26/06/2012

Paróquia do Sagrado Coração comemora 27 anos de existência

Por Luiz Marinho

A Paróquia Coração de Jesus, em São José dos Campos, interior de São Paulo, viveu dias de festa de seu padroeiro, entre 16 e 17 de junho, numa grande experiência de comunidade, quando comemorou 27 anos de existência. É uma história bonita que vem sendo construída ao longo destes anos por seus paroquianos, deixando marcas na pedra que jamais serão apagadas.

Foi bonito ver crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos participando com o mesmo objetivo: fazer da Festa do Coração de Jesus a melhor das festas, preparando as bandeirinhas para enfeitar o pátio, decorando salas e barracas, preparando os quitutes, colocando a mão na massa.

29/05/2012

Envio missionário em Salvador


Envio missionário de Michael Mutinda, IMC.

É com grande alegria que celebraremos, no próximo dia 04 de Junho de 2012, o envio missionário de Diácono Michael Mutinda, IMC, que foi destinado do Brasil à Região Norte America (Estados Unidos e Canadá). A Celebração Eucarística acontecerá

20/05/2012

Páscoa Jovem Consolata 2012

“Através do serviço da Animação Missionária e Vocacional,
colaboramos com a Igreja local a fim de que os batizados tomem consciência da
sua abertura à universalidade” (José Allamano).
A paróquia Sagrado Coração de Jesus na cidade de Monte Santo, no interior da Bahia, acolheu entre os dias 4 e 8 de abril, a Páscoa Jovem Consolata 2012. O evento reuniu no Centro de Mandacaru, mais de 70 jovens entre coordenadores, lideres e animadores provenientes das paróquias de Jaguarari, Feira de Santana, Monte Santo e Salvador, sob o cuidado dos missionários da Consolata no estado da Bahia.

“Só uma Juventude organizada, será uma juventude forte” (Puebla 1185/1188).

18/04/2012

A CARTA AOS CORINTIOS - Por Mike Mutinda

A CARTA AOS CORINTIOS.
Levantamento de Pontos Principais.
O conteúdo da 1.ª Carta aos Coríntios pode resumir-se nos seguintes pontos:
Prólogo: 1,1-9;
I. Divisões na igreja de Corinto: 1,10-4,21;
II. Escândalos na igreja: 5,1-6,20;
III. Resposta a questões concretas: 7,1-11,1;
IV. A Assembleia Litúrgica: 11,2-34;
V. Os carismas: 12,1-14,40;
VI. A ressurreição dos mortos: 15,1-58;
Epílogo: 16,1-24.
• Paulo sai de Atenas para Corinto. Por volta de 50 d.C.
• Comunidade de melhores aspetos da dinâmica cidade comercial.
• Seus membros eram dedicados e entusiásticos e não hesitaram em aceitar a responsabilidade de pôr em pratica o que o cristianismo significava para eles.
• Mostraram-se a igreja mais exasperante com a qual Paulo teve de lidar.
• Paulo e seus companheiros Timóteo e Silvano (2 Cor. 1, 19)
• São trabalhadores.
• Gostam de lazer – cidade de Ásia e Macedônia
• Fazem negócios – para lucro.
• Santuário de Posêidon – templo, teatro e estado.
• Cenário dos jogos ístmicos.
• Paulo trabalha com leigos – Priscila e Áquila; Silas e Timóteo.
• Conversões – 1 Cor. 1, 14 (ex. crispo)
• Evangelização – uma cuidadosa estratégica missionária. A casa é o lugar próprio. Independência de trabalho (1 Cor. 9, 1-18). Aceitação de ajuda dos fieis, mas de maneira limitada.
• Comunidade: 1 Cor. 1,26
Sábios - com fama de prudência e moderação que demonstram sólida capacidade critica na política ou no comercio.
Os poderosos – os influentes.
Os ‘de família distinta’ – os nascidos na aristocracia da riqueza.
Escravos (1 Cor. 7, 21) – com garantia de casa e comida.
• Problemas:
Apelo a tribunais pagãos – 6,1-11
Frequentação de prostitutas – 6, 12-20.
Casamento e sexo – 7
Participação em refeições de templos pagãos – 8- 10
Idolatria – 6, 10 -11;8,7; 12,2.
• Diferenças na comunidade:
Grupo de Apolo, de Paulo e de Cefas. (1 Cor. 1,12)
Contra a teologia especulativa (1 Cor. 1,1)
Retórica (3,3-4)
Liberdade pessoal e comunitária (1 Cor. 5, 3-5)
Transformação pela graça ( 1 Cor. 1,17)
Corpo de cristo (1 Cor. 1,13; 12,27)
Ministério das mulheres e defesa explicita da completa igualdade das mulheres – 1 Cor. 3,2; 14,20; 11,11-12.
• Cartas a Corinto.
Paulo escreveu mais cartas para esta igreja que a qualquer outra igreja.
Novo testamento contém só duas cartas a Corinto:
1ª – Pré-canônico – 1 Cor. 5, 9
E a carta dolorosa – 2 Cor. 2, 4
• A igreja de Corinto era formada de pagãos de diversos graus do meio da escala social. Só faltam o topo (grandes magnatas) e a parte inferior (escravos do campo) dessa escala. Os judeus eram a minoria, mas pelo menos dois (Crispo e Sóstenes) se destacavam no grupo.




