O termo sacramento entra na linguagem cristã através de Tertuliano no princípio do séc. III. Inicialmente, “sacramentum” é o ato de consagração com que o soldado se compromete a tal fidelidade ao seu imperador e desta consagração traz sobre o seu corpo impresso um “sinal-selo”. A palavra sacramento vem do grego “mystérion”. Assim, os sacramentos são sinais através dos quais Deus, em seu Mistério, se aproxima do ser humano e os humanos se aproximam de Deus.
Os Sacramentos são sinais da comunhão com Deus, em Cristo, pelo Espírito Santo, que marcam com sua graça momentos fortes da vida. Na religiosidade popular o povo também encontra maneiras simples de expressar e viver sua fé e o compromisso missionário. A digna celebração dos sacramentais, como bênçãos e exéquias, vêm ao encontro da alma do povo e oportuniza a celebração do mistério pascal
A vida humana tem estrutura sacramental, pois esta se desenvolve a partir das relações do encontro de pessoas entre si e mais com as coisas e a realidade que a cercam. O encontro da pessoa com Deus passa por muitas mediações, entre elas os sacramentos.
Os sacramentos configuram a vida humana, numa íntima relação que vai desde a infância e faz processo de caminhada no crescimento da fé. Eles tem sentido porque estão inseridos na moldura da vida cristã, isto é, na vivência do seguimento de Jesus Cristo, que congrega seguidores no seio de uma comunidade de fé. A vida, podemos dizer, cresce a partir de elementos essenciais: saúde, alimentação, educação, moradia... A fé também cresce a partir da vida alimentada pela celebração, vivência comunitária, oração, leitura da Palavra, pelo amor experimentado na convivência dos irmãos e irmãs e na gratuidade de ir ao encontro dos outros.
Na linguagem do NT é o próprio Jesus que se torna sacramento. Ele é o sinal, a presença, o “Deus conosco” através de sua encarnação, vida, morte e ressurreição. Quando perdemos de vista a pessoa de Jesus, seu projeto, vida e compromisso, será mais difícil reconhecê-lo nos sacramentos. Para o cristão, os sacramentos precisam ser o sinal-selo do compromisso radical com a vida, do seguimento e encontro com a pessoa de Jesus no cotidiano e na vivência comunitária e da Igreja, onde, através da celebração, fazemos a memória do Mistério Pascal de Cristo
18/04/2012
SANTÍSSIMA VIRGEM CONSOLATA - Padroeira e Mãe Do Instituto Missões Consolata.
Introdução.
Há séculos, a santíssima virgem é honrada e venerada, na cidade de Turim, sob o titulo de CONSOLATA, no celebre santuário que lhe é dedicado. O bem aventurado José Allamano, fundador dos missionários e missionárias da Consolata, foi reitor do santuário pelo espaço de 46 anos; durante este tempo reacendeu a devoção à virgem Consolata em todas as categorias de pessoas. Devolveu novo esplendor ao santuário, renovando-o material e espiritualmente. Com a fundação do instituto dos missionários/as da Consolata acrescentou uma nova pérola à coroa da virgem. Allamano teve a firme convicção de que ‘O Instituto surgiu por vontade da Consolata’. A fundadora é ela. E nós a veneramos como padroeira e mãe. Trazemos o titulo da Consolata ‘como um nome e sobre nome’. O instituto é obra de Maria. Por isso, a solenidade da Consolata no dia 20 de junho é ‘nossa festa, nossa de maneira especial’.
A Devoção Mariana na Itália.
A devoção mariana encontra-se presente em qualquer época da espiritualidade cristã; não, porem, com as mesmas características e com a mesma intensidade. Se, no inicio do século XIX, a devoção mariana apresentava-se em proporções modestas, o confluir de diversos fatores provocou um crescimento significativo, a tal ponto, que no final do mesmo século, alcançou dimensões grandiosas. Entre estes fatores merece destaque a proclamação do dogma da imaculada conceição em 1854; as aparições; a fundação de congregações religiosas dedicadas a viver e propagar a devoção a Maria; as conversões de pessoas ilustres que passaram a divulgar tal devoção; as peregrinações. As praticas devocionais que adquiriram maior importância são o rosário e o mês de maio.
A devoção mariana era um elemento significativo da espiritualidade do século XIX. Vale para esta devoção, em particular, o que Stella diz a nível geral sobre as devoções, “o oitocentos, também sob este aspecto pode ser considerado como um século de transição, com persistência da religiosidade arcaica magicista e com a prevalência de orientações mais equilibradas da piedade individual e coletiva. As invocações mais comum eram as sugeridas pela própria ave-maria; minha mãe, mãe santa. Os títulos mais usados eram os da salve-rainha; boa mãe, mãe de misericórdia, mãe de todas as graças. Sobre o titulo de nossa mãe e mãe de deus, projetava-se a concepção de mãe, típica do sistema patriarcal oitocentista, modulada pela afetividade induzida pelo romantismo e matizada pelo papel de suprema autoridade atribuída ao pai pela legislação popular, mesmo no final do século, podiam ser encontradas dramatizações onde, no juízo final, cristo aparecia como o juiz sincero e Maira como representante, por excelência, da misericórdia divina.
A piedade mariana apoiava-se na dimensão filial e no tema da plena confiança, próprias do relacionamento do filho com a mãe. Não obstante as tendências apocalípticas e antiliberais que se faziam presentes, sobretudo na interpretação do significado e mensagens das aparições, verificou-se, ao longo e particularmente na segunda parte do século, uma progressiva purificação do culto mariano, fundamentando-o na mensagem de fé expressa na definição dogmática da imaculada conceição. O clima mariano penetrou em toda a igreja italiana e vitalizou os santuários, promovidos por eclesiásticos e leigos, seja em território urbano ou rural.
A Devoção à Consolata em Turim.
O santuário da Consolata é para Turim o principal centro de devoção mariana. Segundo uma pia tradição, quem propôs ao povo turines a devoção a nossa senhora Consolata teria sido são Maximo, bispo de Turim no final do século IV. O quadro, escondido nos subterrâneos da igreja de santo Andre durante o período iconoclasta, teria sido prodigiosamente encontrado pelo cego de Briançon em 1104. estudos recentes afirmam que uma tal versão dos fatos carece de fundamentação histórica e hipotizam que o culto à Consolata, sob o originário titulo de nossa senhora da consolação, se tenha gradualmente desenvolvido junto à igreja de santo André, a partir da chegada dos monges beneditinos, provindos da abadia da Novalesa, fugitivos à invasão dos sarracenos.
Hinos e crônicas escritos pelos mesmos monges testemunham que a vivacidade da devoção mariana nesta comunidade monacal, bem como o seu empenho para suscitar a devoção no povo circunstante. Precedentes a uma devoção especifica à Consolata e aos primeiros documentos referentes à capela ou santuário da Consolata, estes hinos e crônicas chamam a atenção para um elemento fundamental na devoção mariana que confluirá no santuário da Consolata. Os títulos que estes monges usam para referir-se a nossa senhora põem em evidencia a sua maternidade. Maria é, sobretudo, a mãe de Deus e mãe solícita pelo bem dos seus filhos.
O USO DOS TÍTULOS: Consolata, Consoladora e da Consolação.
A idéia da expressão piemontesa La Consola e o seu correspondente italiano La Consolata é a forma do particípio passado, do gênero feminino, e como tal tem uma significação passiva: ‘aquela que foi consolada’. Há diversos textos, hinos e representações sacras em que Maria é apresentada como a desconsolada que necessita de consolação. Segundo G. Gasca Queirazza (autor do ‘La Consola – La Consolata: il titolo caratteristico della devozione alla Madonna di Torin”) a denominação a ou de Consolatione (da consolação) seria a única de uso propriamente litúrgico e a que é habitualmente empregada nos documentos oficiais eclesiásticos e esporadicamente em outros documentos vários; o apelativo Consolatrix ou Consolatrice, (consoladora) encontrado pela primeira vez no final do século XVI seria predileto no estilo epigrafico e freqüentemente empregado nas exposições doutrinais e de tipo exortativo, quando se quer convidar os fieis à confiança em Maria; o titulo Consolata seria mais freqüente e praticamente o único usado para designar diretamente a igreja, a imagem e a própria virgem Maria na devoção turinesa.
Quando os turineses chamam nossa senhora pelo nome, se dirigem a ela com o titulo Consolata ou na expressão dialetal La Consolà. Consolata é, por diversas vezes, apresentada como aquela que é objeto de consolação. Ela foi consolada por Deus pai que a escolheu para ser a mãe do seu filho; é consolada pelo filho que a cumulou dos mais ricos dons na ordem da natureza e da graça; é consolada pelo espírito que a escolheu por esposa e a enriqueceu com os seus dons divinos; agora é consolada no céu porque é a rainha do universo. Tendo tomado o nome da virgem Consolata, o instituto missões Consolata, tem como fim consolar o próprio coração do nosso senhor Jesus cristo, realizando os desejos mais ardentes do seu amor. Neste caso, o uso do termo se dissocia daquela que é a perspectiva principal da sagrada escritura. Nesta, o termo, quando de alguma forma é referido a Deus, o apresenta como o consolador em relação aos homens necessitados de consolação e não vice-versa.
CONSOLATA: O Anuncio Que Busca Justiça E Alegria.
“Eu porei neles um sinal e enviarei os seus descendentes às nações, às ilhas longínquas, que nunca ouviram falar de mim e nunca viram a minha gloria, e anunciarão a minha gloria às nações.” . Essas são as palavras que se encontram na primeira parte das nossas constituições que tem como introdução a nossa vocação na igreja.
Pe. Allamano fundara em 1901 os missionários da Consolata (padres e irmãos), e em 1910 as missionárias da Consolata . Ele deu-lhes o mesmo fim especifico expresso no lema, ‘anunciarão a minha gloria aos povos’ (Is. 66,19) Este é um lema a mais para refletir quando falamos de Consolata. Várias questões perturbam-nos enquanto o lemos – porque Allamano escolheu esta frase de Isaias como o nosso lema? Por que não foi de outro livro de Isaias? O que significa esta frase no seu sentido original? Qual é a aplicação dela no dia de hoje?
