14/10/2010

O JUIZ INÍQUO E A VIÚVA TEIMOSA NA LUTA PELA JUSTIÇA - Frei Jacir de Freitas Farias, ofm

29º DOMINGO DO TEMPO COMUM
I. INTRODUÇÃO GERAL
Um juiz iníquo e uma viúva teimosa. Um juiz poderoso e incrédulo. Uma pobre mulher e vencedora. Dois personagens que apresentam um contraste entre suas atitudes, no evangelho de hoje. Duas atitudes que, aliadas às de Josué, Moisés e Paulo, iluminam a nossa caminhada de evangelizadores.
Outubro é o mês das missões. Na próxima semana, estaremos celebrando o dia mundial das missões. Em que esses textos podem nos ajudar na difícil tarefa de ser missionário? O missionário é aquele que, como a viúva, insiste no cumprimento da justiça de Deus.
II. COMENTÁRIOS DOS TEXTOS BÍBLICOS
1. I leitura (Ex 17,8-13): Josué e Moisés: a luta social com espiritualidade. Nesta leitura, dois personagens se destacam: Josué e Moisés. O primeiro é enviado pelo segundo para cumprir a missão divina de ir ao país inimigo, dos amalecitas, habitantes da região do deserto do Neguev (1Sm 15,7), e destruí-los em nome do Deus de Israel, que os venceria. Israel e Amalec eram países irmãos, por serem descendentes de Esaú, irmão de Jacó, filhos de Isaac (Gn 14, 7; 36,12). Entretanto, reinava uma rivalidade constante entre eles. Ambos, em nome de Deus, queriam o extermínio um do outro pela ação divina (Ex 8,8-16). Os amalecitas eram uma ameaça constante a Israel, o povo de Deus. Este temia o fim da liberdade e da aliança com Deus.
Guardadas as devidas proporções, a narrativa se parece com a dos missionários de outrora. Os dominadores, portugueses ou espanhóis, levavam consigo a religião, representada pelo clero. Não por menos, um franciscano, frei Henrique de Coimbra, celebrou uma missa para marcar a chegada dos portugueses ao Brasil. Assim como nos parece absurdo saber que em nome de Deus se lutava no Primeiro Testamento, da mesma forma, a evangelização na América Latina custou a vida de tantos inocentes indígenas.
Moisés sobe a uma colina, lugar, na visão judaica, do encontro com Deus. Em suas mãos, ele traz uma vara. Mãos levantadas é sinal de vitória para Josué. Mãos abaixadas, derrota. Como não era fácil manter as mãos erguidas, seus auxiliares, o sacerdote e seu irmão Aarão, juntamente com Hur, que o acompanhava, resolvem segurar levantadas as mãos de Moisés até a vitória final de seu enviado.
Esse relato, à primeira vista simplório, faz parte da catequese da comunidade teologal eloísta, que o escreveu por volta do ano 740 a.E.C., para os israelitas. O objetivo dele era demonstrar que o povo tudo podia se estivesse com Deus. É Deus que combate no lugar do povo. Deus é um guerreiro valoroso. A vara de Moisés é a mesma que fez brotar água no deserto (Ex 17,5). Aarão e Hur são os responsáveis por manter as mãos de Moisés levantadas. Cada personagem tem o seu papel na história. Todos cumprem o papel de levar o poder do Deus de Israel a outros povos. Na verdade, podemos ver aqui uma ação missionária. Pena que o seu teor é o das grandes ações missionárias de que falamos anteriormente. Por outro lado, podemos destacar duas atitudes peculiares decorrentes do texto, as quais inspiram o trabalho missionário: Josué representa a luta política e Moisés, a espiritualidade. São dois modos de agir que precisam estar unidos no trabalho missionário. Se um fica enfraquecido, o outro também não resiste. A espiritualidade na missão libertadora, na luta social e política, são dois caminhos numa mesma estrada. Para o povo judeu, a sua missão no mundo é levar a santificação para todos os povos, o que inclui atitudes de luta social e espiritualidade. Para muitos, falar desse tema: luta social e espiritualidade, pode parecer fora dotempo, anacrônico, visto que cristãos aguerridos, como os das décadas de setenta e de oitenta, parecem não mais existir. Não. O tema é atual e merece nossa reflexão, de modo a encontrarmos novos caminhos de ação libertadora. Sem espiritualidade, o caminho da luta fica fraco.
2. Evangelho (Lc 18,1-8): juiz iníquo e a viúva: injustiça e fé. O evangelho deste domingo nos coloca em contraste duas pessoas, o juiz que não cumpre o seu papel de fazer justiça, e a pobre viúva que insiste até conseguir o seu intento, a justiça. Em Israel, a viúva, o órfão e o pobre formavam uma tríade que a lei tratava com especial atenção. “Socorrei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a viúva” (Is 1,17). “Defendei o oprimido e o órfão, fazei justiça ao humilde e ao pobre, livrai o oprimido e o necessitado, tirai das garras dos ímpios” (Sl 82,3-4). Outros textos bíblicos ressaltam que a viúva tinha proteção especial da Lei (Ex 22,20-23; Dt 14,28-29; 24,17-22), mas, sobretudo, de Deus, que escuta sua lamentação, a defende e a vinga (Dt 10,17; Eclo 35,14; Sl 94,6-10). Para o judeu, temer a Deus, ou melhor, reverenciar, é o mesmo que fazer cumprir a Lei a favor dos fracos e desprovidos (Ex 22,21-22; Dt 24,17).