REDAÇÃO.
Paulo escreveu esta Carta em Éfeso, durante a terceira viagem missionária, para remediar os abusos, nomeadamente as divisões e escândalos de que teve conhecimento por mensageiros vindos de Corinto (1,11), e para responder às questões que lhe foram postas por escrito (7,1). Estas circunstâncias explicam o carácter não sistemático da Carta, com a única preocupação de enfrentar as necessidades e resolver as dúvidas dos seus correspondentes.
Ao longo destas páginas, desenha-se o retrato fiel de uma comunidade viva e fervorosa, mas com todos os problemas resultantes da inserção da mensagem cristã numa cultura diferente daquela em que tinha sido anunciada anteriormente. As questões abordadas derivam em grande parte do fenómeno da inculturação do Evangelho em ambiente helenista. Paulo procura esclarecer, mostrando-se firme ao condenar os comportamentos inconciliáveis, mas compreensivo quando a fé não corre perigo.
Os cristãos de Corinto enfrentaram várias “tentações”: reduzir a fé cristã a uma sabedoria humana, diversificada à maneira das escolas filosóficas de então (1,10; 3,22); ceder aos imperativos de uma ética sexual, caracterizada, ora por um excessivo laxismo, ora pelo desprezo da carne, segundo as diferentes correntes filosóficas (5,1-3; 6,12-20; 7,1-40); continuar a observar as práticas cultuais do paganismo (cap. 8-13) e a sofrer a influência suspeita das refeições sagradas (11,21) e do frenesim delirante de certos ritos (12,2-3). Tiveram ainda dificuldade em conciliar o mistério fundamental da ressurreição dos mortos com as doutrinas dualistas da filosofia grega (cap. 15).
As soluções propostas estão marcadas pelos condicionalismos culturais de então e pelo concreto da vida; mas não se reduzem a mera casuística já ultrapassada, porque o génio de Paulo, mesmo quando desce a questões do dia-a-dia, sabe sempre elevar-se aos princípios fundamentais que lhes asseguram perenidade e oferecer-nos uma teologia aplicada ao concreto da vida cristã.
Daqui o interesse e a actualidade desta Carta: através dela, sentimos ao vivo o pulsar de uma comunidade cristã muito rica, a forte personalidade de Paulo, muito consciente das suas responsabilidades, e a presença constante do Ressuscitado que anima a comunidade e a tudo dá sentido.

ECUMENISMO e Diálogo Inter-Religioso e o Problema das Seitas - Por Mike Mutinda

ECUMENISMO e Diálogo Inter-Religioso e o Problema das Seitas numa Entrevista com Padre Stephen Erastus Murungi*

