenvolveu uma presença, mais esporádica ou mais continuada, em centros urbanos importantes e disseminados como Antioquia na Síria, Éfeso na Ásia Menor, Filípos, Corinto e Atenas na Grécia, culminando a sua obra no coração do império. Um verdadeiro corre-mundos do Tempo Antigo.
Paulo sempre ocupou uma posição especialmente cômoda: a critica, não menos que a tradição, acredita saber quem foi, onde nasceu, qual o seu caráter, quais foram as etapas fundamentais de sua vida e as datas correspondentes, as cartas que escreveu, quem foram os seus destinatários e inclusive qual o conteúdo e a intenção dessas cartas. Ao tratarmos acerca da biografia de Paulo, temos de considerar as inúmeras controvérsias existentes entre os variados estudiosos que aprofundam o tema. Contudo, não obstante à pluralidade de hipóteses sobre a vida de Paulo, é possível fazer algumas afirmações seguras sobre este polêmico Apóstolo das nações e ‘Comunicador do Crucificado’.
 Comissionamento[1] e Morte
            Lucas é extenso em detalhes ao descrever a perseguição da Igreja por Paulo. Menciona-o primeiro como um jovem (At 7,58) que assistiu com satisfação à horrível execução de Estêvão (At 8,1). Sua aparição seguinte é como o grande perseguidor que penetra nas casas dos cristãos e lança os ocupantes na prisão (At 8,3). Em Gl 1,13 destaca “perseguia sobremaneira e devastava a Igreja de Deus”. Nesses escritos, a questão da perseguição é colocada como pano de fundo para sua atividade de Apóstolo. Mas, Paulo não o faz como auto-condenação, para alimentar um sentimento de culpa, e sim para destacar a gratuidade de ação de Deus ao lhe conceder o ministério de Apóstolo.[2] Sobre a sua mudança de vida, Paulo não fala em conversão, em contraste com os três relatos pormenorizados que Lucas faz da conversão dele. (At. 9,1-19; 22,4-16; 26,9-18.), mas se expressa de forma enigmática em seus escritos para mostrar o que aconteceu em seu encontro com Jesus.

Podemos afirmar que Paulo interpreta o acontecimento de Damasco como um chamado de Deus, uma vocação a uma missão que o assemelha aos profetas do Antigo Testamento. Como eles, foi ele agraciado com uma visão; uma missão lhe foi imposta do mesmo modo que a eles; como eles também, ele é obrigado a corresponder ao chamamento; sua vontade humana é investida pela graça ao ponto de Deus mesmo realizar a obra que lhe foi confiada.[3]

            A experiência que dá novo rumo à existência de Paulo é recordada em diversas passagens de suas cartas (I Cor 7,25) [4] em que ele não descreve pormenores e prevalece o silêncio. Paulo não é um pecador que retorna ao caminho do bem. Por isso, uma forma de se referir a esse acontecimento é falar de uma descoberta de Cristo com os olhos da fé, o filho de Deus, único mediador da salvação.[5] Paulo diz que viu “Jesus” e por isso é apóstolo (I Cor 9,1s). Quer dizer que somente uma experiência lhe valeu tanto como valeram aos demais apóstolos, os irmãos do Senhor e até mesmo a Pedro (v.5). A este contato direto corresponde a ideia de que é Apóstolo ‘não da parte de homem e nem por meio de algum homem’ (Gl 1,1) e que o Evangelho ‘não o recebeu nem o aprendeu de homem nenhum’ (v.12). Também é própria de uma comunicação direta, por seu caráter surpreendente, a ideia de que Deus lhe revela ‘seu Filho’ e lhe pedia que o anunciasse entre os gentios.
Ser Apóstolo de Jesus Cristo é sinal primordial da intervenção divina na vida de Paulo. Quase todas as cartas do “corpo paulino” trazem no início a auto-apresentação do Apóstolo. “Paulo, Apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus” (Rm 1,1) [6] ou com pequena variação de palavras ou nomes de companheiros dele como remetentes junto com ele.
Existem diversas opiniões sobre o que aconteceu com Paulo, desde a sua chegada a Roma até a sua morte como mártir naquela cidade[7]. A última viagem de Paulo se inicia com a decisão de ir a Jerusalém (At. 21,17) para levar algumas ofertas à comunidade. Após ser preso, Paulo é deportado para Roma onde, segundo a tradição, algumas semanas mais tarde, sofreu a pena reservada a um cidadão romano - a decaptação pela espada. [8]