Interessante é que Lucas, o evangelista que se preocupa com a salvação trazida por Jesus para os não judeus, é o único que conservou essa parábola da viúva. A comunidade de Lucas tinha como objetivo demonstrar que o cristão deve rezar sempre com fé e pedir com insistência a Deus em favor da justiça. Muitos cristãos estavam desanimados. Eles começavam a acreditar que não mais seria possível a realização do Reino pregado por Jesus. O cristão não pode sair da luta. Ele precisa perseverar sempre e dar testemunho de sua fé. Deus agirá em breve em favor dos pobres (v. 8), conforme esperavam também os judeus não cristãos (Eclo 35,18-19).
Somos sabedores de que a justiça em nosso país é lenta e não funciona em favor dos pobres. Um dia desses, uma juíza, diante de um caso que tinha dado sinais evidentes de crime, até mesmo com testemunho dos réus, se declarou surpresa em um telejornal com a decisão de absolvição por parte dos jurados. Ela disse ainda que isso é comum na justiça brasileira.
A ação missionária da igreja, buscando iluminação no evangelho, nos apresenta o desafio de evangelizar com base na justiça e na oração. Como a viúva, a insistência leva a vitória do pobre que, mesmo não tendo recursos econômicos, sai à procura de soluções. Os pobres de hoje, as viúvas de ontem, são a razão principal das missões dentro e fora da igreja. Juízes injustos e sistemas econômicos que não geram vida, estes sim, devem ser evangelizados e conclamados à conversão. Como a viúva, os pobres devem persistir na luta e na eterna esperança de um mundo de justiça, paz e fraternidade. Essa é a missão de todos, ricos e pobres, que acreditam na boa-nova do evangelho de Jesus Cristo.
3. II leitura (2Tm 3,14-4,2): Paulo a Timóteo: a missão do cristão é pregar a Palavra de Deus com esperança e sede de justiça. Nesta leitura, Paulo, mais uma vez, escrevendo a Timóteo, retoma o valor da fé e da pregação da Palavra de Deus. Ele retoma a infância de Timóteo, sua experiência familiar, para dizer que foi ali que ele recebeu os ensinamentos que deve transmitir. Paulo, o grande missionário, insiste em ressaltar valores que o cristão não pode perder no exercício de sua missão: anunciar a Palavra de Deus com coragem; levá-la a quem não a conhece; questionar quem não a pratica; animar aqueles que perderam a esperança; educar na justiça. Em síntese, o missionário deve ser fiel à Palavra e perseverante na fé que anuncia. Eis aí um programa de missão. A igreja deve sobremaneira a Paulo que, imbuído desses princípios, levou o cristianismo para além de Israel. O cristianismo é mais paulino que petrino.
Paulo insiste na atitude missionária de Timóteo, tendo como duas testemunhas de sua ação o próprio Deus e Cristo Jesus, aquele que virá em breve, na parusia, como juiz escatológico. O número dois é simbólico na visão judaica. Sempre eram necessárias duas pessoas para servir de testemunho. Daí o fato de Jesus enviar os discípulos dois a dois em missão. Mulheres e crianças não podiam dar testemunho.
Timóteo, assim como todo missionário, terá que prestar conta de sua ação evangelizadora. Somos responsáveis pelos nossos atos. Outro detalhe fundamental: a Bíblia, Palavra inspirada por Deus, é arma principal na missão que educa na justiça, corrige, instrui e refuta qualquer ação que não condiz com o plano da salvação. Paulo relê o Primeiro Testamento na perspectiva de Jesus. Ele é a chave de interpretação da Bíblia e a sabedoria de Deus. A Bíblia nos conduz, em Jesus Cristo, à salvação. Pena que, em nossos dias, ela é interpretada por muitos cristãos de forma fundamentalista, ao pé da letra.
III. PISTAS PARA REFLEXÃO
1. Demonstrar as atitudes do juiz iníquo em contraste com a persistência da pobre viúva, na missão evangelizadora de todos nós.
2. Mostrar as dificuldades inerentes à ação evangelizadora da igreja, sobretudo no que se refere à justiça social.
3. Perguntar pela vida de oração, pela esperança e luta da comunidade. Como estamos vivenciando esses valores?