INTRODUÇÃO.
O Ecumenismo, classicamente pensado é o movimento pela unidade das religiões cristãs, e o Dialogo Inter-religioso é o movimento visando à unidade das religiões cristãs com as outras religiões da humanidade. O dialogo inter-religioso tem o significado de ajuda na construção da nova humanidade, abrindo caminhos inéditos para o testemunho cristão, e promovendo a liberdade e a dignidade dos povos, estimulando a colaboração para o bem comum, ajudando a superar a violência motivada por atitudes religiosas fundamentalistas, educando os cidadãos para a paz e a convivência. (DA 239).
O ecumenismo propõe aos cristãos de instituições eclesiais diferentes buscar a unidade por outro caminho, a partir de outra concepção da igreja de Jesus cristo e com métodos diferentes. O movimento ecumênico empenhou-se até hoje em promover duas ações básicas: despertar a consciência dos cristãos sobre a urgência de recompor a unidade do povo cristão e buscar caminhos novos que levem as comunidades divididas à reconciliação.
A nossa entrevista tem a originalidade de apresentar, dentro de realidade africana, a realidade queniana na qual pertecemos, sobre o ecumenismo situando-nos no contexto da realidade religiosa e apontando posicionamentos relevantes, limites e desafios. Por limitação de distancia, aproveitamos a presença do nosso entrevistado no conselho regional dos missionários da Consolata. E para facilitar a nossa entrevista, escolhemos fazer algumas perguntas por escrita para o nosso entrevistado, que em resposta, decidiu fazer uma audiência oral no dia 20 de Outubro de 2009 às 15 horas na Casa Regional dos Missionários da Consolata, Jardim São Bento, São Paulo.
ENTREVISTA.
Existem em África possibilidades reais de diálogo inter-religioso? A possibilidade concreta de diálogo inter-religioso precisa de ser contextualizada tendo como pano de fundo a história da África, a partir do Sínodo de 1994: uma história caracterizada pela proliferação de sangrentos conflitos. Penso que terá sido precisamente isso a sugerir a escolha de centrar os trabalhos deste Sínodo nas questões de reconciliação, justiça e paz. Parece-me que é precisamente nesta opção que reside a possibilidade concreta de um diálogo inter-religioso, sobretudo na perspectiva do que João Paulo II chamava “diálogo da vida”. É um diálogo em que se testemunham reciprocamente os próprios valores espirituais e humanos, sustentando-se as pessoas mutuamente para os viver e assim edificar uma sociedade mais justa e fraterna (cfr.RMi 57). É claro que, se considerarmos reconciliação, justiça e paz, vemos que implicam um empenho partilhado e, neste sentido, parece-me que constituem âmbitos específicos de concretização do diálogo inter-religioso que, evidentemente, os bispos consideram possível para a África.
Quais são as religiões com as quais o cristianismo tem melhores relações, em África? É difícil dar indicações precisas a esse respeito, porque objetivamente a situação é muito variada. Basta pensar no mapa geográfico da África, com os países do norte do continente e os da África sub-sahara ou da África do Sul. Olhando para este mapa, do ponto de vista religioso, é claro que a presença dos cristãos em geral (e dos católicos em particular) varia nas diversas zonas do continente, assim como varia também a presença das outras tradições religiosas. Depois, há também que tomar em consideração que, na qualidade da relação com as outras religiões, incidem também outros fatores. Estou a pensar, por exemplo, nas diferentes legislações de cada país, nesta matéria. Devemos também tomar em consideração a própria história da evangelização: a África foi evangelizada em diversas fases, com diferentes métodos e metodologias. Atualmente, no que diz respeito a esta rede de relações do cristianismo, ou melhor, do catolicismo, com as outras religiões, existem outros dois fatores que podem tornar mais problemática a relação entre as várias tradições religiosas.