A missão e o anúncio
A consciência da missão faz de Paulo um itinerante. Ele realiza verdadeiros empreendimentos em suas viagens, enfrentando perigos para pregar o Evangelho – anunciar o Crucificado. Os Atos dos Apóstolos descrevem três grandes viagens (At 13-14; 15,36-18; 18,18-20,38), mas ele mesmo fala de muitas: “Fiz muitas viagens. Sofri perigos nos rios, perigos por parte dos ladrões, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar. Três vezes naufraguei. Passei um dia e uma noite em alto-mar”. (II Cor 11,25-26).
O núcleo da mensagem de Paulo é o querigma cristão, o anúncio da morte e da ressurreição de Jesus. O evangelho anunciado por Paulo é muito mais que uma comunicação verbal de doutrinas ou normas, e se fundamenta no anúncio da morte escandalosa[9] de Jesus na cruz e na sua ressurreição como manifestação do poder de Deus.





[1]James Dunn corretamente observa que Paulo se refere a um comissionamento ao invés duma conversão, e que desde o início, teve os gentios em vista. De fato, a epifania de Jesus na estrada para Damasco foi não só a base do seu chamamento, mas constituiu o seu conteúdo principal e o seu impacto mais imediato e mais duradouro. Este chamamento não era um corolário secundário ao encontro, mas, de novo, o seu conteúdo principal. Cf. DUNN, James D.G. A teologia do apóstolo Paulo. São Paulo: Paulus, 2003.
[2]COMBLIN, José. Paulo Apóstolo de Jesus Cristo. Petrópolis: Editora Vozes, 1993. p. 25
[3]CERFAUX, Lucien. O Cristão na Teologia de Paulo. São Paulo: Paulus, 2003. p. 91
[4]Ver também II Cor. 4,1; Gl. 1,5-16.
[5]Cf. BARBAGLIO, Giuseppe. As Cartas de Paulo I. São Paulo: Loyola, 1989. p. 20
[6]Ver também I Cor. 1,1; II Cor. 1,1; Gl. 1,1; Ef. 1,1; Cl. 1,1; I Tm. 1,1; II Tm. 1,1; Tt. 1,1)
[7]Ver algumas opiniões sobre o final da vida de Paulo em: BOSCH, Jordi Sánchez. Escritos paulinos: Introdução ao estudo da Bíblia. Vol. 7. São Paulo: Ave Maria, 2002. p. 37.
[8]COTHENET, E. São Paulo e o seu Tempo. Cadernos Bíblicos – 26. São Paulo: Paulinas, 1985. p. 35
[9]Os cristãos vêem na cruz um símbolo de triunfo, de vitória. No entanto, quando Jesus foi crucificado significava derrota e vergonha. A crucificação entre os romanos era reservada primeiramente aos escravos e para aqueles que haviam cometido crime hediondo (sórdido, repulsivo, imundo etc.), ou seja, a cruz era pena infligida para a pior espécie de malfeitores, ladrões e marginais. Contudo os cidadãos romanos estavam isentos dessa pena por leis especiais. Jesus na cruz foi exposto à vergonha pública. Morrer na cruz era ser exposto a pior vergonha possível para um judeu, que inclusive na cultura judaica significava maldição, como se lê em Gálatas 3.13: “Cristo nos redimiu da maldição da lei quando se tornou maldição em nosso lugar, pois está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado num madeiro”, e Paulo, está fazendo referência a Deuteronômio 21.23. Ele ainda diz que a cruz era escândalo para os judeus: “Nós, porém, pregamos a Cristo crucificado, o qual, de fato, é escândalo para os judeus e loucura para os gentios” (I Cor 1.23.). Cf. ELLIS, E.E. Christ Crucified. In: Reconciliation and Hope: New Testament Essays on Atonement and Eschatology. Grand Rapids: Eerdmans, 1974, p. 69-75.

11/01/2011

Fertilização assistida - Por Antonio Augusto Dias Duarte*

Quantos brasileiros sabem exatamente o que é uma fecundação assistida? Quantos estudantes de medicina e médicos são capazes de informar a um casal estéril sobre o valor ético da recente resolução do Conselho Federal de Medicina a respeito das novas regras sobre o uso dessa técnica avançada de fecundação?