A tradução bíblica (versão - A Nova Bíblia de Jerusalém) da frase que as constituições usam diz o seguinte: “Porei um sinal no meio deles e enviarei sobreviventes dentre eles às nações: e Tarsis, A Fut, A Lud, A Mosoc, A Tubal e a Java, às ilhas distantes que nunca ouviram falar a meu respeito, nem viram a minha gloria entre as nações. Estes proclamarão a minha glória entre as nações,...” (Isaias 66,19.)
Como explicar este pronunciamento encontrado em Isaias? Primeiramente, é ver o seu contexto em que se encontra esta frase. O que significa o sinal? As nações? Ver a gloria? Anunciar a gloria? Enviar? Etc.
A nossa primeira pressuposta é que muitos exegetas concordam que os vv. 18-24 provavelmente foram acrescentados como conclusão dos caps. 46-66, ou até mesmo do livro inteiro. Todo o trecho devia ser em verso e possivelmente foi desfigurado pela inserção da lista de nações do v. 19 e dos meios de transporte do v. 20 . Todas as nações serão convertidas e reconduzirão os dispersos de Israel a Jerusalém em oferenda a Deus? Mas é Israel que recebe as promessas eternas – e ai, como que é? Em nenhum outro passo do AT o universalismo e o particularismo se encontram tão justapostos. E os sobreviventes das nações, (cf. 45,20-25) são os convertidos? São ‘missionários’? E as noções enumeradas? Esta lista é adição que toma seus elementos de Ez. 27,10-13? As identificações prováveis são: Tarsis – Espanha; Fut – líbia; Lud – Lidia; Mosoc – frigia; Tubal – Cilicia?
O gesto de Javé de colocar um sinal entre elas é muito importante, embora não se diz que consiste este sinal, mas num contexto textual mais global é o equivalente do estandarte, da mão e da bandeira que segundo 11, 10-12, Javé levantava sucessivamente para convocar a diáspora. Mão e bandeira eram levantadas também com o mesmo objetivo, em 49,22. A finalidade deste sinal é, de fato, explicitada de imediato em 66,19a ‘e enviarei (a chamar) dentre elas ‘escapados-às-nações’ que, com toda evidencia, são israelitas e judeus. Por tanto, no uso estrito da palavra missionária, não há nenhuma, perspectiva missionária neste oráculo, como em nenhum outro do livro de Isaias.
O livro de Isaias é formado por um conjunto de 66 capítulos. Ai encontramos três livros de épocas diferentes, mas todos te em comum as situações de opressão e consolação. O 1º Isaias (1-39): esta profecia é do século VIII a.C. O grupo enfrenta conflitos com a monarquia e o império assírio. O 2º Isaias (40-55): no contexto do exílio, por volta de 540 a.C. O povo vive sob a tirania do império babilônico. E o 3º Isaias (56-66): surge em Judá, entre os anos 540 e 450 a.C. No processo de reconstrução de Jerusalém, o grupo profético denuncia a corrupção e a exploração das elites judaicas e do império persa.
O segundo Isaias reaviva a fé e a esperança do povo do voltar para Jerusalém: “saiam da babilônia, fujam dos caldeus. Anunciem isso com gritos de alegria, espalhem a noticia até os confins da terra. Digam assim: Javé redimiu seu servo Jacó.” (Is. 48,20). O ano 538 a.C, marca o fim do exílio da babilônia. O decreto de Ciro, imperador da pérsia, possibilita o regresso dos povos dominados. O livro do 2º Isaías. Termina com a descrição de como será a volta para Jerusalém e a garantia da presença de Javé nesta caminhada. (55,12-13). As pessoas exiladas voltam com o sonho de construir uma nova Jerusalém. Querem refazer a aliança com Javé e construir uma sociedade justa e fraterna, com água, bebida e comida para todas e todos. (54-55).
Mas os anos passam e nada de acontecer a salvação e a libertação prometidas por Javé. A elite judaica se alia aos persas na opressão e exploração do povo. O templo e a lei se tornam instrumentos eficazes na coleta dos tributos e impostos. A maioria da população especialmente a camponesa experimenta fome, miséria, desemprego, expropriação, falta de moradia, morte prematura e escravidão . Muitas pessoas caem na descrença, algumas abandonam a fidelidade a Javé e buscam outras divindades (57,3). Quando tudo parece perdido, ressurge uma luz. Um grupo, provavelmente formado por levitas e pessoas pobres, começa a reconstruir o sonho: “observem o direito e pratiquem a justiça, por que a minha salvação está para chegar e a minha justiça vai se manifestar”. (56,1).
A busca de realizar o direito e a justiça é a temática que é abordada por 3º Isaias. Os levitas são pessoas fieis à palavra de Deus e ao compromisso com as pessoas destituídas de dignidade. O capitulo 66, que nos concerne por excelência, começa com a direção do olhar de javé: “eu olho para o aflito e o de espírito abatido, e também para aquele que estremece diante das minhas palavras”. E ainda: “ouçam a palavra de Javé, vocês que veneram a palavra dele”. (Is. 66,2b.5)
A final, para quem é a mensagem de salvação? Para os outros povos? Para os ‘escapados-às-nações’ (v.19a), que são israelitas/ judeus? As nações, tantas vezes mencionadas, não intervêm como tais, mas sempre em relação com a presença de israelitas no meio deles. No v. 18, ‘as nações e línguas’ parece uma designação dos outros povos, os não israelitas / judeus. E é verdade que virão e verão minha gloria. (v. 18b). Ver / conhecer a gloria de Javé é uma expressão freqüente nos relatos ou oráculos de salvação para Israel no contexto de sua dominação por poderes estrangeiros. O próprio Javé o diz acerca dos egípcios no magno acontecimento da libertação. (Ex. 7,5; 14,4-18).
O v. 19a, ‘e enviarei” – o verbo enviar, shalah, em sua forma intensiva nem sempre significa ‘enviar’, mas também ‘enviar para chamar’. A idéia é de vida e não de ida. Ou melhor, o mensageiro ‘vai’ a alguém para ‘fazê-lo vir’. O texto não fala de enviar estes ‘escapados’ para irem agora às nações, mas o que Javé faz vir (a Jerusalém). São “escapados-às-nações”, expressão que se refere ao passado e não ao presente ou futuro: Equivale a dizer: ‘os que haviam escapado (em outro tempo) às nações. Essa convocação de Isaias do povo da diáspora é um tema que costuma ser entendido ‘missionariamente’ mas que é justamente referente ao resgate de Israel dentre as nações como aparece em (Is. 2, 2-4;11,10-16;25,6-10a etc.) .
Agora, em v. 19, depois da primeira parte, segue um longo parêntese, em que se mencionam algumas dessas nações onde os ‘escapados’ se haviam refugiado em seu momento. O importante é destacar a pluralidade e a grande distancia, para assim mostrar a capacidade de Javé de reunir.
O inciso ‘... que não ouviram noticias de mim nem viram minha gloria’ é uma frase relativo que concorda com o sujeito imediato – as ilhas longínquas e os povos citados – e não com ‘escapados’, substantivo que fica muito distante. Esta descrição das outras nações expressa, por sua própria ‘memória histórica’, baseada em sua experiência salfívica de Javé. Este parêntese explica retrospectivamente o v. 18a: as nações e línguas, no futuro, ‘virão e verão minha gloria /energia’. Como isto acontecerá?
BIBLIOGRAFIA.
A .Magnante. La Consolazione nella bibbia, em La Consolata ispiratrice della missione. Relazione tenute AL congresso mariano dell’istituto missioni Consolata. Roma, 1988.
Centro Bíblico Verbo. Sonhar de Novo: Segundo e Terceiro Isaias (40-66). (são Paulo – Paulus, 2004.)
D. Franchetti. La Consolata, Opera storico-critica. Storia della Consolata com illustrazioni critiche e documenti inediti, Torino, 1903.
G. Casiraghi. Sulle origini Del santuário della Consolata a Torino, em bollettino storico – bibliográfico subalpino, 1989.
G. Gasca Queirazza. La Consola – La Consolata: il titolo caratteristico della devozione alla Madonna di Torino. Em Studio piemontesi, 1972.
Instituto Missionário da Consolata. Constituições e Diretório Geral. Roma, 1996.
Instituto Missões Consolata. Diretório da oração. Roma - direção geral, 1993.
J. Severino Croato. Isaias: a palavra profética e sua releitura hermenêutica. (Petrópolis - vozes, 2002).
L. Cibrario. Storia Del santuário dellla Consolata, Torino 1845.
Luiz Balsan. O carisma do Instituto Missões Consolata na expressão de seu fundador José Allamano (1851-1926). Edizioni missioni Consolata, 2001. Roma – Itália.
Paul D. Hanson. Isaiah 40-66.: Interpretation, a bible commentary for teaching and preaching. (Louisville, Kentucky: John Knox press,, 1995)
Pe. Lorenzo Sales, IMC. Padre José Allamano. A Vida Espiritual. 2º Edicioni. Torino – Itália, 1963.
Há séculos, a santíssima virgem é honrada e venerada, na cidade de Turim, sob o titulo de CONSOLATA, no celebre santuário que lhe é dedicado. O bem aventurado José Allamano, fundador dos missionários e missionárias da Consolata, foi reitor do santuário pelo espaço de 46 anos; durante este tempo reacendeu a devoção à virgem Consolata em todas as categorias de pessoas. Devolveu novo esplendor ao santuário, renovando-o material e espiritualmente. Com a fundação do instituto dos missionários/as da Consolata acrescentou uma nova pérola à coroa da virgem. Allamano teve a firme convicção de que ‘O Instituto surgiu por vontade da Consolata’. A fundadora é ela. E nós a veneramos como padroeira e mãe. Trazemos o titulo da Consolata ‘como um nome e sobre nome’. O instituto é obra de Maria. Por isso, a solenidade da Consolata no dia 20 de junho é ‘nossa festa, nossa de maneira especial’.
A Devoção Mariana na Itália.
A devoção mariana encontra-se presente em qualquer época da espiritualidade cristã; não, porem, com as mesmas características e com a mesma intensidade. Se, no inicio do século XIX, a devoção mariana apresentava-se em proporções modestas, o confluir de diversos fatores provocou um crescimento significativo, a tal ponto, que no final do mesmo século, alcançou dimensões grandiosas. Entre estes fatores merece destaque a proclamação do dogma da imaculada conceição em 1854; as aparições; a fundação de congregações religiosas dedicadas a viver e propagar a devoção a Maria; as conversões de pessoas ilustres que passaram a divulgar tal devoção; as peregrinações. As praticas devocionais que adquiriram maior importância são o rosário e o mês de maio.