Fonte: VIDA PASTORAL.

12/10/2010

"Matam-se mulheres feito moscas no Brasil"

“Enquanto o machismo não acabar, as mulheres continuarão morrendo”, diz a promotora de Justiça Luiza Nagib Eluf (foto), especialista em crimes contra a mulher e homicídios passionais em entrevista à revista IstoÉ, edição 21-07-2010.

Com cinco livros publicados, entre eles o best seller A Paixão no Banco dos Réus, no qual analisa os principais crimes passionais que ocorreram no País, Luiza diz que as leis atuais são boas, mas há ineficiência da polícia e do Judiciário quando a mulher denuncia a agressão ao poder público. “Só a prisão do agressor pode salvar a vida da mulher inocente”, diz ela, há 31 anos no Ministério Público, quase todos na vara criminal.

Vocação: dom de Deus a serviço do próximo - Robério Crisóstomo da Silva *

          O mês de agosto no Brasil é um tempo em que cada cristão é convidado a refletir e rezar pelas vocações, em seus diferentes estados de vida. Isso nos faz compreender o grande e fiel amor de Deus para com cada um de nós, pois o primeiro sinal de sua inclinação por nós foi proporcionar a alegria de sentirmo-nos sujeitos protagonistas da sua missão, preenchendo-nos no dia do nosso batismo com os dons do Espírito Santo, o qual nos anima para na liberdade darmos uma resposta a seu projeto, que visa à defesa da vida humana e o anúncio do seu Reino a todos os povos.
        Constatamos em Mc 6, 6-13 o chamado de Jesus a alguns homens, onde cada um em sua liberdade e responsabilidade assume o seu ministério de apóstolo. Percebemos também que o chamado de Jesus é uma convocação que leva a uma radical entrega, pois mesmo conhecendo as limitações humanas, Jesus não chama os capacitados, mas capacita os que são chamados. Trata-se de um Deus misericordioso, que consagra na sua intimidade a pessoa humana em toda a sua totalidade. É o próprio Deus quem capacita e fortalece o indivíduo abrindo novos horizontes, chamando sobretudo a ir mais além de suas realidades e viver um estilo de vida na entrega total ao anúncio do Evangelho e na construção de uma vivência mais fraterna e humana entre todos os homens mulheres, sobretudo os mais excluídos.(continue lendo...)
Leia também:É possível conhecer outras pessoas? : Por Michael Mutinda*Jovens missionários realizam Missão na periferia: Por Dido Kabaka*