A resolução do Conselho Federal de Medicina atualiza uma anterior do ano 1992 e estabelece uma série de orientações sobre a fertilização artificial, com o intuito de tentar regularizar melhor a utilização dessa tecnologia nos Centros de Reprodução Assistida no Brasil. Há muitos pontos positivos nessa decisão e alguns aspectos que mereceriam maior debate e reflexão da sociedade.

É muito positivo, por exemplo, o limite de finalidade, isto é, a determinação de que a técnica pode ser utilizada apenas para transmitir a vida e não para clonagem ou experiências com seres humanos. Igualmente valiosa é a proibição da redução embrionária, que configuraria aborto diretamente procurado e, portanto, totalmente ilícito.

Um tema da maior importância que não recebeu no documento a devida atenção diz respeito ao número de embriões transferidos para o útero materno. Seria importante aqui considerar a tendência ética que vem predominando em alguns países europeus, tal como a Alemanha, onde se aprovou recentemente uma lei federal que só permite a fecundação, em cada processo, de dois óvulos, que devem necessariamente ser transferidos para o corpo da mulher que quer ser mãe, impedindo assim a existência de embriões congelados.
É muito significativo que um país que permitiu legalmente, no seu passado histórico recente, a existência de campos de concentração com câmaras de gás, não queira mais na atualidade ter em suas cidades nenhuma câmara de congelamento de embriões.

No Brasil se está estudando um projeto de lei sobre fecundação assistida que procurará defender a dignidade da pessoa humana desde a sua concepção, impedindo tanto o aborto direto quanto o congelamento de embriões que sobram das tentativas de geração de filhos. Nesse projeto também se determina um número máximo de óvulos fecundados, não mais que dois, com a imediata e total transferência para o corpo materno, acabando dessa forma com qualquer possibilidade de haver pessoas em tubos de nitrogênio a baixas temperaturas e passíveis de experiências no futuro, caso não sejam mais queridas pelos seus pais.

É muito louvável que os políticos brasileiros estejam assumindo essa atitude de proteção de todos os cidadãos brasileiros desde a sua concepção e queiram que eles, uma vez concebidos, se desenvolvam naquele ambiente mais acolhedor e amoroso, que é o corpo materno, e não num recanto de laboratórios de clínicas de fertilidade humana. E é de lamentar que o Conselho Federal de Medicina não tenha assumido o pioneirismo nessa questão.

A mídia ao dar a notícia sobre a resolução que estamos considerando informou também que casais gay poderiam agora satisfazer seus anseios de paternidade e maternidade. O desejo de ter filhos em geral é moralmente bom, mas para esses casais apresenta-se uma questão ética complexa do ponto de vista da geração. Necessariamente eles terão que contar com doadores anônimos e estranhos a sua relação homoafetiva, e seus filhos terão só o conhecimento de 50% da sua filiação.

Ora, toda geração tem que corresponder à dignidade da pessoa humana, o que não é possível com o desconhecimento legalmente provocado da plena verdade sobre quem são os pais. A relação social fundamental - a relação paterno-filial- tem de fundamentar toda estrutura das demais relações humanas na sociedade. A hipótese aventada pela mídia é claramente incompatível com essa tese e com aquela dignidade e não parece uma decorrência necessária da resolução, embora convenha, de fato, estar alertas, para acompanhar a interpretação que prevalecerá.

É bom observar também que o desconhecimento de quem são os autênticos progenitores não é só causado pela técnica da fecundação assistida heteróloga, mas também por outras formas indignas de transmissão da vida (estupro, prostituição, etc.), e certamente elas são a causa de desenvolvimentos psico-sociais inadequados para nossas crianças.

A pessoa humana, desde a sua concepção até a sua morte natural, tem o direito fundamental à vida digna, segundo leis próprias da sua natureza, desenvolvendo-se corporal e biograficamente a partir de relacionamentos essenciais sadios, como são a filiação, a fraternidade e a amizade no seio familiar, levando assim adiante o seu projeto de humanidade.
As questões levantadas no início do artigo têm respostas bem mais precisas se houver uma reflexão mais profunda sobre o valor do desenvolvimento científico e tecnológico, que ao colocar nas mãos do homem um grande poder de decisão e de ação acaba exigindo-nos outra pergunta.
Nesse sentido o Papa Bento XVI, na sua recente entrevista publicada com o título a "Luz do mundo", conduz-nos a essa interrogação ao dizer que "a modernidade procurou a própria estrada guiada pela ideia de progresso. Mas o que é o progresso? Hoje vemos que o progresso pode ser destrutivo, por isso devemos refletir sobre os critérios a serem adotados a fim de que o progresso seja verdadeiramente progresso".
*
Dom Antonio Augusto Dias Duarte, bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro e médico formado pela USP.