A devoção mariana era um elemento significativo da espiritualidade do século XIX. Vale para esta devoção, em particular, o que Stella diz a nível geral sobre as devoções, “o oitocentos, também sob este aspecto pode ser considerado como um século de transição, com persistência da religiosidade arcaica magicista e com a prevalência de orientações mais equilibradas da piedade individual e coletiva. As invocações mais comum eram as sugeridas pela própria ave-maria; minha mãe, mãe santa. Os títulos mais usados eram os da salve-rainha; boa mãe, mãe de misericórdia, mãe de todas as graças. Sobre o titulo de nossa mãe e mãe de deus, projetava-se a concepção de mãe, típica do sistema patriarcal oitocentista, modulada pela afetividade induzida pelo romantismo e matizada pelo papel de suprema autoridade atribuída ao pai pela legislação popular, mesmo no final do século, podiam ser encontradas dramatizações onde, no juízo final, cristo aparecia como o juiz sincero e Maira como representante, por excelência, da misericórdia divina.
A piedade mariana apoiava-se na dimensão filial e no tema da plena confiança, próprias do relacionamento do filho com a mãe. Não obstante as tendências apocalípticas e antiliberais que se faziam presentes, sobretudo na interpretação do significado e mensagens das aparições, verificou-se, ao longo e particularmente na segunda parte do século, uma progressiva purificação do culto mariano, fundamentando-o na mensagem de fé expressa na definição dogmática da imaculada conceição. O clima mariano penetrou em toda a igreja italiana e vitalizou os santuários, promovidos por eclesiásticos e leigos, seja em território urbano ou rural.
A Devoção à Consolata em Turim.
O santuário da Consolata é para Turim o principal centro de devoção mariana. Segundo uma pia tradição, quem propôs ao povo turines a devoção a nossa senhora Consolata teria sido são Maximo, bispo de Turim no final do século IV. O quadro, escondido nos subterrâneos da igreja de santo Andre durante o período iconoclasta, teria sido prodigiosamente encontrado pelo cego de Briançon em 1104. estudos recentes afirmam que uma tal versão dos fatos carece de fundamentação histórica e hipotizam que o culto à Consolata, sob o originário titulo de nossa senhora da consolação, se tenha gradualmente desenvolvido junto à igreja de santo André, a partir da chegada dos monges beneditinos, provindos da abadia da Novalesa, fugitivos à invasão dos sarracenos.
Hinos e crônicas escritos pelos mesmos monges testemunham que a vivacidade da devoção mariana nesta comunidade monacal, bem como o seu empenho para suscitar a devoção no povo circunstante. Precedentes a uma devoção especifica à Consolata e aos primeiros documentos referentes à capela ou santuário da Consolata, estes hinos e crônicas chamam a atenção para um elemento fundamental na devoção mariana que confluirá no santuário da Consolata. Os títulos que estes monges usam para referir-se a nossa senhora põem em evidencia a sua maternidade. Maria é, sobretudo, a mãe de Deus e mãe solícita pelo bem dos seus filhos.
O USO DOS TÍTULOS: Consolata, Consoladora e da Consolação.
A idéia da expressão piemontesa La Consola e o seu correspondente italiano La Consolata é a forma do particípio passado, do gênero feminino, e como tal tem uma significação passiva: ‘aquela que foi consolada’. Há diversos textos, hinos e representações sacras em que Maria é apresentada como a desconsolada que necessita de consolação. Segundo G. Gasca Queirazza (autor do ‘La Consola – La Consolata: il titolo caratteristico della devozione alla Madonna di Torin”) a denominação a ou de Consolatione (da consolação) seria a única de uso propriamente litúrgico e a que é habitualmente empregada nos documentos oficiais eclesiásticos e esporadicamente em outros documentos vários; o apelativo Consolatrix ou Consolatrice, (consoladora) encontrado pela primeira vez no final do século XVI seria predileto no estilo epigrafico e freqüentemente empregado nas exposições doutrinais e de tipo exortativo, quando se quer convidar os fieis à confiança em Maria; o titulo Consolata seria mais freqüente e praticamente o único usado para designar diretamente a igreja, a imagem e a própria virgem Maria na devoção turinesa.
Quando os turineses chamam nossa senhora pelo nome, se dirigem a ela com o titulo Consolata ou na expressão dialetal La Consolà. Consolata é, por diversas vezes, apresentada como aquela que é objeto de consolação. Ela foi consolada por Deus pai que a escolheu para ser a mãe do seu filho; é consolada pelo filho que a cumulou dos mais ricos dons na ordem da natureza e da graça; é consolada pelo espírito que a escolheu por esposa e a enriqueceu com os seus dons divinos; agora é consolada no céu porque é a rainha do universo. Tendo tomado o nome da virgem Consolata, o instituto missões Consolata, tem como fim consolar o próprio coração do nosso senhor Jesus cristo, realizando os desejos mais ardentes do seu amor. Neste caso, o uso do termo se dissocia daquela que é a perspectiva principal da sagrada escritura. Nesta, o termo, quando de alguma forma é referido a Deus, o apresenta como o consolador em relação aos homens necessitados de consolação e não vice-versa.
CONSOLATA: O Anuncio Que Busca Justiça E Alegria.
“Eu porei neles um sinal e enviarei os seus descendentes às nações, às ilhas longínquas, que nunca ouviram falar de mim e nunca viram a minha gloria, e anunciarão a minha gloria às nações.” . Essas são as palavras que se encontram na primeira parte das nossas constituições que tem como introdução a nossa vocação na igreja.
Pe. Allamano fundara em 1901 os missionários da Consolata (padres e irmãos), e em 1910 as missionárias da Consolata . Ele deu-lhes o mesmo fim especifico expresso no lema, ‘anunciarão a minha gloria aos povos’ (Is. 66,19) Este é um lema a mais para refletir quando falamos de Consolata. Várias questões perturbam-nos enquanto o lemos – porque Allamano escolheu esta frase de Isaias como o nosso lema? Por que não foi de outro livro de Isaias? O que significa esta frase no seu sentido original? Qual é a aplicação dela no dia de hoje?
A tradução bíblica (versão - A Nova Bíblia de Jerusalém) da frase que as constituições usam diz o seguinte: “Porei um sinal no meio deles e enviarei sobreviventes dentre eles às nações: e Tarsis, A Fut, A Lud, A Mosoc, A Tubal e a Java, às ilhas distantes que nunca ouviram falar a meu respeito, nem viram a minha gloria entre as nações. Estes proclamarão a minha glória entre as nações,...” (Isaias 66,19.)
Como explicar este pronunciamento encontrado em Isaias? Primeiramente, é ver o seu contexto em que se encontra esta frase. O que significa o sinal? As nações? Ver a gloria? Anunciar a gloria? Enviar? Etc.
A nossa primeira pressuposta é que muitos exegetas concordam que os vv. 18-24 provavelmente foram acrescentados como conclusão dos caps. 46-66, ou até mesmo do livro inteiro. Todo o trecho devia ser em verso e possivelmente foi desfigurado pela inserção da lista de nações do v. 19 e dos meios de transporte do v. 20 . Todas as nações serão convertidas e reconduzirão os dispersos de Israel a Jerusalém em oferenda a Deus? Mas é Israel que recebe as promessas eternas – e ai, como que é? Em nenhum outro passo do AT o universalismo e o particularismo se encontram tão justapostos. E os sobreviventes das nações, (cf. 45,20-25) são os convertidos? São ‘missionários’? E as noções enumeradas? Esta lista é adição que toma seus elementos de Ez. 27,10-13? As identificações prováveis são: Tarsis – Espanha; Fut – líbia; Lud – Lidia; Mosoc – frigia; Tubal – Cilicia?
O gesto de Javé de colocar um sinal entre elas é muito importante, embora não se diz que consiste este sinal, mas num contexto textual mais global é o equivalente do estandarte, da mão e da bandeira que segundo 11, 10-12, Javé levantava sucessivamente para convocar a diáspora. Mão e bandeira eram levantadas também com o mesmo objetivo, em 49,22. A finalidade deste sinal é, de fato, explicitada de imediato em 66,19a ‘e enviarei (a chamar) dentre elas ‘escapados-às-nações’ que, com toda evidencia, são israelitas e judeus. Por tanto, no uso estrito da palavra missionária, não há nenhuma, perspectiva missionária neste oráculo, como em nenhum outro do livro de Isaias.
O livro de Isaias é formado por um conjunto de 66 capítulos. Ai encontramos três livros de épocas diferentes, mas todos te em comum as situações de opressão e consolação. O 1º Isaias (1-39): esta profecia é do século VIII a.C. O grupo enfrenta conflitos com a monarquia e o império assírio. O 2º Isaias (40-55): no contexto do exílio, por volta de 540 a.C. O povo vive sob a tirania do império babilônico. E o 3º Isaias (56-66): surge em Judá, entre os anos 540 e 450 a.C. No processo de reconstrução de Jerusalém, o grupo profético denuncia a corrupção e a exploração das elites judaicas e do império persa.
O segundo Isaias reaviva a fé e a esperança do povo do voltar para Jerusalém: “saiam da babilônia, fujam dos caldeus. Anunciem isso com gritos de alegria, espalhem a noticia até os confins da terra. Digam assim: Javé redimiu seu servo Jacó.” (Is. 48,20). O ano 538 a.C, marca o fim do exílio da babilônia. O decreto de Ciro, imperador da pérsia, possibilita o regresso dos povos dominados. O livro do 2º Isaías. Termina com a descrição de como será a volta para Jerusalém e a garantia da presença de Javé nesta caminhada. (55,12-13). As pessoas exiladas voltam com o sonho de construir uma nova Jerusalém. Querem refazer a aliança com Javé e construir uma sociedade justa e fraterna, com água, bebida e comida para todas e todos. (54-55).
Mas os anos passam e nada de acontecer a salvação e a libertação prometidas por Javé. A elite judaica se alia aos persas na opressão e exploração do povo. O templo e a lei se tornam instrumentos eficazes na coleta dos tributos e impostos. A maioria da população especialmente a camponesa experimenta fome, miséria, desemprego, expropriação, falta de moradia, morte prematura e escravidão . Muitas pessoas caem na descrença, algumas abandonam a fidelidade a Javé e buscam outras divindades (57,3). Quando tudo parece perdido, ressurge uma luz. Um grupo, provavelmente formado por levitas e pessoas pobres, começa a reconstruir o sonho: “observem o direito e pratiquem a justiça, por que a minha salvação está para chegar e a minha justiça vai se manifestar”. (56,1).