* Robério Crisóstomo da Silva, imc, é seminarista, estudante de teologia na Escola Dominicana de Teologia - EDT, em São Paulo.

As Aparições de Maria - Por A. Murad

Continuamos a responder as principais perguntas sobre as Aparições de Maria. Se você quer conhecer mais, leia: "Visões e Aparições. Deus continua falando?", A. Murad, Ed. Vozes.
1. Como distinguir se uma aparição é autêntica?
Não podemos afirmar com total certeza, mas alguns critérios nos ajudam:
* Equilíbrio mental do vidente: se a pessoa tem boa saúde psíquica. Indivíduos mentalmente desequilibradas podem ter visões de Nossa Senhora, que são apenas criação de sua imaginação e do seu desejo. Normalmente, os videntes que querem ser reconhecidos pela Igreja, são submetidos a uma junta de profissionais, psiquiatras e psicólogos, para avaliar sua saúde mental.
* Honestidade do vidente e de seu grupo: O vidente e seu grupo devem buscar, com simplicidade, a fidelidade à vontade de Deus, e não seus interesses próprios. Por vezes, a busca de fama, poder ou dinheiro, ou a pressão de parentes e amigos acaba produzindo aparições induzidas nos videntes. Em resposta a estes estímulos, eles passam a criar e repetir mensagens, para atrair o grande público.
* Qualidade da mensagem: a mensagem do vidente deve estar de acordo com o evangelho e a caminhada da Igreja no seu país e no mundo. Deve ser Boa-Notícia, atualização do Evangelho para nós. Se, ao contrário, o vidente só lembra do castigo e da ira de Deus, está esquecendo a mensagem de misericórdia do evangelho (Lc 15). Se o vidente veicula mensagens eivadas de julgamentos e preconceitos contra pessoas e grupos, é sinal que não vem de Deus, mas do engano, do orgulho e da vaidade.
* Frutos das aparições: se o movimento de uma aparição leva muitos cristãos a viver melhor a fé, a esperança e a caridade, é um bom sinal. Também as curas e milagres podem nos dizer que Deus está agindo ali de maneira especial.
Esses quatro critérios podem ajudar você a analisar se um movimento de suposta aparição é bom e digno de crédito.

2. Qual a diferença entre “visão” e “aparição”?
Aparição significa que Maria glorificada se manifestou a um ou mais videntes e lhes deixou uma mensagem, para ser transmitida aos outros. Visão é um tipo de experiência mística extraordinária, na qual uma pessoa afirma ter visto a mãe de Jesus. Normalmente a visão vem acompanhada de uma mensagem. Mas também há místicos que não vêem, mas ouvem vozes de Jesus, de Maria, ou de algum santo. Isso pode acontecer também com qualquer um, alguma vez na vida, em momentos de intensa experiência espiritual. Quando falamos em aparição, estamos qualificando o fenômeno do ponto de vista do Sagrado que provavelmente aí se manifesta. Se dizemos visão, estamos sendo mais cautelosos, pois só dizemos que uma pessoa experimentou algo extraordinário. De qualquer forma, um pretenso vidente necessita de acompanhamento espiritual e humano qualificados, para discernir o que está acontecendo nele e ajudá-lo na caminhada de fé.