Fonte: ZENIT

12/12/2010

Kenya marks 47th Jamhuri day

President Kibaki on Sunday led the nation in marking its 47th anniversary, traditionally a day reserved for annual stock-taking, but which this time was clouded by the leaked US diplomatic cables that had labelled the coalition government as corrupt and anti-reformist.Though initially measured in their response to the leaked cables, the coalition principals went full-throttle against US ambassador Michael Ranneberger during the Jamuhuri day celebrations, dismissing the envoy's conduct as that of a colonial governor.

"We do not want visitors who come act as if he is a governor...the last governor left in 1964. The responsibility of running Kenya is now ours. We welcome visitors , but we also want them to respect us," said PM Odinga.

President Kibaki later added: " Nobody who has been in this country all this time to see all we have done can suddenly start scaring us with things that they write. Those trying to scare us should go elsewhere."
The President, in a rare acknowledgement, stated that a foreign power was funding the youth to within the country to incite political dissent.

"There are three to four people who are giving out money to the youth pretending to be helping them and yet they are lying. We will not allow visitors to come here and cause confusion, and we will not be scared to fight with them," said President Kibaki in off-the-cuff remarks.

Ambassador Ranneberger, in his report to the US State Department in January 2010, had characterised President Kibaki and Mr Odinga as part of a political elite that has benefitted from corruption and proceeded to label the duo as anti-reformist.

Sunday's scathing response by the coalition principals to the leaked cables marks a new low in relations between United States and Kenya, but are not expected to alter the diplomatic ties between the two countries.

In his formal Jamuhuri day speech, the President took cognisance of the weight of the impending announcement by Ocampo and urged Kenyans to demonstrate "political maturity" during the course of the ICC process.

ICC prosecutor Luis Moreno-Ocampo will on Wednesday 5 o'clock announce six politicians and businessmen suspected to have masterminded the post-election violence. The announcement will be streamed live via the internet.

"I am aware that the process of dispensing justice in regard to the post election violence has continued to engage the minds of Kenyans. Therefore, as the ICC process gets underway, I urge Kenyans to demonstrate patience and political maturity," said the President.

The President equally issued orders to the police force and the national cohesion commission to crack down on politicians who may issue provocative utterances in the course of the ICC process that may reignite the ethnic animosity the country experienced in 2008.

"Let us all embrace peace and the spirit of forgiveness to enable our nation move ahead. Let us not engage in utterances that compromise our national unity. I, have therefore, directed the Commissioner of Police and the National Cohesion and Integration Commission to deal swiftly with any individuals or groups engaging in hate speech," he said.

Kibaki also rallied members of parliament to approved the nominees to two commission which are vital to the implementation of the new constitution.

"We are fully committed to implementing the Constitution in a timely and efficient manner. I, therefore, appeal to Members of Parliament to approve the nominees to the commission for the implementation of the Constitution to ensure that we stick to the agreed schedule," said the President.