A busca de realizar o direito e a justiça é a temática que é abordada por 3º Isaias. Os levitas são pessoas fieis à palavra de Deus e ao compromisso com as pessoas destituídas de dignidade. O capitulo 66, que nos concerne por excelência, começa com a direção do olhar de javé: “eu olho para o aflito e o de espírito abatido, e também para aquele que estremece diante das minhas palavras”. E ainda: “ouçam a palavra de Javé, vocês que veneram a palavra dele”. (Is. 66,2b.5)
A final, para quem é a mensagem de salvação? Para os outros povos? Para os ‘escapados-às-nações’ (v.19a), que são israelitas/ judeus? As nações, tantas vezes mencionadas, não intervêm como tais, mas sempre em relação com a presença de israelitas no meio deles. No v. 18, ‘as nações e línguas’ parece uma designação dos outros povos, os não israelitas / judeus. E é verdade que virão e verão minha gloria. (v. 18b). Ver / conhecer a gloria de Javé é uma expressão freqüente nos relatos ou oráculos de salvação para Israel no contexto de sua dominação por poderes estrangeiros. O próprio Javé o diz acerca dos egípcios no magno acontecimento da libertação. (Ex. 7,5; 14,4-18).
O v. 19a, ‘e enviarei” – o verbo enviar, shalah, em sua forma intensiva nem sempre significa ‘enviar’, mas também ‘enviar para chamar’. A idéia é de vida e não de ida. Ou melhor, o mensageiro ‘vai’ a alguém para ‘fazê-lo vir’. O texto não fala de enviar estes ‘escapados’ para irem agora às nações, mas o que Javé faz vir (a Jerusalém). São “escapados-às-nações”, expressão que se refere ao passado e não ao presente ou futuro: Equivale a dizer: ‘os que haviam escapado (em outro tempo) às nações. Essa convocação de Isaias do povo da diáspora é um tema que costuma ser entendido ‘missionariamente’ mas que é justamente referente ao resgate de Israel dentre as nações como aparece em (Is. 2, 2-4;11,10-16;25,6-10a etc.) .
Agora, em v. 19, depois da primeira parte, segue um longo parêntese, em que se mencionam algumas dessas nações onde os ‘escapados’ se haviam refugiado em seu momento. O importante é destacar a pluralidade e a grande distancia, para assim mostrar a capacidade de Javé de reunir.
O inciso ‘... que não ouviram noticias de mim nem viram minha gloria’ é uma frase relativo que concorda com o sujeito imediato – as ilhas longínquas e os povos citados – e não com ‘escapados’, substantivo que fica muito distante. Esta descrição das outras nações expressa, por sua própria ‘memória histórica’, baseada em sua experiência salfívica de Javé. Este parêntese explica retrospectivamente o v. 18a: as nações e línguas, no futuro, ‘virão e verão minha gloria /energia’. Como isto acontecerá?
BIBLIOGRAFIA.
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Centro Bíblico Verbo. Sonhar de Novo: Segundo e Terceiro Isaias (40-66). (são Paulo – Paulus, 2004.)
D. Franchetti. La Consolata, Opera storico-critica. Storia della Consolata com illustrazioni critiche e documenti inediti, Torino, 1903.
G. Casiraghi. Sulle origini Del santuário della Consolata a Torino, em bollettino storico – bibliográfico subalpino, 1989.
G. Gasca Queirazza. La Consola – La Consolata: il titolo caratteristico della devozione alla Madonna di Torino. Em Studio piemontesi, 1972.
Instituto Missionário da Consolata. Constituições e Diretório Geral. Roma, 1996.
Instituto Missões Consolata. Diretório da oração. Roma - direção geral, 1993.
J. Severino Croato. Isaias: a palavra profética e sua releitura hermenêutica. (Petrópolis - vozes, 2002).
L. Cibrario. Storia Del santuário dellla Consolata, Torino 1845.
Luiz Balsan. O carisma do Instituto Missões Consolata na expressão de seu fundador José Allamano (1851-1926). Edizioni missioni Consolata, 2001. Roma – Itália.
Paul D. Hanson. Isaiah 40-66.: Interpretation, a bible commentary for teaching and preaching. (Louisville, Kentucky: John Knox press,, 1995)
Pe. Lorenzo Sales, IMC. Padre José Allamano. A Vida Espiritual. 2º Edicioni. Torino – Itália, 1963.
GRAÇA E NATUREZA: Agostinho e Pelagio - Por Mike Mutinda
Introdução.
A controvérsia pelagiana surgiu por volta de 411 ou 412 em Cartago. Celestius, discípulo de Pelágio, tentava ser nomeado presbítero em Cartago. Paulino o denunciou com a acusação de que ele ensinava que o batismo de infantes não objetivava a purificação do pecado. Em sua vez, Pelágio ensinava “que Adão foi feito mortal e teria morrido se tivesse ou não pecado – que o pecado de Adão só trouxe prejuízo a ele mesmo e não à raça humana – infantes, quando nascem, estão no estado em que Adão estava antes do seu erro – que a raça humana não morre por causa da morte de Adão e do seu erro e nem ressuscitará em virtude da ressurreição de Cristo – tanto a lei quanto o Evangelho admitem os homens no reino dos céus – mesmo antes do advento de nosso Senhor, houve homens impecáveis, isto é, homens sem pecado – que o homem pode estar sem pecado e pode facilmente manter os comandos divinos se assim o desejar”. O Sínodo de Cartago excomungou Celestius.
De Jerusalém, Pelágio escreveu uma carta lisonjeira a Agostinho. Este respondeu com uma carta cortês, mas cautelosa. Agostinho ainda estava se recuperando da pressão da controvérsia donatista e sabia pouco sobre a controvérsia que estava se formando em Cartago com Celestius. Agostinho recebeu notícias de Jerusalém de que o ensino de Pelágio estava causando um tumulto por lá. Osório, um amigo e discípulo de Agostinho, solicitou uma sindicância contra Pelágio em 415, mas Pelágio foi exonerado. O terceiro conselho ecumênico em Éfeso (431 d.C.), realizado um ano após a morte de Agostinho, condenou o pelagianismo.
A questão entre Pelágio e Agostinho era clara. Não estava ofuscada por argumentos teológicos intrincados. O problema reside entre a questão da graça e da natureza. A resolução pelagiana do paradoxo da graça foi baseada numa definição de graça fundamentalmente diferente da definição Agostiniana, e foi aí que o debate apertou. Espalhou-se que Pelágio estava ‘contestando a graça de Deus’. Seu tratado sobre a graça dava a impressão de concentrar-se ‘apenas no tópico da faculdade e capacidade da natureza, enquanto fez com que a graça de Deus consistisse quase que inteiramente disso’. Nesse livro, parecia que ‘com cada argumento possível, ele defendia a natureza do homem contra a graça de Deus, pela qual o ímpio é justificado e pela qual nós somos cristãos’.
Para Pelágio, a graça não é algo diferente ou além da natureza, nem acima dela; a graça está presente dentro da própria natureza. Em outras palavras, a graça é simplesmente a capacidade natural, que todos possuem, de fazer a coisa certa, de obedecer aos mandamentos e assim obter a salvação. Agostinho, por outro lado, vê um grande abismo entre a natureza, em seu estado caído, e a graça. Profundamente cônscio da impotência total de sua própria vontade em escolher corretamente. Para Pelágio, a natureza não requer graça a fim de cumprir suas obrigações. O livre-arbítrio, adequadamente exercido, produz virtude, que é o bem supremo e devidamente seguido pela recompensa. Por meio do seu próprio esforço, o homem pode alcançar tudo o que se requer dele na moralidade e na religião.
O Poder da Natureza.
A doutrina da graça de Pelágio é meramente o outro lado da sua doutrina do pecado. Por todo o seu pensamento, permanece a afirmação fundamental da inconversibilidade da natureza humana. Tendo sido criada boa, ela sempre permanece boa. Pelagio dizia que o homem podia viver sem pecado não contando com a graça de Deus, mas com o poder da natureza. Mas Agostinho, disse que o homem só pode viver assim só com a graça de Deus por Jesus Cristo.
A discussão levou a discutir sobre a natureza – não pecar e poder não pecar. Pelagio argumenta que não pecar, o não pecar depende de nós. Mas Agostinho negou esta posição dizendo que a não pecar não pode depender à eficácia da natureza. Para ele, a natureza apresenta-se tão decaída, que não reconhecê-lo é o maior pecado. Agostinho continua afirmar que a eficácia da natureza é ineficiente para a vida sem pecado. E que a possibilidade de não pecar não está entranhada na natureza. (Cf. Paulo, Rm. 7,15-18). Rebatendo a questão, Pelagio insista que a natureza humana é inseparável a possibilidade de não pecar. Indireto, Pelagio fala de Deus por que Deus é o autor da natureza. Agostinho responde dizendo que não há por que presumir tanto a possibilidade da natureza. Ela foi ferida, ofendida, abalada e arruinada; por isso, necessita de sincero reconhecimento, e não de defesa destorcida. Procure-se a graça de Deus, não a da criação, mas a da redenção, considerada por Pelagio como desnecessária.
A discussão teológica entre Pelagio e Agostinho envolvia o modo como Deus opera a sua graça. Agostinho, coerentemente com sua primeira afirmação, ou seja, de que todo ser humano é escravo do seu pecado e que o seu livre arbítrio possui uma fonte pecaminosa, morta espiritualmente, afirmava que o homem carece absolutamente da ação graciosa de Deus em todos os seus aspectos para ser salvo, sendo exposta essa posição na doutrina da predestinação. Pelágio, refutando Agostinho, afirmava que o homem possuí tanto o poder volitivo para escolher ser salvo, como para desistir desta salvação. Defendia que o ser humano possui uma capacidade de decidir o seu futuro independente da graça de Deus.