O primeiro fator é a difusão do radicalismo islâmico. Também aqui basta controlar um mapa: é inegável que este radicalismo se está a difundir-se no Corno de África, mas também na Nigéria, Sudão, Costa do Marfim, Guiné-Conakri, Níger, Mali, Togo, entre outros. Esta difusão torna possível a constituição de redes terroristas.
Um segundo fator é a difusão das seitas que muito dificilmente se podem definir “cristãs”: se o são, são no apenas como uma capa exterior. São seitas que se apresentam com uma oferta de bem-estar, naturalmente a alcançar mediante uma compensação, um bem-estar proposto aqui e agora.
Seria possível traçar brevemente um mapa do continente africano indicando as áreas geográficas em que se manifestam mais tensões ligadas à diversidade religiosa? Seria bastante difícil, porque os conflitos que ensangüentam a África têm diversas chaves de leitura: há casos de conflitos étnicos, clãs, tribalismo, senhores da guerra e, atualmente, também episódios de terrorismo. Portanto, é uma tarefa complexa identificar as causas; embora se pense que hoje em dia existe um fator – que, aliás, não é novo, senão nas formas – que é o das novas presenças coloniais. A África é rica de matérias primas que sustentam o desenvolvimento econômico de outros países como os Estados Unidos e a Europa e que são muito apetecíveis para as novas nações emergentes como a Índia e a China. Se quiséssemos analisar, por exemplo, a guerra na zona dos Grandes Lagos, encontrar-nos-íamos perante uma série de conflitos que são emblemáticos desta complexidade.
E então acontece por vezes que episódios de conflito violento, na aparência de caráter religioso, se verifiquem em contextos caracterizados por complexidades etno-tribais e pela presença de “confrarias” religiosos com interesses locais (estou a pensar no Sudão, mas também na questão do Darfur). Assim sendo, como individuar as áreas geográficas do continente africano em que se manifestam maiores tensões ligadas à diversidade de credos? Penso que há, em síntese, um indicador muito claro: as áreas onde mais facilmente surgem estas tensões são aquelas onde maior é o subdesenvolvimento, em contraste com riquezas naturais que não são utilizadas para o desenvolvimento interno. Esta situação de terrível subdesenvolvimento comporta uma maior possibilidade de penetração das seitas e dos movimentos fundamentalistas.
Existem na África casos positivos de relação entre cristianismo e Islã? Quando se fala das relações com o Islã, há que precisar que não é um mundo monolítico, mas sim complexo, um mundo que atualmente passa, no seu interior, por não fáceis dinâmicas de transformação. Portanto, há que compreender as relações com o Islã, no quadro do seu dinamismo atual, que apresenta também as marcas da intolerância religiosa. Depois, há que não esquecer também o variegado impacto político do Islã, que tantas vezes torna difícil o diálogo. Apesar de tudo, existem muitas experiências positivas, em que se verifica o chamado “diálogo da vida”. São experiências ligadas, por exemplo, ao âmbito caritativo e social.
Um exemplo interessante é o da “Rádio Sol Mansi”, da Guiné Bissau, em que se verifica uma colaboração concreta, quotidiana, de cristãos e muçulmanos, portando uma concretização do “diálogo de vida”. Observando a programação desta Rádio [católica], vê-se que existem programas tanto para os muçulmanos, como também para os evangélicos. E há também intervenções conjuntas de formação sobre temas da atualidade, por exemplo, a luta à sida, a promoção da mulher, a educação alimentar, o diálogo entre diferentes crenças.
E no diálogo ecumênico entre as Igrejas cristãs, em que ponto se está, na África? O diálogo ecumênico – na África como noutras partes do mundo – avança atualmente mais na linha do “diálogo de vida”, embora não faltem também casos de empenho em nível do pensamento Há luzes e sombras a marcar o inegável caminho já percorrido, que, positivamente, encontra uma expressão concreta em experiências partilhadas de oração: por exemplo, na celebração da Semana da Unidade dos Cristãos, mas também experiências de estudo. Significativa é a tradução da Bíblia nas línguas locais em colaboração com a Aliança bíblica, mas penso também nas experiências partilhadas de empenho caritativo e social.