fonte: SUNDAY NATION

09/12/2010

O dogma da Imaculada Conceição - Por Murad A

Para entender o dogma da Imaculada Conceição é preciso
refletir antes sobre quem é o ser humano diante de Deus.
A partir daí, ver o que Maria tem em comum conosco e o que ela tem de especial.
Uma graça original
Cada bebê que vem a esse mundo nasce com uma bênção divina. O Senhor nos cria para sermos felizes e colaborarmos na felicidade dos outros. Todos nós fomos criados em Cristo. Estamos marcados pelo sopro de vida do Criador e por uma Graça Original. Como nos diz São Paulo: Antes da criação do mundo, Deus nos escolheu em Cristo, para sermos, diante dele, santos e imaculados (Ef 1,4).
Cada um se desenvolve com o tempo, constituindo-se como pessoa no correr da existência. Aprende a amar e a ser amado, recebe a fé de outros e a assume como sua. É fascinante ser, até a morte, “aprendiz da arte de viver”. Somos limitados no tempo e no espaço e condicionados pela cultura onde nascemos e vivemos. Neste processo de aprender com a vida, até os erros são importantes. Muitos limites são reassumidos no futuro, como oportunidade de superação e crescimento.No útero da mãe, o feto está recebendo, em doses distintas, amor e desamor, acolhida e rejeição, afeto e violência. Somos todos solidários no bem e no mal. Ninguém começa sua vida a partir do nada. Pela fé, reconhecemos que somos parte de um grande projeto amoroso de Deus, que estamos marcados por sua Graça e pela corrente positiva de amor de tantos seres humanos que vieram antes de nós. Mas o mundo também tem violência, mentira e maldade, que contagiam cada pessoa que nasce. Ao começar a existir, já estamos sob ação de forças positivas e negativas, de vida e de destruição, e interagimos com elas.Há algo na nossa história pessoal, comunitária e planetária que danifica os belos projetos do Senhor. Não vem de Deus e é difícil localizar sua origem. Nós o chamamos: “Mistério do Mal e da iniqüidade”. Ele está espalhado na humanidade e repercute dentro de cada um. Pois não só somos seres finitos, chamados a evoluir com o Universo. Mas muitas vezes freamos este processo e nos negamos a crescer.

O ser humano dividido
Cada ser humano tem dentro de si muitos desejos, tendências e impulsos. Eles são bons, desde que integrados num projeto de vida. Por exemplo, cada um de nós necessita acreditar em si e exercitar sua liberdade, de forma a ser aceito e respeitado pelos outros. Esta é a forma básica do poder. A pessoa fraca, impotente, contribui pouco nas relações. De outro lado, o poder é perigoso. Um pai autoritário pode deixar muitas feridas nos filhos. Um político poderoso e corrupto prejudica a nação e faz aumentar a exclusão social. Outro exemplo: todo ser humano busca prazer, ao se relacionar, ao comer, ao se divertir. Uma das formas mais intensas de prazer é o sexual. A relação entre homem e mulher é bela e querida por Deus. Mas o sexo desequilibrado, sem afeto e respeito, produz individualismo e violência. Outro exemplo ainda: gostamos de nos vestir bem, ter as coisas para usar, possuir os objetos que tornem a vida mais prática. Mas quando esse desejo desordenado se torna consumismo, cria pessoas dependentes e apegadas às coisas, que chegam a arruinar a vida para comprar tudo o que encontram.
Temos dificuldades de integrar nossos desejos e pulsões, e colocá-los a serviço de um projeto de Vida. Os impulsos do poder, do ter, do prazer e tantos outros, atraem a pessoa para baixo e podem afastá-la de Deus. A teologia chamou essa divisão interna de “concupiscência”. Ela tem dimensões individuais, coletivas e culturais. Sabemos que a nossa liberdade está comprometida pelo pecado e precisa ser libertada. São Paulo lembra essa divisão interna que a gente vive, dizendo que muitas vezes nosso coração quer fazer o bem, mas acabamos fazendo o mal que não desejamos (Rom 7, 14-24). Somos seres fragmentados. Mas nós cremos na vitória da Graça de Jesus Cristo, que nos liberta de todas as cadeias (Rom 5;8 e 8,1-4). A “graça original” de Deus, que nos cria e nos salva, é mais importante e mais forte do que o Pecado Original, e nos ajuda a superar nossos pecados e falhas.
O “Pecado Original” não é um pecado em sentido estrito, mas em sentido analógico. Ou seja, não é um ato cometido livremente, contra Deus e o seu Reino, relacionado com a orientação fundamental e as atitudes da pessoa. Com esta expressão, reconhecemos que existe uma ausência de mediação de graça em cada um de nós e nas nossas relações. O Pecado Original não faz parte da essência do ser humano, mas de nossa atual condição humana, que sofre a ação do mistério do mal e da iniqüidade. Que o ser humano seja limitado e aprendiz, isso faz parte de sua essência de criatura. Que ele se deixe arrastar pelo mal e se negue a crescer no bem, constitui um paradoxo de sua condição atual.