A partir deste argumento podemos tirar algumas conclusões pelagianas:
• Que a natureza foi criada não apenas boa, mas incontestavelmente boa. Isso é verdade porque as coisas da natureza persistem desde o início da existência (substância) até o seu fim;
• Que a natureza humana, como tal, é inalteravelmente boa. Isto é, a essência constituinte do homem permanece boa. A natureza não pode ser alterada na sua substância; só pode ser modificada acidentalmente. O termo acidentalmente aqui não significa que algo acontece sem intenção como um resultado do infortúnio;
• É que o mal ou pecado nunca pode transformar-se em natureza. Ele define o pecado como um desejo de fazer o que a justiça proíbe, do qual somos livres para nos abstermos e, assim, podemos sempre evitá-lo pelo exercício adequado da nossa vontade. O pecado é sempre um ato e nunca uma natureza. Caso contrário, Pelágio insiste, Deus seria o autor do mal. Os atos pecaminosos nunca podem causar uma natureza pecaminosa, e o mal também não pode ser herdado. Se pudesse, então a bondade e a justiça de Deus estariam destruídas;
• Que o pecado existe como o resultado das armadilhas de Satanás e da concupiscência sensual. Essas tentações ao pecado podem ser superadas pelo exercício da virtude. Nem a lascívia ou a concupiscência surgem da essência do homem, mas é “extrínseca” a ela. Essa concupiscência não é, em si mesma, má, porque até mesmo Cristo estava sujeito a ela. Isso dá origem à formulação histórica com reação à concupiscência: ela é do pecado e inclina ao pecado, mas não é, em si mesma, pecado;
• Que o hábito de pecar enfraquece a vontade. Esse enfraquecimento, no entanto, deve ser entendido no sentido acidental. O costume de pecar obscurece o nosso pensamento e nos conduz aos maus hábitos. Mas esses hábitos descrevem uma prática, não algo que realmente “habita a vontade”. A vontade não é enfraquecida; ela não passa por uma mudança constituinte. Ela ainda retém a postura da indiferença sempre que uma decisão ética ou moral precisa ser tomada;
• E que a graça facilita a bondade. A graça de Deus faz com que seja mais fácil para nós sermos justos. Ela nos assiste em nossa busca da perfeição. Mas o ponto crucial de Pelágio é que, embora a graça facilite a justiça, ela não é, de forma alguma, essencial para que alcancemos essa justiça. O homem pode e deveria ser bom sem a ajuda da graça.
Conclusões do Pensamento do Pelágio.
1. Os mais altos atributos de Deus são sua retidão e justiça.
2. Tudo o que Deus criou é bom.
3. Como algo criado, a natureza não pode ser mudada na sua essência.
4. A natureza humana é inalteravelmente boa.
5. O mal é um ato que nós podemos evitar.
6. O pecado vem via armadilhas satânicas e concupiscência sensual.
7. Pode haver homens sem pecado.
8. Adão foi criado com livre-arbítrio e santidade natural.
9. Adão pecou por livre vontade.
10. A descendência de Adão não herdou dele a morte natural.
11. Nem o pecado de Adão nem sua culpa foram transmitidos.
12. Todos os homens são criados como Adão era antes da queda.
13. O hábito de pecar enfraquece a vontade.
14. A graça da criação produz homens perfeitos.
15. A graça da lei de Deus ilumina e instrui.
16. Cristo trabalha principalmente pelo seu exemplo.
17. A graça é dada de acordo com a justiça e mérito.
A controvérsia pelagiana surgiu por volta de 411 ou 412 em Cartago. Celestius, discípulo de Pelágio, tentava ser nomeado presbítero em Cartago. Paulino o denunciou com a acusação de que ele ensinava que o batismo de infantes não objetivava a purificação do pecado. Em sua vez, Pelágio ensinava “que Adão foi feito mortal e teria morrido se tivesse ou não pecado – que o pecado de Adão só trouxe prejuízo a ele mesmo e não à raça humana – infantes, quando nascem, estão no estado em que Adão estava antes do seu erro – que a raça humana não morre por causa da morte de Adão e do seu erro e nem ressuscitará em virtude da ressurreição de Cristo – tanto a lei quanto o Evangelho admitem os homens no reino dos céus – mesmo antes do advento de nosso Senhor, houve homens impecáveis, isto é, homens sem pecado – que o homem pode estar sem pecado e pode facilmente manter os comandos divinos se assim o desejar”. O Sínodo de Cartago excomungou Celestius.
De Jerusalém, Pelágio escreveu uma carta lisonjeira a Agostinho. Este respondeu com uma carta cortês, mas cautelosa. Agostinho ainda estava se recuperando da pressão da controvérsia donatista e sabia pouco sobre a controvérsia que estava se formando em Cartago com Celestius. Agostinho recebeu notícias de Jerusalém de que o ensino de Pelágio estava causando um tumulto por lá. Osório, um amigo e discípulo de Agostinho, solicitou uma sindicância contra Pelágio em 415, mas Pelágio foi exonerado. O terceiro conselho ecumênico em Éfeso (431 d.C.), realizado um ano após a morte de Agostinho, condenou o pelagianismo.
A questão entre Pelágio e Agostinho era clara. Não estava ofuscada por argumentos teológicos intrincados. O problema reside entre a questão da graça e da natureza. A resolução pelagiana do paradoxo da graça foi baseada numa definição de graça fundamentalmente diferente da definição Agostiniana, e foi aí que o debate apertou. Espalhou-se que Pelágio estava ‘contestando a graça de Deus’. Seu tratado sobre a graça dava a impressão de concentrar-se ‘apenas no tópico da faculdade e capacidade da natureza, enquanto fez com que a graça de Deus consistisse quase que inteiramente disso’. Nesse livro, parecia que ‘com cada argumento possível, ele defendia a natureza do homem contra a graça de Deus, pela qual o ímpio é justificado e pela qual nós somos cristãos’.
Para Pelágio, a graça não é algo diferente ou além da natureza, nem acima dela; a graça está presente dentro da própria natureza. Em outras palavras, a graça é simplesmente a capacidade natural, que todos possuem, de fazer a coisa certa, de obedecer aos mandamentos e assim obter a salvação. Agostinho, por outro lado, vê um grande abismo entre a natureza, em seu estado caído, e a graça. Profundamente cônscio da impotência total de sua própria vontade em escolher corretamente. Para Pelágio, a natureza não requer graça a fim de cumprir suas obrigações. O livre-arbítrio, adequadamente exercido, produz virtude, que é o bem supremo e devidamente seguido pela recompensa. Por meio do seu próprio esforço, o homem pode alcançar tudo o que se requer dele na moralidade e na religião.
O Poder da Natureza.
A doutrina da graça de Pelágio é meramente o outro lado da sua doutrina do pecado. Por todo o seu pensamento, permanece a afirmação fundamental da inconversibilidade da natureza humana. Tendo sido criada boa, ela sempre permanece boa. Pelagio dizia que o homem podia viver sem pecado não contando com a graça de Deus, mas com o poder da natureza. Mas Agostinho, disse que o homem só pode viver assim só com a graça de Deus por Jesus Cristo.
A discussão levou a discutir sobre a natureza – não pecar e poder não pecar. Pelagio argumenta que não pecar, o não pecar depende de nós. Mas Agostinho negou esta posição dizendo que a não pecar não pode depender à eficácia da natureza. Para ele, a natureza apresenta-se tão decaída, que não reconhecê-lo é o maior pecado. Agostinho continua afirmar que a eficácia da natureza é ineficiente para a vida sem pecado. E que a possibilidade de não pecar não está entranhada na natureza. (Cf. Paulo, Rm. 7,15-18). Rebatendo a questão, Pelagio insista que a natureza humana é inseparável a possibilidade de não pecar. Indireto, Pelagio fala de Deus por que Deus é o autor da natureza. Agostinho responde dizendo que não há por que presumir tanto a possibilidade da natureza. Ela foi ferida, ofendida, abalada e arruinada; por isso, necessita de sincero reconhecimento, e não de defesa destorcida. Procure-se a graça de Deus, não a da criação, mas a da redenção, considerada por Pelagio como desnecessária.
A discussão teológica entre Pelagio e Agostinho envolvia o modo como Deus opera a sua graça. Agostinho, coerentemente com sua primeira afirmação, ou seja, de que todo ser humano é escravo do seu pecado e que o seu livre arbítrio possui uma fonte pecaminosa, morta espiritualmente, afirmava que o homem carece absolutamente da ação graciosa de Deus em todos os seus aspectos para ser salvo, sendo exposta essa posição na doutrina da predestinação. Pelágio, refutando Agostinho, afirmava que o homem possuí tanto o poder volitivo para escolher ser salvo, como para desistir desta salvação. Defendia que o ser humano possui uma capacidade de decidir o seu futuro independente da graça de Deus.
A partir deste argumento podemos tirar algumas conclusões pelagianas:
• Que a natureza foi criada não apenas boa, mas incontestavelmente boa. Isso é verdade porque as coisas da natureza persistem desde o início da existência (substância) até o seu fim;
• Que a natureza humana, como tal, é inalteravelmente boa. Isto é, a essência constituinte do homem permanece boa. A natureza não pode ser alterada na sua substância; só pode ser modificada acidentalmente. O termo acidentalmente aqui não significa que algo acontece sem intenção como um resultado do infortúnio;
• É que o mal ou pecado nunca pode transformar-se em natureza. Ele define o pecado como um desejo de fazer o que a justiça proíbe, do qual somos livres para nos abstermos e, assim, podemos sempre evitá-lo pelo exercício adequado da nossa vontade. O pecado é sempre um ato e nunca uma natureza. Caso contrário, Pelágio insiste, Deus seria o autor do mal. Os atos pecaminosos nunca podem causar uma natureza pecaminosa, e o mal também não pode ser herdado. Se pudesse, então a bondade e a justiça de Deus estariam destruídas;
• Que o pecado existe como o resultado das armadilhas de Satanás e da concupiscência sensual. Essas tentações ao pecado podem ser superadas pelo exercício da virtude. Nem a lascívia ou a concupiscência surgem da essência do homem, mas é “extrínseca” a ela. Essa concupiscência não é, em si mesma, má, porque até mesmo Cristo estava sujeito a ela. Isso dá origem à formulação histórica com reação à concupiscência: ela é do pecado e inclina ao pecado, mas não é, em si mesma, pecado;
• Que o hábito de pecar enfraquece a vontade. Esse enfraquecimento, no entanto, deve ser entendido no sentido acidental. O costume de pecar obscurece o nosso pensamento e nos conduz aos maus hábitos. Mas esses hábitos descrevem uma prática, não algo que realmente “habita a vontade”. A vontade não é enfraquecida; ela não passa por uma mudança constituinte. Ela ainda retém a postura da indiferença sempre que uma decisão ética ou moral precisa ser tomada;
• E que a graça facilita a bondade. A graça de Deus faz com que seja mais fácil para nós sermos justos. Ela nos assiste em nossa busca da perfeição. Mas o ponto crucial de Pelágio é que, embora a graça facilite a justiça, ela não é, de forma alguma, essencial para que alcancemos essa justiça. O homem pode e deveria ser bom sem a ajuda da graça.