Trata-se de um caminho a potenciar, porque há evidentemente sombras, superando obstáculos como certa desconfiança, rivalidade entre grupos, falta de tolerância e incompreensão recíproca. As raízes destes obstáculos encontram-se certamente na história anterior das relações entre as diversas comunidades cristãs, mas também, por outro lado, na freqüente falta de conhecimento da própria identidade e, sobretudo, da identidade dos outros. Portanto, as Igrejas e as comunidades eclesiais envolvidas no diálogo ecumênico na África hoje em dia enfrentam também os desafios que derivam da multiplicação descontrolada das seitas, que geram evidentes fenômenos de “transumância” religiosa. Trata-se de fenômenos que não se podem explicar apenas com a agressividade das seitas. À luz de tudo isto, creio que também na África, para prosseguir o diálogo ecumênico, se exige hoje mais do que nunca uma apropriada formação cristã.
Enfrentemos o tema das religiões tradicionais africanas: é possível conciliá-las com o cristianismo? E de que modo? Se “conciliar” significa criar uma religião “sincretista”, então essa conciliação não é possível, porque o cristianismo tem uma sua especificidade irredutível, que não é conciliável com outras experiências religiosas (penso no mistério salvífico Cristológico - Jesus Cristo plena realização da salvação e das promessas divinas). Mas se “conciliar” significa apenas reconhecer nas religiões tradicionais a presença de aspectos positivos – e, portanto salvíficos (os que, com categorias tradicionais, se chamam as “sementes do Verbo”) – tal conciliação é possível. Mestre, neste sentido, é o Concílio Vaticano II, que marca um momento de abertura ao mundo das outras tradições religiosas.
O Concílio adota uma linguagem positiva para falar da relação da Igreja com as diversas religiões, pondo em realce elementos comuns que podem favorecer um diálogo recíproco. As religiões tradicionais africanas constituem um húmus sócio-cultural de referência, também para os que já são cristãos, e, portanto também por isso impõe-se como necessário um discernimento que ponha em evidência os seus elementos positivos e negativos. Por outro lado, não há dúvida que a atenção às culturas tradicionais pode favorecer os processos de inculturação e de contextualização do cristianismo, desde que se recorde, porém que não há que mitizar as culturas tradicionais. Estas não existem em estado “puro”, até porque ao longo dos tempos sofreram modificações causadas, por exemplo, pelo encontro com outros universos culturais.
À luz de tudo o que se disse, pode-se considerar a África “um continente de esperança”? A África é mais do que um continente de esperança: é um continente onde já se vive uma transformação, por muito difícil que a consideremos. É um continente ferido, mas que, ainda assim, caminha. Nós, aqui no Ocidente, precisaríamos porventura de aprender a olhar para a África com estas “lentes”. A África não é só o continente da sida. É também a África do cinema, da literatura, e de tanta bela gente.
CONCLUSAO.
No final desta entrevista, sentimos que a fé nos garante a certeza sobre a realização da unidade crista. O nosso entrevistado fez nos entender que na áfrica, salvo as diferenças nos princípios, nos métodos e nos objetivos, ‘ecumenismo’ e ‘dialogo religioso’, por vezes se entrecruzam – principalmente quando se fortalece o ‘ecumenismo pratico’, ou ecumenismo na base, quando se prioriza a ação social como o principal testemunho da fé em um Deus criador e salvador, mais que o acordo doutrinal.
Onde o espírito da doutrina muitas vezes divide um coração realmente convertido para a fé no único e verdadeiro deus é fator de aproximação até mesmo com aqueles considerados mais distantes dos princípios do ecumenismo. Sustentado pelo Espírito da Verdade, o povo vive em seu conjunto e no corpo a corpo Ecumênico e Inter-religioso o senso da fé. (LG 12a)