A originalidade de Maria
O dogma da Imaculada Conceição afirma que o segredo de Maria, a perfeita discípula de Jesus, que respondeu a Deus de maneira total, tem sua raiz na Graça. Ela recebe do Senhor um dom especial. Nasce mais integrada do que nós, com maior capacidade de ser livre e acolher a proposta divina. O fato de Maria ser Imaculada não lhe tira a necessidade de crescer na fé, pois isso faz parte da sua situação de ser humano, que necessita aprender e evoluir.
Maria não nasce prontinha. Também é aprendiz da existência. Há momentos em que ela não entende o sentido pleno dos fatos e das palavras (Lc 2,49-50). E no correr da vida, Jesus a surpreende muitas vezes (Mc 3,31-35). Mas, diferentemente de nós, Maria trilha um caminho sempre positivo, sem falsos desvios ou atoleiros. Maria realiza sua vocação pelo caminho humano da fé, em meio a crises e dificuldades. Ela também teve que fazer correções de rota no correr da vida. Experimentou processos de mudança, de conversão. Não do mal para o bem, mas do bem para um bem maior.Maria é pré-redimida pelo Verbo de Deus. Ela recebe sua graça salvadora numa intensidade maior do que nós, o que lhe dá forças para integrar tendências e pulsões. Conquista assim uma inteireza admirável. Exerce melhor sua missão de perfeita discípula, educadora e mãe do Messias. Com maior liberdade interior, Maria desenvolve profundamente suas qualidades humanas e espirituais, tornando-se criatura santa, não fragmentada, dona de si, aberta a Deus. Portanto, o fato de ser imaculada não a torna menos humana. Ao contrário. Ela realiza a utopia da “nova humanidade”, do ser humano evoluído espiritualmente. A imagem de Maria imaculada necessita ser completada com a da peregrina na fé.

Maria imaculada e nós
Para alguns cristãos, que provam a fragmentação, a força do mal que os domina, a reincidência no pecado, a inconstância na fé, pode ser que Maria Imaculada não seja um modelo operativo próximo. Neste caso, eles podem recorrer ao exemplo de outros santos, que trilhando caminhos tenebrosos, fizeram esforços enormes de conversão e experimentaram uma mudança radical de vida. Para eles, Maria Imaculada não é ponto de partida, mas de chegada. Pois o Deus que cria do nada também recria a partir do caos e das trevas.
Maria Imaculada subverte nosso conceito de “privilégio”. Uma pessoa especialmente dotada, com beleza estonteante, inteligência invejável, saber conquistado, poder ou fama, tende a se distanciar dos outros, a subestimá-los, e a olhar orgulhosamente para si. O privilegiado se torna narcisista: “Espelho meu, existe alguém melhor que eu?” Maria, ao contrário, nos ensina que tudo o que recebemos é dom e se destina a ampliar a rede do Bem, a estender o Reino de Deus sobre a terra. O singular privilégio da Imaculada Conceição é um dom especial, ao qual Maria respondeu com maior intensidade ainda, colocando-o a serviço de Jesus e da humanidade. Tudo o que somos, temos e conquistamos de especial, visa contribuir na construção da “teia da vida”, na qual todos os seres estão intimamente relacionados e são interdependentes.

Fonte:
A. Murad, Maria Toda de Deus e tão humana. Paulinas.
Quadro: Imaculada, de Murillo