Conclusões do Pensamento do Pelágio.
1. Os mais altos atributos de Deus são sua retidão e justiça.
2. Tudo o que Deus criou é bom.
3. Como algo criado, a natureza não pode ser mudada na sua essência.
4. A natureza humana é inalteravelmente boa.
5. O mal é um ato que nós podemos evitar.
6. O pecado vem via armadilhas satânicas e concupiscência sensual.
7. Pode haver homens sem pecado.
8. Adão foi criado com livre-arbítrio e santidade natural.
9. Adão pecou por livre vontade.
10. A descendência de Adão não herdou dele a morte natural.
11. Nem o pecado de Adão nem sua culpa foram transmitidos.
12. Todos os homens são criados como Adão era antes da queda.
13. O hábito de pecar enfraquece a vontade.
14. A graça da criação produz homens perfeitos.
15. A graça da lei de Deus ilumina e instrui.
16. Cristo trabalha principalmente pelo seu exemplo.
17. A graça é dada de acordo com a justiça e mérito.
13/04/2012
A indústria da seca - Jaime C. Patias
A luta pela água é questão de vida no semiárido nordestino.
As previsões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, para o Nordeste brasileiro não eram animadoras: a região seria atingida por uma grande seca, que se estenderia de 2006 a 2011. Infelizmente, elas se confirmaram, este período já terminou e dos quase 400 municípios da Bahia, 186 já decretaram estado de emergência.
Para conviver com o semiárido, padre Vidal Moratelli, missionário da Consolata que há 20 anos enfrenta a questão da água nos municípios de Jaguarari e Monte Santo, a 300 km de Salvador, BA, vê a necessidade de ultrapassar a mentalidade da dependência tanto religiosa, quanto política. "O povo da região da seca, de tanto sofrimento e derrota com a plantação e criação de animais, e enganado pelas promessas de políticos, se tornou manso - vive conformado com a situação. Isso tira a capacidade de organização e manifestação pública". O padre observa que a expressão mais usada é: "se Deus quiser, vai chover". Para ele, outro provérbio seria mais adequado: "Deus ajuda a quem se ajuda". Isso para explicar que Deus ajuda com a chuva, "mas se o povo quiser enfrentar a situação, deve usar a inteligência para desenvolver projetos e exigir seus direitos a fim de que o poder público cumpra com os seus deveres".
Hoje existem muito mais recursos do que em outras épocas, tais como a aposentadoria dos camponeses, as cisternas, o Bolsa Família, Bolsa Escola, Bolsa Safra, a energia elétrica com o Programa Luz Para Todos, entre outros. A situação é grave, mas não é mais uma tragédia como antigamente, quando muitos abandonavam o campo. Por outro lado, esses benefícios podem acomodar o povo que não exige mudanças estruturais para soluções permanentes. Especialistas afirmam que acabar com a seca é quase impossível. Então, a melhor maneira é conviver com o semiárido que tem uma média de chuvas que varia entre 300 e 750 mm ao ano.
A missão da Igreja é defender a vida
A Paróquia São João Batista, em Jaguarari, tem 80 comunidades e desde 1996, conta com a presença dos missionários e das missionárias da Consolata. Naquela região já foram perfurados centenas de poços. São dezenas de quilômetros de tubos condutores. Além disso, o Centro Cultural da paróquia já construiu mais de 800 cisternas para produção e consumo humano. A equipe missionária conta hoje com três padres e quatro irmãs. Os projetos iniciados pelo padre Vidal continuam através do Centro Cultural e da prefeitura. Para coordená-los foram criadas 45 associações locais ligadas a uma Central de Associações em Jacobina, que dá assistência técnica.
Com mais de 140 comunidades, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Monte Santo é assistida pelos missionários da Consolata desde 1991. Hoje trabalham lá três padres e um diácono. Um dos objetivos da ação pastoral envolve a questão da água. Especialista em prospecção no subsolo, Moratelli é conhecido como o "padre da água". O religioso explica que a região se encontra num sistema de semiárido provocado pelo ser humano que desmatou sem controle. O processo de desertificação está num estágio em que a natureza sozinha não pode se recuperar. Mesmo que chova até 700 mm anuais o solo não retém a água. Na opinião do padre é urgente "armazenar a água nos períodos chuvosos e construir barreiros, espécie de pequenos açudes, para os animais". Sugere ainda que, em todos os povoados "o governo invista em poços artesianos e transforme a água salobra em água potável, através de aparelhos dessalinizadores, com a colaboração da comunidade. Para isso, se poderia adotar um cartão eletrônico onde cada um pagaria pela quantidade de água processada". Além disso, cada fazenda de gado deveria ter seu poço artesiano para o rebanho. "Esse investimento valorizaria a propriedade e salvaria o gado", avalia.
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A Santa Cruz e a devoção nordestina
Trabalho em todas as frentes
O Aquífero Tucano, segundo maior do Brasil, está a 100 km de Monte Santo. O apelo das comunidades é que o governo invista num projeto de água potável seguro e permanente como ponto de referência com adutoras para abastecer a cidade e os povoados. "Isso evitaria que a água, que é vida para o ser humano e os animais, se tornasse fonte de doença, como vem ocorrendo no momento. A água que é trazida atualmente é imprópria para o consumo", alerta padre Vidal. "A notícia sobre o número de municípios em estado de emergência parece um triunfo, ou ocasião para receber verbas milionárias, em vez de ser vista como uma vergonha pela falta de organização e interesse em evitar situações críticas que se repetem ano após ano. Enquanto uns carregam imagens para o altar do sertão, outros cá embaixo no bem público passam a mão", afirma indignado.
A eletrificação rural foi um grande acerto do governo. A energia beneficiou o campo e aqueceu o comércio. "Por que a questão da água no campo não é tratada com a mesma organização e seriedade?", questiona padre Vidal e complementa: "acontece que a seca continua sendo um trunfo para a promoção de políticos que administram carros-pipas em troca de poder. O investimento do governo aboliria o carro-pipa, o que para os políticos locais seria um péssimo negócio à indústria da seca", conclui.
Moradores da cidade corroboram essa análise. Uma fonte que prefere não se identificar, afirma que a região é um curral eleitoral de um deputado estadual que controla todos os poderes. "O deputado era apenas secretário do prefeito, gastou cinco milhões de reais na campanha e depois de eleito, continuou enriquecendo. Nos meus 64 anos, foi o primeiro empregado que vi ficar milionário", desabafa. "A seca é onde mais se ganha dinheiro. Os carros-pipas valem votos. Há um controle integrado de todos os poderes. As denúncias não são levadas adiante e quem denuncia é intimidado. A prefeitura é um cabide de empregos. Quem não é empregado lá tem algum parente e não quer perder o lugar, por isso tem medo", lamenta.
Outro destaque na luta pela água é o padre Nelson Nicolau, catarinense de Chapecó, que há 20 anos trabalha no município de Cansanção, a 35 km de Monte Santo. Para o padre "é preciso preservar a mística da água". Como resultado da conscientização nas comunidades, na década de 90 foi criada a Associação Regional Pró-Água - ARPA, que integra quatro paróquias (Queimadas, Cansanção, Nordestina e Monte Santo), na coordenação de ações em diversas frentes. Com a ajuda da Cáritas, maquinários foram comprados para a perfuração de poços. Através do poder público estadual, a ARPA recebeu uma retroescavadeira e um caminhão caçamba para a limpeza e construção de pequenas barragens. Ao mesmo tempo, conseguiram a ramificação da adutora que leva água para a cidade, para que chegasse também às comunidades rurais. "A vida está sendo ameaçada pela seca e a Igreja precisa agir para defendê-la. Por isso se envolve na luta pela água", explica padre Nelson.
Universalizar a água
A professora Maria da Glória Cardoso, coordenadora da Pastoral da Criança e membro da ARPA, avalia que "a questão da água é tratada com muita precariedade. Os políticos nunca a levaram a sério. Tudo é visto como manipulação política. Existiam projetos de construção de cisternas e máquinas para perfuração, mas estacionaram. O solo tem uma camada dura que precisa muita persistência para perfurar. Há 20 anos, com a ajuda do Banco Mundial, construíram muitas cisternas, mas foi um trabalho mal feito e a grande maioria foi destruída", recorda.
Em Monte Santo, a Comissão que agrupa a ARPA, com representantes da Igreja, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Articulação do Semiárido - ASA e do poder público, faz levantamento e elabora projetos, mas o trabalho anda devagar. "Anos atrás fizemos um projeto para pedir que se destinasse 3% do orçamento do município para recursos hídricos. O projeto foi aprovado na Câmara, mas na hora de elaborar o orçamento, esse item não apareceu. O povo também é muito passivo, fica esperando Deus mandar a chuva e a seca fica parecendo um sofrimento merecido", desabafa Maria da Glória.
Segundo Ana Maria Campos de Oliveira, secretária da agricultura de Monte Santo, município com 53.000 habitantes, a situação se agravou nos últimos seis meses. A estratégia da prefeitura é limpar as aguadas, perfurar e recuperar poços e distribuir cestas básicas. Para isso recebeu a ajuda do governo federal no valor de 60 mil reais. Por outro lado há muitas críticas com relação aos carros-pipas que representam a maior corrupção. No município existem 53 carros contratados e pagos pelo Exército através do governo federal que para isso investe mais de 500 mil reais por mês. Segundo informações, tem carro que chega a receber entre 12 e 17 mil reais por mês. A maioria é controlada pelos vereadores. Além disso, a água transportada não é de boa qualidade. A secretária esclarece que o preço varia entre três e dez mil reais por carro. "O valor é alto, mas a prefeitura não recebe dinheiro, tudo é feito através do Exército", comenta Ana Campos e ao mesmo tempo, reconhece as dificuldades em fiscalizar o abastecimento. Ela mesma já fez várias denúncias. "Não tenho conhecimento sobre carros-pipas de vereadores. Dizem que muitos são deles, mas não posso provar".