As Novas Eclesiologias - Por Mike Mutinda

BATTISTA MONDIN. As Novas Eclesiologias. Uma imagem atual da Igreja. São Paulo, Edições Paulinas, 1984.

Introdução.
A imagem da igreja como sacramento é para obter uma idéia mais adequada da Igreja. O que é Sacramento: é uma realidade que age como sinal sensível e eficaz da graça, isto é uma realidade que ao mesmo tempo atua e manifesta a nova aliança, nossa salvação, a incorporação em Cristo, a inabitação do espírito santo, a identificação da divindade com a humanidade, a difusão do amor de Deus em nossos corações.
Os elementos específicos do sacramento que eram reservados aos sete sinais sacramentais (os sete sacramentos) - Significar e atuar a graça - encontram-se ainda antes de nos ‘sete sacramentos’, em Jesus Cristo e na Igreja.
Efetivamente, Cristo é a atuação visível de nossa salvação, de nossa comunicação com Deus, da identificação da divindade coma humanidade: é o próprio Deus feito homem. Na sua humanidade, Jesus é o sacramento de Deus. E a Igreja, pela presença de Cristo, possui em si uma estrutura sacramental; Possui uma visibilidade no espaço e no tempo, na historia, com a dupla dimensão de povo de Deus e de sua constitucionalidade jurídica e social; nela, seu corpo e sua esposa, Cristo permanece presente no mundo; Divindade e humanidade, sinal e ‘res’, visibilidade histórica e espírito santo não são a mesma coisa. Mas como em Cristo, as duas realidades não são separáveis; É a presença, através dos ministérios, da graça de Cristo na história pública da humanidade única.
Igreja, como sacramento é a fonte daqueles sinais eficazes da graça que a tradição qualificou como os ‘sete sacramentos’. Entre eles, dois ocupam um lugar privilegiado; O batismo – sinal visível à incorporação dos crentes ao corpo místico de Cristo. Passagem da morte à vida; escravidão à salvação. A Eucaristia – renova-se o mistério do sacrifício da cruz. Cristo congrega pelo seu poder a Igreja una, santa, católica e apostólica (LG 25).
Sacramento e Funções.
Segundo santo Tomás, as funções principais do sacramento são três:
1. Sinal comemorativo do passado (morte de Cristo).
2. Sinal ostensivo do fruto produzido em nós pela sua paixão – da graça,
3. Sinal profético ou anunciador da gloria futura.
Estas três funções são exercidas eminentemente pela igreja: é ela a comunidade que Conserva a ‘memória subversiva’; Continua a obra de salvação; e antecipa a atuação do reino de Deus. ‘A Igreja é, portanto, intrinsecamente, formalmente de natureza sacramental. ’

EDWARD SCHILLEBEECKX.
Teólogo belga, nascido em Amberes em 1914 e entrou para os dominicanos em 1934.
Sacramento é um ato de Cristo oferecido num ato da Igreja. É assim que se posiciona Edward Schillebeeckx. Para ele, sacramento ‘é um ato de salvação pessoal do próprio Cristo celeste na forma de manifestação visível de um ato funcional da Igreja’. Por isso, o sacramento por excelência (o ursakrament - sacramento raiz, expressão de Otto Semelroth) é Jesus Cristo. É claro que Jesus é muito mais que um sinal. Como vinca Yves Congar, Ele é ‘a epifania, a manifestação, a presença reveladora de Deus’.

A Igreja Sacramento da Humanidade de Cristo.
Toda teologia deve ser construída em chave sacramental visto que a revelação, (objeto da reflexão teológica) é essencialmente sacramento. Deus se encontra com o homem justamente desta maneira sacramental; Comunica-lhe a sua verdade e a sua graça e o chama à salvação.
‘A graça não nos alcança diretamente partindo do amor transcendental, trans-historico de Deus, mas partindo do homem Jesus. A ação da graça, a revelação, situa-se, portanto, no quadro de um comercio humano’ . Encontro de Deus e homem na maneira sacramental está em harmonia com as exigências da natureza humana.
O que é o homem? É um ser espiritual que está essencialmente ligado à corporeidade; não é nem um bruto, nem um anjo, mas um espírito encarnado, o qual deve receber tudo e tudo comunicar através do corpo, até a palavra de deus, a graça, a salvação. Por isso estas realidades sobrenaturais ‘não podem ser propostas ao nosso mundo terreno e histórico a não ser através de símbolos sacramentais’.
Sacramento principal e primordial é Jesus Cristo. Nele se realiza a dupla função da sacramentalidade: Descendente de transmitir a graça e a função ascendente de agradecimento a Deus. (Jesus como salvador do homem e adorador do pai – sacramento.)
Atos de Cristo – atos de pessoa divina- atos salvíficos do homem Jesus têm forca divina de salvação – aparece para nós sob forma terrestre, visível – são sacramentos.
O amor divino – maneira humana – sacramento.
Igreja – sacramento – ela é a representação visível, histórica, da redenção definitiva – é instituição de salvação, é sacramento.
Igreja – sacramento primordial: Sacramentum humanitatis Christi – Cristo sacramental e O sujeito dos sete sacramentos – da ação ministerial.
Dos sete, o que realiza o encontro mais íntimo e eficaz com Deus, é a eucaristia.
Não é somente a Igreja hierárquica, mas toda a comunidade leiga dos crentes que pertence a este sinal de graça, este sinal que fala e que doa, que é a Igreja.