3. Os católicos necessitam acreditar nas aparições?
Não. As aparições não fazem parte do credo e dos dogmas católicos. Temos a liberdade de aceitar ou ignorar essa experiência religiosa. As aparições têm seu valor espiritual, mas não são absolutas. Até os pedidos dos videntes - que eles consideram vindos de Maria - como rezar o rosário ou fazer penitência, são apenas conselhos para ajudar a nossa vida cristã. Ninguém é obrigado a segui-los. Se alguém sente que isso a aproxima de Deus e o ajuda a realizar Sua vontade, pode se servir deles. Mas ninguém tem direito de julgar os que não acreditam nas aparições e ignoram os pedidos dos videntes. Por outro lado, os que não crêem em aparições devem respeitar os que pensam diferente deles. O católico pode confiar na experiência e na mensagem de alguns videntes, mas será uma confiança humana, mesmo que haja muitos sinais maravilhosos.

4. Como a Igreja reconhece a autenticidade de uma aparição?
Trata-se de um processo longo e demorado. Abre-se um processo canônico, que começa na diocese onde acontece o fenômeno. Isso exige que o bispo esteja aberto para analisar o fenômeno e creia que pode haver algo “a mais” acontecendo com o vidente. Uma comissão de peritos analisa a situação psíquica do vidente. O mesmo acontece com o teor das suas mensagens. Analisa-se também a qualidade dos sinais extraordinários realizados, especialmente curas e conversões. Passada esta fase, toda a documentação é enviada a Roma, que pode nomear outras comissões para convalidar o processo diocesano. O reconhecimento oficial é muito moderado na sua linguagem. Declara-se que a mensagem do vidente “é digna de fé humana” ou seja, pode ser divulgada e acolhida pelos fiéis, mas não constitui algo original ou obrigatório para a experiência cristã. Aceita-se que no local seja erguido um santuário de louvor a Maria, com o nome que o vidente lhe conferiu. Em momento nenhum, o documento oficial da Igreja declara que Maria apareceu naquele lugar. Por isso, as aparições estão no campo devocional, e náo do dogma.

Fonte: Maria: mãe nossa

Dia das crianças - Por Maria Regina Canhos Vicentin *

Disseram que vamos comemorar mais um dia das crianças. Mas, onde estão as crianças? Só vejo pequenos adultos, consumidores de produtos e brinquedos. Muitos batendo o pé e exigindo a satisfação de seus caprichos. Um dia comercial; impositivo, e frustrante para todos aqueles que não conseguem ter o que desejam. Alguns pais crêem que as crianças precisam ganhar presentes, e muitos publicitários os convencem disso através de propagandas maravilhosas. Logo cedo nossas crianças começam a acreditar que a felicidade está depositada em coisas que podem vir a ganhar ou adquirir. E os pais parecem pensar da mesma forma, tanto que se esforçam para comprar aquilo que foi solicitado, sacrificando-se até.
Penso que muito mais que presentes nossas crianças precisam é de atenção. Respeito que não as exponha ao trabalho infantil. Cuidados que não favoreçam sua exploração sexual. Amor que não espalhe manchas pelo corpo através da violência física. Afinal, dia das crianças é todo dia. E eu gostaria que realmente fosse um dia feliz para aquela criança que foi esquecida na escola ou dentro do carro. Também queria que fosse um dia feliz para aquela criança que foi espancada e sexualmente abusada. Acharia ótimo comemorar com as dezenas de crianças que fumam crack pelas ruas, e também com aquelas que furtam, roubam e se prostituem. Elas também são crianças e precisam comemorar o seu dia, mas o mundo parece não se importar muito com elas.

Nossas crianças não precisam só de presentes, embora a televisão insista que sim. Nossas crianças precisam de amor e atenção. Precisam da nossa solidariedade e compaixão. Não importa que não sejam nossos filhos, a responsabilidade também é nossa; é de todos nós. Se o período da infância encurtou, foi porque nós adultos deixamos isso acontecer. Permitimos que nossas crianças amadurecessem cedo demais, assim teríamos menos trabalho, certo? Errado! Temos mais trabalho agora, pois elas querem se drogar, fumar, beber e transar com onze anos de idade. E continuam sendo apenas crianças!