OS SINAIS DO SALVADOR - José Luiz Gonzaga do Prado

3º DOMINGO DO ADVENTO
I. INTRODUÇÃO GERAL
Quando dirigimos pelas estradas ou pelas ruas das cidades, encontramos muitos sinais de trânsito. Seria extremamente ridículo a pessoa parar o carro em frente a um sinal verde para admirar aquela cor. O resultado seria uma batida. E se a pessoa parasse para examinar se a placa é de latão ou de madeira, se os símbolos ou as letras estão bem ou mal desenhados? O sinal não é para ser admirado ou discutido, mas para ser entendido e seguido.
Fazemos isso frequentemente com as narrativas de milagres nos evangelhos. Chegamos a pensar que talvez Jesus tenha feito curas e mandado seus discípulos fazer curas como demonstrações de poder em favor dos que nele cressem. Estamos cansados de ver “igrejas” que curam a torto e a direito, não se sabe por quais interesses.
Depois do episódio dos pães no capítulo 6 do Evangelho de João, muitas pessoas vão à procura de Jesus. Ele as acolhe, dizendo: “Vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque comeram e ficaram satisfeitos”. O que interessa não é a placa, mas o que ela indica; não é o milagre ou seu resultado, mas o que aquilo significa dentro da mensagem de Jesus.
No evangelho de hoje, reaparece a figura do Batista. Ele manda seus discípulos perguntar a Jesus se este é o Messias esperado e recebe de Jesus os maiores elogios.
A resposta de Jesus é indireta: fala dos sinais que estão acontecendo. Abrir os olhos aos cegos, soltar a língua dos mudos, abrir os ouvidos dos surdos, soltar os braços e as pernas dos entrevados, enfim, dar nova vida aos mortos é o núcleo da missão do Messias.
Nós não esperamos um simples curandeiro; esperamos o Messias, que dá nova vida à multidão cega, muda, surda, inválida, morta.
II. COMENTÁRIOS DOS TEXTOS BÍBLICOS
1. I leitura (Is 35,1-6a.10)
O povo estava no cativeiro. Os inimigos tinham vazado os olhos de alguns, outros estavam mutilados, todos desiludidos e desanimados. O profeta canta de maneira espetacular a esperança de saída do cativeiro e retorno para a própria terra. Será para nós símbolo de uma esperança maior. O caminho da volta é o deserto, tal como o caminho da escravidão do Egito até a Terra Prometida. É um novo êxodo. O caminho é o deserto, mas a certeza da esperança faz do deserto um jardim.
A esperança é a força para a caminhada: nada de braços cansados ou joelhos cambaleantes, nada de medo, coragem! É Deus que vem para salvar! Se o caminho da liberdade e da vida é difícil, é um deserto, a certeza de que a salvação vem de Deus dá força e coragem e transforma o deserto em jardim.
Aí já não haverá cego, surdo, mudo ou pessoas com deficiência física. Estas não apenas vão andar por si: vão pular como cabritos; os mudos vão soltar a voz e cantar um hino. Acabou a cegueira, a mudez, a surdez, a invalidez a que eram submetidos no cativeiro; a libertação que chega faz a todos videntes, ouvintes, falantes, caminhantes, até saltitantes e agentes. Deixam de ser objetos, tornam-se sujeitos, senhores de si. Vivam!

2. II leitura (Tg 5,7-10)Depois de fazer fortes ameaças aos ricos (vv. 1-6), o escrito de Tiago parece se dirigir aos pobres. Para a gente sofrida e cansada, ele fala de esperança, paciência e resistência, confiantes na vinda do Senhor, juiz justo.
A comparação com o agricultor é clara. A certeza do agricultor de que a semente lançada na terra vai produzir frutos é que lhe dá segurança de esperar até o dia da colheita. A natureza não dá saltos, já dizia o antigo ditado, e o agricultor sabe bem disso: por isso, espera tranquilo e seguro.
A expectativa próxima da vinda do Senhor, justo juiz, significa a certeza da vitória da justiça, por mais que demore e por mais que a injustiça pareça prevalecer. Isso leva ao comportamento mais moderado e maduro de quem não se queixa dos outros, atribuindo-lhes os próprios males, mas aguarda seguro o verdadeiro juiz, que está às portas.