Igreja, Sacramento Universal da Salvação.
A Igreja, ‘é sacramento da salvação, mas em virtude da sua união com Cristo, inteiramente a partir d'Ele e por Ele’. Ou seja, ‘Cristo e a Igreja são portadores da salvação em condições diferentes: Cristo é mediador como chefe e fonte; a Igreja não é senão um mistério desta mediação de Cristo’.
• O problema de ‘extra ecclesiam nulla salus’.
• Sacramento de salvação – sinal do que instrumento efetivo de salvação.
• Estar fora da Igreja não significa estar fora da salvação por que o horizonte da salvação abraça, efetivamente, toda a humanidade, visto que Deus a quis e a realizou para todos os homens.
• Igreja x reino de Deus.
• Salvação fora da Igreja – Ranher – cristianismo anônimo.
• A salvação é oferecida a todo mundo e está realmente operando, ainda que de maneira menos visível da que acontece no momento em que os homens se tornam povo de Deus.
• Salvação, presente em toda a humanidade, recebe na Igreja sua forma manifestativa completa, mas também com uma obscuridade por causa de nossa imperfeição humana.
• Torna-se na Igreja , uma epifania; perfeitamente visível. A Igreja é manifestação perfeita da ação salvifica da graça de Deus; Dom e ocasião de graça – Igreja.
• Para preencher as lacunas, a igreja, como sacramento universal de salvação é, por forca de sua própria essência, uma igreja verdadeiramente missionária, orientada para a missão: A si mesmo – um sacramento de si e Sacramentum mundi – fora da Igreja; esperança para tudo mundo.

O termo sacramento - Por Mike Mutinda

O termo sacramento entra na linguagem cristã através de Tertuliano no princípio do séc. III. Inicialmente, “sacramentum” é o ato de consagração com que o soldado se compromete a tal fidelidade ao seu imperador e desta consagração traz sobre o seu corpo impresso um “sinal-selo”. A palavra sacramento vem do grego “mystérion”. Assim, os sacramentos são sinais através dos quais Deus, em seu Mistério, se aproxima do ser humano e os humanos se aproximam de Deus.
Os Sacramentos são sinais da comunhão com Deus, em Cristo, pelo Espírito Santo, que marcam com sua graça momentos fortes da vida. Na religiosidade popular o povo também encontra maneiras simples de expressar e viver sua fé e o compromisso missionário. A digna celebração dos sacramentais, como bênçãos e exéquias, vêm ao encontro da alma do povo e oportuniza a celebração do mistério pascal
A vida humana tem estrutura sacramental, pois esta se desenvolve a partir das relações do encontro de pessoas entre si e mais com as coisas e a realidade que a cercam. O encontro da pessoa com Deus passa por muitas mediações, entre elas os sacramentos.
Os sacramentos configuram a vida humana, numa íntima relação que vai desde a infância e faz processo de caminhada no crescimento da fé. Eles tem sentido porque estão inseridos na moldura da vida cristã, isto é, na vivência do seguimento de Jesus Cristo, que congrega seguidores no seio de uma comunidade de fé. A vida, podemos dizer, cresce a partir de elementos essenciais: saúde, alimentação, educação, moradia... A fé também cresce a partir da vida alimentada pela celebração, vivência comunitária, oração, leitura da Palavra, pelo amor experimentado na convivência dos irmãos e irmãs e na gratuidade de ir ao encontro dos outros.
Na linguagem do NT é o próprio Jesus que se torna sacramento. Ele é o sinal, a presença, o “Deus conosco” através de sua encarnação, vida, morte e ressurreição. Quando perdemos de vista a pessoa de Jesus, seu projeto, vida e compromisso, será mais difícil reconhecê-lo nos sacramentos. Para o cristão, os sacramentos precisam ser o sinal-selo do compromisso radical com a vida, do seguimento e encontro com a pessoa de Jesus no cotidiano e na vivência comunitária e da Igreja, onde, através da celebração, fazemos a memória do Mistério Pascal de Cristo

“On Death and Dying“

The idea of death makes one aware of one's life, one's vital being – that which is impermanent and will one day end.   When ...