Quem roubou a infância delas? Acaso foram outras crianças ou os próprios adultos? Fui procurar alguns mimos para distribuir entre elas: meiguice, sonhos, inocência, acanhamento, confiança, afeição... Não encontrei; não havia esses carinhos à venda. Estavam esgotados. Como ninguém mais os procurou, com o tempo acabaram deixando de comercializar. Voltei de mãos vazias. Pedi a Deus, no entanto, que neste dia das crianças toque o coração dos adultos que roubaram os pequenos, para que devolvam tudo aquilo que lhes foi subtraído. Quem sabe assim, teremos um amanhã mais bonito e menos comercial.

* Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) é escritora. Acesse e divulgue o site da autora: http://www.mariaregina.com.br/

Fonte: www.mariaregina.com.br

Dia da padroeira do Brasil

       A chamada "pescaria milagrosa" aconteceu em 12 de outubro 1717,
no Porto Itaguaçu, na curva do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo,
onde três pescadores encontraram a figura de Nossa Senhora Aparecida.

     









         Fé. Esse é o sentimento que conduz a vida de milhares de brasileiros, como Maria José de Alcântara, servidora da Subsecretaria de Comunicação Social do Rio de Janeiro. As histórias de devoção a Nossa Senhora da Conceição Aparecida são semelhantes. Todas movidas pelo amor e pelo conforto encontrados nas belas mensagens das orações da padroeira do Brasil. Às véspera do feriado que comemora seus milagres e sua importância para a cultura brasileira, os católicos cariocas já se preparam para festejar a data nesta terça-feira.
 
         Maria José se refere carinhosamente a Nossa Senhora Aparecida como "minha mãe de coração", para quem recorre nos momentos de sofrimento. As romarias e as excursões a Aparecida, no interior de São Paulo, onde fica o maior santuário da América Latina dedicado à Virgem Maria, começou cedo, ainda na adolescência. Hoje, com 68 anos, não perde uma comemoração da padroeira do Brasil, seja na basílica ou na paróquia que frequenta em Vicente Carvalho, para agradecer as graças alcançadas.
 
"Fui a Aparecida muitas vezes. Não poderei ir esse ano, mas em 2011 vou pagar mais uma promessa que fiz: pedi pela minha sobrinha, que teve meningite. A menina, que está com 10 anos, está curada e não teve nenhuma sequela. Vamos reunir toda a família para ir ao santuário. Quando o meu marido teve um derrame, pedi muito a ajuda dela e fui atendida. Hoje, ele está bem. No dia 12, não vou deixar de festejar o dia da minha 'mãezinha'. Vou à missa às 9h, aqui no Rio de Janeiro", garantiu a servidora.
 
Proteção, consolação, esperança e mãe são expressões comuns usadas quando os fiéis de Nossa Senhora falam sobre sua devoção. O carinho e a fé dos romeiros e peregrinos transformaram a padroeira em uma das imagens católicas mais admiradas e respeitadas do país. Para os devotos, o manto que a Virgem Aparecida veste é símbolo de amor, e seu olhar, de paz. Muitos, como Maria José, veem na padroeira um porto seguro.
 
"Nossa Senhora Aparecida é divina. Ela é tudo na minha vida, é minha paixão. Quando chego à igreja dela, em Aparecida, me sinto muito confortável. Fico muito feliz ao ver a imagem dela. Meu amor por Nossa Senhora começou quando vi sua imagem pela primeira vez. Não tem quem não se apaixone pela história e pela nossa padroeira. Só de falar de Nossa Senhora fico emocionada e arrepiada", revelou dona Maria José.