Ana Campos observa que no município não há mais onde se extrair água potável. Os carros-pipas deveriam trazer de Quinjigue, mas recentemente pegou amostra da água imprópria para o consumo que estava sendo levada para uma comunidade. "Já recebi até ameaças de morte por fiscalizar a água tirada de tanque do gado e levada para o consumo humano", revela.
Evaristo Rodrigues de Lima, representante da Comissão da Água trabalha em parceria com a Articulação do Semiárido - ASA, instituição não governamental que faz parcerias com dioceses e associações locais. Evaristo explica que, desde 2002 foram construídas no município, cerca de três mil cisternas de 16 mil litros cada. A previsão até 2014 é fazer outras cinco mil para universalizar a água de consumo humano. "O trabalho é feito de forma coletiva para não privilegiar apenas alguns. É um recurso para todos", destaca.
Além disso, existem ainda as cisternas de produção para a criação de animais e produção de hortaliças. "Em 2011, foram feitas 40 unidades com a capacidade de 50 mil litros cada. Nesses projetos temos o envolvimento das famílias. Isso garante a sustentação da produção de hortaliças. Eles até estão vendendo", comemora. Dona Olívia Gonçalves de Carvalho, da comunidade Fazenda Velha investiu sete mil reais numa cisterna de produção que contempla um cercado e os canteiros para o cultivo de hortaliças. "A cisterna é uma terapia, porque ao tirar a água vou tocando a bomba e movimentando o corpo, e me sinto melhor. Com as hortaliças, a gente come sem veneno. Os animais não beberam mais água suja. É uma bênção. Se cada família tivesse uma cisterna dessas!", exclama.
A vida no sertão gira em torno da água que geralmente é administrada pela mulher. Hoje o povo percebe que é importante ter uma cisterna ao alcance para garantir a boa qualidade da água e consequentemente, da vida. A água ao lado da casa evita longas caminhadas e alivia o trabalho da mulher que dedica mais tempo para os filhos e para a própria casa. Os poços asseguram as famílias na roça e as cisternas produtivas possibilitam uma pequena horta familiar. Com isso verifica-se uma diminuição das doenças nas crianças e idosos.
Fonte: Revista Missões
As previsões do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais - INPE, para o Nordeste brasileiro não eram animadoras: a região seria atingida por uma grande seca, que se estenderia de 2006 a 2011. Infelizmente, elas se confirmaram, este período já terminou e dos quase 400 municípios da Bahia, 186 já decretaram estado de emergência.
Para conviver com o semiárido, padre Vidal Moratelli, missionário da Consolata que há 20 anos enfrenta a questão da água nos municípios de Jaguarari e Monte Santo, a 300 km de Salvador, BA, vê a necessidade de ultrapassar a mentalidade da dependência tanto religiosa, quanto política. "O povo da região da seca, de tanto sofrimento e derrota com a plantação e criação de animais, e enganado pelas promessas de políticos, se tornou manso - vive conformado com a situação. Isso tira a capacidade de organização e manifestação pública". O padre observa que a expressão mais usada é: "se Deus quiser, vai chover". Para ele, outro provérbio seria mais adequado: "Deus ajuda a quem se ajuda". Isso para explicar que Deus ajuda com a chuva, "mas se o povo quiser enfrentar a situação, deve usar a inteligência para desenvolver projetos e exigir seus direitos a fim de que o poder público cumpra com os seus deveres".
Hoje existem muito mais recursos do que em outras épocas, tais como a aposentadoria dos camponeses, as cisternas, o Bolsa Família, Bolsa Escola, Bolsa Safra, a energia elétrica com o Programa Luz Para Todos, entre outros. A situação é grave, mas não é mais uma tragédia como antigamente, quando muitos abandonavam o campo. Por outro lado, esses benefícios podem acomodar o povo que não exige mudanças estruturais para soluções permanentes. Especialistas afirmam que acabar com a seca é quase impossível. Então, a melhor maneira é conviver com o semiárido que tem uma média de chuvas que varia entre 300 e 750 mm ao ano.
A missão da Igreja é defender a vida
A Paróquia São João Batista, em Jaguarari, tem 80 comunidades e desde 1996, conta com a presença dos missionários e das missionárias da Consolata. Naquela região já foram perfurados centenas de poços. São dezenas de quilômetros de tubos condutores. Além disso, o Centro Cultural da paróquia já construiu mais de 800 cisternas para produção e consumo humano. A equipe missionária conta hoje com três padres e quatro irmãs. Os projetos iniciados pelo padre Vidal continuam através do Centro Cultural e da prefeitura. Para coordená-los foram criadas 45 associações locais ligadas a uma Central de Associações em Jacobina, que dá assistência técnica.
Com mais de 140 comunidades, a Paróquia Sagrado Coração de Jesus em Monte Santo é assistida pelos missionários da Consolata desde 1991. Hoje trabalham lá três padres e um diácono. Um dos objetivos da ação pastoral envolve a questão da água. Especialista em prospecção no subsolo, Moratelli é conhecido como o "padre da água". O religioso explica que a região se encontra num sistema de semiárido provocado pelo ser humano que desmatou sem controle. O processo de desertificação está num estágio em que a natureza sozinha não pode se recuperar. Mesmo que chova até 700 mm anuais o solo não retém a água. Na opinião do padre é urgente "armazenar a água nos períodos chuvosos e construir barreiros, espécie de pequenos açudes, para os animais". Sugere ainda que, em todos os povoados "o governo invista em poços artesianos e transforme a água salobra em água potável, através de aparelhos dessalinizadores, com a colaboração da comunidade. Para isso, se poderia adotar um cartão eletrônico onde cada um pagaria pela quantidade de água processada". Além disso, cada fazenda de gado deveria ter seu poço artesiano para o rebanho. "Esse investimento valorizaria a propriedade e salvaria o gado", avalia.
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Trabalho em todas as frentes
O Aquífero Tucano, segundo maior do Brasil, está a 100 km de Monte Santo. O apelo das comunidades é que o governo invista num projeto de água potável seguro e permanente como ponto de referência com adutoras para abastecer a cidade e os povoados. "Isso evitaria que a água, que é vida para o ser humano e os animais, se tornasse fonte de doença, como vem ocorrendo no momento. A água que é trazida atualmente é imprópria para o consumo", alerta padre Vidal. "A notícia sobre o número de municípios em estado de emergência parece um triunfo, ou ocasião para receber verbas milionárias, em vez de ser vista como uma vergonha pela falta de organização e interesse em evitar situações críticas que se repetem ano após ano. Enquanto uns carregam imagens para o altar do sertão, outros cá embaixo no bem público passam a mão", afirma indignado.
A eletrificação rural foi um grande acerto do governo. A energia beneficiou o campo e aqueceu o comércio. "Por que a questão da água no campo não é tratada com a mesma organização e seriedade?", questiona padre Vidal e complementa: "acontece que a seca continua sendo um trunfo para a promoção de políticos que administram carros-pipas em troca de poder. O investimento do governo aboliria o carro-pipa, o que para os políticos locais seria um péssimo negócio à indústria da seca", conclui.
Moradores da cidade corroboram essa análise. Uma fonte que prefere não se identificar, afirma que a região é um curral eleitoral de um deputado estadual que controla todos os poderes. "O deputado era apenas secretário do prefeito, gastou cinco milhões de reais na campanha e depois de eleito, continuou enriquecendo. Nos meus 64 anos, foi o primeiro empregado que vi ficar milionário", desabafa. "A seca é onde mais se ganha dinheiro. Os carros-pipas valem votos. Há um controle integrado de todos os poderes. As denúncias não são levadas adiante e quem denuncia é intimidado. A prefeitura é um cabide de empregos. Quem não é empregado lá tem algum parente e não quer perder o lugar, por isso tem medo", lamenta.
Outro destaque na luta pela água é o padre Nelson Nicolau, catarinense de Chapecó, que há 20 anos trabalha no município de Cansanção, a 35 km de Monte Santo. Para o padre "é preciso preservar a mística da água". Como resultado da conscientização nas comunidades, na década de 90 foi criada a Associação Regional Pró-Água - ARPA, que integra quatro paróquias (Queimadas, Cansanção, Nordestina e Monte Santo), na coordenação de ações em diversas frentes. Com a ajuda da Cáritas, maquinários foram comprados para a perfuração de poços. Através do poder público estadual, a ARPA recebeu uma retroescavadeira e um caminhão caçamba para a limpeza e construção de pequenas barragens. Ao mesmo tempo, conseguiram a ramificação da adutora que leva água para a cidade, para que chegasse também às comunidades rurais. "A vida está sendo ameaçada pela seca e a Igreja precisa agir para defendê-la. Por isso se envolve na luta pela água", explica padre Nelson.
Universalizar a água
A professora Maria da Glória Cardoso, coordenadora da Pastoral da Criança e membro da ARPA, avalia que "a questão da água é tratada com muita precariedade. Os políticos nunca a levaram a sério. Tudo é visto como manipulação política. Existiam projetos de construção de cisternas e máquinas para perfuração, mas estacionaram. O solo tem uma camada dura que precisa muita persistência para perfurar. Há 20 anos, com a ajuda do Banco Mundial, construíram muitas cisternas, mas foi um trabalho mal feito e a grande maioria foi destruída", recorda.
Em Monte Santo, a Comissão que agrupa a ARPA, com representantes da Igreja, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais, da Articulação do Semiárido - ASA e do poder público, faz levantamento e elabora projetos, mas o trabalho anda devagar. "Anos atrás fizemos um projeto para pedir que se destinasse 3% do orçamento do município para recursos hídricos. O projeto foi aprovado na Câmara, mas na hora de elaborar o orçamento, esse item não apareceu. O povo também é muito passivo, fica esperando Deus mandar a chuva e a seca fica parecendo um sofrimento merecido", desabafa Maria da Glória.
Segundo Ana Maria Campos de Oliveira, secretária da agricultura de Monte Santo, município com 53.000 habitantes, a situação se agravou nos últimos seis meses. A estratégia da prefeitura é limpar as aguadas, perfurar e recuperar poços e distribuir cestas básicas. Para isso recebeu a ajuda do governo federal no valor de 60 mil reais. Por outro lado há muitas críticas com relação aos carros-pipas que representam a maior corrupção. No município existem 53 carros contratados e pagos pelo Exército através do governo federal que para isso investe mais de 500 mil reais por mês. Segundo informações, tem carro que chega a receber entre 12 e 17 mil reais por mês. A maioria é controlada pelos vereadores. Além disso, a água transportada não é de boa qualidade. A secretária esclarece que o preço varia entre três e dez mil reais por carro. "O valor é alto, mas a prefeitura não recebe dinheiro, tudo é feito através do Exército", comenta Ana Campos e ao mesmo tempo, reconhece as dificuldades em fiscalizar o abastecimento. Ela mesma já fez várias denúncias. "Não tenho conhecimento sobre carros-pipas de vereadores. Dizem que muitos são deles, mas não posso provar".