3. Evangelho (Mt 11,2-11)
João Batista tinha dito, no texto lido domingo passado, que depois dele viria um mais forte que ele, pronto para cortar e queimar as árvores que não estivessem produzindo e para abanar o cereal, guardar os grãos no celeiro e pôr a palha para queimar. Seria o juiz definitivo e implacável.
O que João ouviu falar de Jesus, entretanto, parece não corresponder exatamente a essa ideia de juiz rigoroso. Donde o sentido da pergunta que ele manda fazer a Jesus: é você mesmo ou virá outro para o julgamento definitivo?
João ouviu falar das curas, sem dúvida, e da compaixão de Jesus pelas pessoas, também pelos pecadores. A resposta de Jesus aponta para esses sinais. Ele primeiro veio salvar, libertar. As curas são sinais da solidariedade com os sofredores e do mais importante de sua missão: abrir os olhos a todos os cegos, mesmo aos que tenham olhos perfeitos; abrir os ouvidos a todos os surdos, mesmo aos que tenham ouvidos perfeitos; fazer andar e agir os inválidos, mesmo os que têm mãos, pés e pernas perfeitos; purificar todos os leprosos, tirar da exclusão social todos os “sujos” postos à margem; enfim, dar vida a todos os que vivem mortos.
Tudo isso se resume numa palavra: anun-ciar a boa-nova aos pobres. Alguém per-gun-tou certa vez por que se fala tanto em evangelizar os pobres, já que eles geralmente estão mais perto da fé do que os ricos. É que “evangelizar” significa levar boa notícia. E que melhor boa notícia há do que fazer os oprimidos ver, ouvir e agir, algo proibido na sua atual situação?
Muitos não gostam disso, de dizer que a missão de Jesus é levar boa notícia aos pobres, levar esperança e força aos que são o refugo da sociedade, abrir os olhos, os ouvidos, a boca aos que são proibidos de fazê-lo. Muitos se escandalizam com a afirmação de que Jesus veio para libertar os oprimidos. Mas Jesus termina: “Felizes os que não se escandalizam comigo!”
Depois que os discípulos de João se afastam, Jesus se dirige ao povo para falar de João. Pergunta inicialmente o que foram ver no deserto e responde: não foram ver um bambu agitado pelo vento, de um lado para o outro, nem alguém vestido com roupas finas. No deserto estava um profeta, mais do que um profeta, aquele que abre os caminhos. “No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele.” Reino dos céus é o mesmo que reino de Deus, conforme está no texto paralelo de Lucas. Esse reino de Deus aqui se entende como a comunidade cristã. Assim, qualquer membro da Igreja do Novo Testamento é maior do que João Batista.
O reino sofre violência, diz o versículo 12, que segue o trecho do evangelho lido hoje e faz parte da mesma perícope. A afirmação soa um tanto misteriosa. Significa que a comunidade dos discípulos de Jesus é perseguida, vítima de violência? Parece, no entanto, que se trata da violência exigida de quem quer conquistar ou arrebatar2 o reino. É a práxis contra a entranhada mentalidade deste mundo e dos que o dominam. Não significa exercer essa mesma forma de violência, mas vencê-la com firmeza por meio do amor.

III. DICAS PARA REFLEXÃOSerá que estamos prontos para conquistar, raptar, como diz o texto evangélico, o reino de Deus?
A ação de evangelizar os pobres constitui o principal sinal de que Jesus é o Messias esperado pela humanidade. Evangelizar não é impor a alguém um conjunto de doutrinas ou submetê-lo a um enorme código de leis e regulamentos. Evangelizar é levar boa notícia, levar esperança e ânimo a quem precisa, aos pobres, aos sofredores, às vítimas deste mundo.
A um morador de rua, você não vai dizer que ele deve ir à missa todo domingo; você vai dizer que Jesus também era “trecheiro”, não tinha nem uma pedra onde encostar a cabeça.
A boa notícia para os oprimidos pode ser má notícia para os opressores, mas é a mensagem de Jesus. Quando ficamos com medo de magoar os opressores, não nos estamos escandalizando com Jesus?
É preciso saber combinar a ideia do juiz implacável, que separa o que presta – o grão – do que não presta – a palha, que vai para o fogo –, com a ideia daquele que vem curar a todos, abrir os olhos aos cegos, os ouvidos aos surdos e purificar os “sujos”, enfim, trazer boas notícias para os pobres.
Abrir os olhos aos cegos, os ouvidos aos surdos, a boca aos mudos, fazer os inválidos ficar de pé, com o entendimento disso como milagres ou manifestações de poder, em pouco ou nada modifica o nosso comportamento e a caminhada da humanidade. Quando essas coisas são sinais do objetivo de fazer todos se tornarem sujeitos, senhores da própria vida, já incomodam bem mais.
O reino sofre violência. Não é fácil a busca do reinado de Deus. O mais difícil talvez seja desembaraçar-se do reinado do dinheiro e de tudo o que ele oferece. “Só os violentos o arrebatam”, só os fortes raptam esse reinado.
Trata-se da força usada por João, o precursor, que preparou a vinda daquele que haveria de começar o reinado de Deus no mundo. Ele não era um ramo agitado por qualquer vento, nem vestia roupas chiques: era um profeta, já pela própria austeridade e firmeza, e mais do que um profeta, pois preparava os caminhos do Senhor.
Mais violento ainda foi Jesus, ao entregar-se livremente à morte de cruz a fim de rasgar os caminhos para uma humanidade nova. Essa sua violência e o mundo novo celebramos na eucaristia.
Advento não é preparação para comemorar o Natal. Advento é celebrar a chegada do Senhor e reunir forças para arrebatar o reinado de Deus.

Fonte: VIDA PASTORAL.

muindi wa mangala

“On Death and Dying“

The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end.   When ...