Imagem da santa foi pescada do Rio Paraíba do Sul
A história da imagem da padroeira do país por si só já é considerada um milagre. A chamada "pescaria milagrosa" aconteceu em 12 de outubro 1717, no Porto Itaguaçu, na curva do Rio Paraíba do Sul, em São Paulo, onde três pescadores encontraram a figura de Nossa Senhora Aparecida. Na primeira vez que lançaram a rede nas águas, Domingos Garcia, Felipe Pedroso e João Alves encontraram o corpo da imagem. Logo após, a cabeça. Depois do "resgate", muitos peixes começaram a surgir no rio. Esse seria a primeira graça registrada.
 
"A pescaria milagrosa foi o primeiro sinal de Deus. Maria veio em auxílio daqueles homens que já estavam amedrontados, porque se não levassem os peixes para seus patrões, seriam torturados. A imagem original de Nossa Senhora da Conceição é feita de terracota e é negra por causa do tempo que a figura ficou no fundo do rio, na lama. Muitos sinais prodigiosos foram atribuídos a ela, como o milagre das velas, que se acederam sozinhas durante uma noite de oração", narrou o padre Gilvan André da Silva, pároco da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Ilha do Governador, zona norte do Rio.
 
Durante 15 anos, a imagem ficou na casa de um dos pescadores, Filipe Pedroso, onde os fiéis se reuniam para orar. Com o passar do tempo, a devoção a Nossa Senhora foi crescendo e ultrapassou fronteiras. O primeiro espaço criado para cultuar a padroeira foi um oratório no Porto de Itaguaçu. Em 1834, foi iniciada a construção da Basílica Velha. Na década de 80, a Basílica Nova passa a ser o novo templo de orações. Coroada em 1904, Nossa Senhora Aparecida recebeu o título de rainha e padroeira oficial do Brasil em 1929, pelo Papa Pio XI.
 
"Nossa Senhora da Conceição Aparecida é popular, primeiramente porque é a padroeira do Brasil. A representação que ela tem no mundo católico e até em outras religiões é muito grande. A maioria dos brasileiros respeita a devoção a Nossa Senhora Aparecida. Todos os povos são filhos de Deus e de Maria. A Virgem Maria continua realizando milagres. Só na minha paróquia recebemos, de 1° a 12 de outubro, cerca de130 mil devotos. A admiração pela padroeira é forte", ressaltou o padre Gilvan André.

Na Paróquia Nossa Senhora Aparecida, na Ilha, as comemorações do dia da padroeira tiveram início no sábado, com uma carreata. A festa continua com shows de grupos musicais até esta segunda-feira, véspera do feriado. Na terça-feira, a homenagem a Nossa Senhora começa cedo, às 5h30, com a alvorada. Depois, a partir das 6h, acontecem as missas. Às 20h30, os fiéis se reúnem na procissão luminosa. Em seguida, participarão do show pirotécnico e do encerramento com as bandas da paróquia.

Fonte: Terra

11/10/2010

Fundamentalismos religiosos são ameaça à democracia - Por Luís Carlos Lopes*

         O problema dos grupos religiosos fundamentalistas não é de natureza teológica. Eles demonstram possuir, onde atuam, uma visão política antiga que flerta com o fascismo. Segundo estas organizações, as verdades que acreditam devem ser estendidas a todos. As pessoas deveriam simplesmente obedecer como cordeiros a determinação desta minoria. Apesar de numerosos, eles são minoria e não são tão organizados como parecem ser. Suas opiniões flutuam como folhas ao vento, porque são determinadas pelo que ouvem nos seus templos e nas redes de comunicação que dominam. O recado que passaram é que existem e precisam ser considerados. Entretanto, não é difícil ver que suas convicções, quando ultrapassam o terreno religioso, são facilmente moldáveis pelas exigências que pesam sobre todo mundo, vindas da sociedade de consumo e do espetáculo, isto é, do capitalismo contemporâneo.(continue lendo)

* Luís Carlos Lopes é professor e escritor.

“On Death and Dying“

The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end.   When ...