Ana Campos observa que no município não há mais onde se extrair água potável. Os carros-pipas deveriam trazer de Quinjigue, mas recentemente pegou amostra da água imprópria para o consumo que estava sendo levada para uma comunidade. "Já recebi até ameaças de morte por fiscalizar a água tirada de tanque do gado e levada para o consumo humano", revela.
Evaristo Rodrigues de Lima, representante da Comissão da Água trabalha em parceria com a Articulação do Semiárido - ASA, instituição não governamental que faz parcerias com dioceses e associações locais. Evaristo explica que, desde 2002 foram construídas no município, cerca de três mil cisternas de 16 mil litros cada. A previsão até 2014 é fazer outras cinco mil para universalizar a água de consumo humano. "O trabalho é feito de forma coletiva para não privilegiar apenas alguns. É um recurso para todos", destaca.
Além disso, existem ainda as cisternas de produção para a criação de animais e produção de hortaliças. "Em 2011, foram feitas 40 unidades com a capacidade de 50 mil litros cada. Nesses projetos temos o envolvimento das famílias. Isso garante a sustentação da produção de hortaliças. Eles até estão vendendo", comemora. Dona Olívia Gonçalves de Carvalho, da comunidade Fazenda Velha investiu sete mil reais numa cisterna de produção que contempla um cercado e os canteiros para o cultivo de hortaliças. "A cisterna é uma terapia, porque ao tirar a água vou tocando a bomba e movimentando o corpo, e me sinto melhor. Com as hortaliças, a gente come sem veneno. Os animais não beberam mais água suja. É uma bênção. Se cada família tivesse uma cisterna dessas!", exclama.
A vida no sertão gira em torno da água que geralmente é administrada pela mulher. Hoje o povo percebe que é importante ter uma cisterna ao alcance para garantir a boa qualidade da água e consequentemente, da vida. A água ao lado da casa evita longas caminhadas e alivia o trabalho da mulher que dedica mais tempo para os filhos e para a própria casa. Os poços asseguram as famílias na roça e as cisternas produtivas possibilitam uma pequena horta familiar. Com isso verifica-se uma diminuição das doenças nas crianças e idosos.
Fonte: Revista Missões
21/03/2012
HABEMUS EPISCOVO IMC – NOVO BISPO CONSOLATA
O papa Bento XVI nomeou hoje, em Roma, o Pe. Giovanni Crippa como bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador. O anúncio da nomeação na Arquidiocese foi feito pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj, ainda pela manhã, através da Rádio Excelsior da Bahia. Pe. Giovanni Crippa, até o momento Pároco da Paróquia Santíssima Trindade, em Feira de Santana – BA será ordenado bispo no dia 13 de maio, às 9h, na Catedral de Feira de Santana, interior da Bahia.
Durante o anúncio, o arcebispo disse estar muito alegre e deu boas vindas ao novo auxiliar. “Agradeço ao Santo Padre Bento XVI por este presente para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia; sou grato, também, ao Instituto Missões Consolata e à Arquidiocese de Feira de Santana. Em nome da Arquidiocese Primaz do Brasil, saúdo afetuosamente o Pe. Giovanni Crippa, dando-lhe as boas-vindas: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9)”.
Italiano, nascido em Milão, padre Giovanni emitiu, em 1981, os primeiros votos no Instituto Missões Consolata e foi ordenadoPresbítero no dia 14 de setembro de 1985. Em 1996 doutorou-se em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma. Viveu os primeiros anos de seu sacerdócio na Itália, onde foi Animador Missionário e Vocacional (Turim), Professor na Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma) e membro da Equipe de Coordenação do Departamento Histórico do Instituto Missões Consolata.
Veio para o Brasil em 2001, trabalhando sempre em Feira de Santana: ali foi vigário Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade (2001 – 2003) e, a partir de 2004, pároco dessa mesma Paróquia; foi Diretor Espiritual no Seminário Arquidiocesano Sant´Ana Mestra, Professor na Faculdade Católica, Membro do Conselho Presbiteral da Arquidiocese, Conselheiro Provincial de sua Congregação e, desde 2001, Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora.
Fonte: arquidiocesedesaosalvador - bahia.
Durante o anúncio, o arcebispo disse estar muito alegre e deu boas vindas ao novo auxiliar. “Agradeço ao Santo Padre Bento XVI por este presente para a Arquidiocese de São Salvador da Bahia; sou grato, também, ao Instituto Missões Consolata e à Arquidiocese de Feira de Santana. Em nome da Arquidiocese Primaz do Brasil, saúdo afetuosamente o Pe. Giovanni Crippa, dando-lhe as boas-vindas: “Bendito o que vem em nome do Senhor!” (Mt 21,9)”.
Italiano, nascido em Milão, padre Giovanni emitiu, em 1981, os primeiros votos no Instituto Missões Consolata e foi ordenadoPresbítero no dia 14 de setembro de 1985. Em 1996 doutorou-se em História da Igreja na Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma. Viveu os primeiros anos de seu sacerdócio na Itália, onde foi Animador Missionário e Vocacional (Turim), Professor na Faculdade de Missiologia da Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma) e membro da Equipe de Coordenação do Departamento Histórico do Instituto Missões Consolata.
Veio para o Brasil em 2001, trabalhando sempre em Feira de Santana: ali foi vigário Paroquial da Paróquia Santíssima Trindade (2001 – 2003) e, a partir de 2004, pároco dessa mesma Paróquia; foi Diretor Espiritual no Seminário Arquidiocesano Sant´Ana Mestra, Professor na Faculdade Católica, Membro do Conselho Presbiteral da Arquidiocese, Conselheiro Provincial de sua Congregação e, desde 2001, Conselheiro Espiritual das Equipes de Nossa Senhora.
Fonte: arquidiocesedesaosalvador - bahia.
20/03/2012
SER JOVEM
A juventude não é um período de vida; ela é um estado de espírito, um efeito da vontade, uma qualidade de imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da coragem sobre a timidez, do gosto da aventura sobreo amor ao conforto. Não é por termos vivido um certo número de anos que envelhecemos; envelhecemos porque abandonamos nosso ideal.
Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma, as preocupações, as dúvidas, os temorese os desesperos, são os inimigos que lentamente nos inclinam à terra. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.
És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a confiançaem ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo, ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do Homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeçade tua alma de velho.
Os anos enrugam o rosto; renunciar ao ideal enruga a alma, as preocupações, as dúvidas, os temorese os desesperos, são os inimigos que lentamente nos inclinam à terra. Jovem é aquele que se admira, que se maravilha e pergunta, como a criança insaciável: e depois? Que desafia os acontecimentos e encontra alegria no jogo da vida.
És tão jovem quanto a tua fé. Tão velho quanto a tua descrença. Tão jovem quanto a confiançaem ti e a tua esperança. Tão velho quanto o teu desânimo. Serás jovem enquanto te conservares receptivo, ao que é belo, bom, grande. Receptivo às mensagens da natureza, do Homem, do infinito. E se um dia teu coração for atacado pelo pessimismo e corroído pelo cinismo, que Deus, então, se compadeçade tua alma de velho.
12/03/2012
Fé e Tradição: caminhada penitencial em Salvador - De Michael Mutinda, IMC.
A igreja da Arquidiocese de são Salvador, Bahia de todos os santos, se reuniu neste domingo terceiro domingo da Quaresma (11/3) para a famosa Caminhada Penitencial, atividade particular em todo Brasil que reúne os fiéis para rezar e fazer caridade. Este ano 2012, a caminhada começou às 6h30, com duas celebrações eucarísticas: uma na igreja Nossa Senhora das Dores, no bairro do Lobato, o mais tradicional e antiga deste evento, e que reúne os católicos da região da Suburbana, presidida por o bispo auxiliar Dom Gilson. A outra celebração aconteceu em frente à Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia, no Comércio presidida pelo Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, scj. Ao final das missas, todos saíram em procissão e se encontraram no Largo dos Mares, de onde seguiram até a igreja do Senhor do Bonfim.
A procissão da caminhada é marcada por demonstrações de fé e devoção, além de símbolos que resumem a espiritualidade quaresmal, como a cruz que sai da suburbana, símbolo da penitencia do povo e solidariedade com o sofrimento do povo baiano e todo povo de Deus, a doação de alimentos às Obras Sociais Irmã Dulce, a bênção da água e a peregrinação.
Tradição e fé do povo da suburbana
A belíssima tradição e a fé católica do povo suburbana que criou esta caminhada, no início, reunia em torno de 5 mil pessoas, em meados da década de 80. As paróquias da Suburbana saíam em caminhada até a Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, arrecadando doações para as obras de Irmã Dulce como gesto de doação e solidariedade no tempo da quaresma. Em 1989, o então Arcebispo de Salvador, Dom Lucas Moreira Neves, oficializou o evento Quaresmal, hoje considerado um dos mais importantes do calendário litúrgico baiano, que neste ano reuniu 200 mil pessoas.
“Há anos que eu participo desta caminhada; ajudo carregar água na caminhada junto com os jovens, canto, louvo e caminho com essa fé - esse ano Deus me deu mais força, coragem e fé para estar aqui. É um ato muito importante, principalmente para quem pode caminhar porque é uma hora que você se desprende do mundo. Hoje eu estou aqui servindo a Deus na Caminhada Penitencial”, comentou a paroquiana de São Brás de Plataforma, Senhorita Suiá.
No final da caminhada, chegando à Basílica do Senhor do Bonfim, na Colina Sagrada, o povo rezou terço e recebeu a benção dos seus pastores: Dom Murilo, Dom Gregório e Dom Gilson. Cantado o tradicional hino do Senhor do Bonfim, “... desta sagrada colina, mansão da misericórdia, dai-nos a graça divina, da justiça e da concórdia...” todos se despediram para continuar vivendo a graça da quaresma nas suas comunidades.
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